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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

21.Jun.20

...

Francisco
Por terras baldias encontram-se pegadas de sonhos perdidos, Coisas que não viraram nada - Pensamentos, que se foram quando a alma. Os ossos daqueles que os carregaram são agora parte de solo antigo, As flores recordações das suas presenças A chuva as lágrimas daqueles que ainda os sentem...   Com campas, cruzes, paus ou mesmo nada; - Aqui jaz sonhador, que alcance a estrela que procurava! Escrito ou murmurado, repetem-se para cada corpo sem alma, Muitos sem jazigo próprio; Som (...)
05.Jun.20

Por dizer

Francisco
Não sei onde foste a noite passada. Ouvi-te, de levezinho, escapando  Pelo breu antes da madrugada.   Sob um feitiço ou o que estava Deixei-me dormir com a cabeça encostada No teu perfume, que ficou na almofada.   Ficou por dizer o que faltava...   Corro as ruas pela calçada, Cabisbaixo e de pouca fala, Ostentando as cores da solidão.   É-me mais fácil nem carregar nada. Peso morto vem de arrasto a alma Que de quando em vês me segura e larga.   Ficou por (...)
30.Mai.20

Mensagem

Francisco
Sou levado pelas ondas do oceano Como uma mensagem engarrafada.   Não encontrei costa onde parar, Não tendo ninguém me descoberto para ler.   Navego perdido, sentindo no meu intimo  Que não estou sequer para ser encontrado.   No meu interior desconheço já o que me preenche. Escrevi tanto e pobremente que me desfaço Sem saber já o que perco Para o mar, negro me rodeando com a tinta  Com que o tingi - Conseguindo assim o belo azul manchar...   Agora, faço parte (...)
28.Mai.20

O retrato da minha solidão

Francisco
Quantas vezes pensei em estar sozinho.  Quantas mais que realmente o estava E ainda as quantas que parei para observar a minha própria solidão Guardando-a emoldurada.   É belo o que se encontra escondido, É sublime o que viaja perdido, É tão distante o presente Que se faz em sonho a vida!   Quanta loucura por detrás de uma mente, Quanta ebriedade que vem num pensamento...  Que mais haverá no mundo para nos eludir dos momentos que há no tempo? É meu, é teu, é nosso enquanto (...)
30.Abr.20

Trilho de lágrimas

Francisco
Quantas vezes retorno o olhar ao passado E encontro o dele em mim, Taciturno como uma noite sem luar, Fixando-me o passo cambaleante com que me vê voltar Enamorado em escolhas que já não me pertencem.   Segurou-me o destino pela mão, como a uma criança, Por um parque de diversões de dimensões colossais Onde, como todo bom progenitor, Me afasta da loucura que é brincar em tamanhas criações. Pois o tempo não se esqueceu de passar E cresci. Diabo o leve, que quis ele (...)
08.Abr.20

Saligia

Francisco
Cozida a paixão no ventre Vagueiam ostentando as barrigas, Enfardando-se daquilo em que rejubilam Sem tento ou direito!   Para quem não enche a pança Carrega o peso nas algibeiras. Haverá mais poder do que aquele que um homem pode comprar? Há, um mais rico, quiçá.   Quanto desejo lhes corre nas veias Cobiçando a vida, dinheiro e terreno Do vizinho, dos senhores E do próprio Deus, vejam!   Banqueteando-se em meretrizes,  Prometem-lhes o luxo da vida Sussurrado (...)
18.Mar.20

Tornou-se desgastante a busca por palavras

Francisco
Tornou-se desgastante a busca por palavras. Por mais sentidos, sinónimos ou significados Nenhuma me serve de nada. O que quero dito não se fala.   De anciãs respeito-lhes a idade, O poder que embutido no homem Ofereceu-lhes, há tempos, dignidade.  Hoje sujam estes o nome com as palavras que os elevaram.   Não preciso das palavras. O mundo lá fora é-me o mesmo sem elas, O brilho do sol não enfraquece Ou a natureza desaparece.   Pelo contrário,  Enaltecem-se (...)
08.Mar.20

Zarpar

Francisco
Vão-se tempos embora, Fechando de rompante a porta Atrás de si.   Seguem de passo apressado, Não pela chuva, vento ou nada Pois observo-os pela janela escondido pelo cortinado; Esqueceram-se de mim.   O quanto estremece aquela casa com a brusquidão das suas partidas, Deixando todos os presentes encolhidos, sem saber de si. - Vou-me embora? Perguntam-se. Todos ficam quando na despedida de alguém Fazendo as malas no dia seguinte, indo-se também.   As aguarelas dos (...)
07.Fev.20

Todas as noites

Francisco
Como a uma melodia num piano Ritmam-me os dedos no teu peito, comigo Arrastando vagarosamente as teclas, Saboreando a passagem de cada nota. De ti, o pulsar, a música que ouvimos todas as noites No quarto, iluminado apenas com a nossa presença.   Oiço-me inspirar pesadamente, com O ar carregado da tua fragrância Enchendo-me o peito, expirando como que com medo de a perder. Como se algum artista impressionasse, desenho a tua silhueta Sentindo-te por debaixo das leves vestes (...)
19.Jan.20

Dor

Francisco
Quanta dor habita no vazio. Prolonga-se por parte nenhuma Abraçando o vácuo  E é em não sentindo nada que se sofre.   Propagam-se silêncios Ecoando nas paredes do nosso ser, Sons tão obscuros que nos horrorizam de os (não) ouvir.   O corpo estremece não sabendo do quê E a mente retorce-se, apunhalando tudo O que não vê. Pois morre a sanidade do homem Sangrando esta nas suas próprias mãos.   Pertence-lhe lágrimas escondidas, Dor de cicatrizes que não foram (...)