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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

18.Mar.20

Tornou-se desgastante a busca por palavras

Francisco
Tornou-se desgastante a busca por palavras. Por mais sentidos, sinónimos ou significados Nenhuma me serve de nada. O que quero dito não se fala.   De anciãs respeito-lhes a idade, O poder que embutido no homem Ofereceu-lhes, há tempos, dignidade.  Hoje sujam estes o nome com as palavras que os elevaram.   Não preciso das palavras. O mundo lá fora é-me o mesmo sem elas, O brilho do sol não enfraquece Ou a natureza desaparece.   Pelo contrário,  Enaltecem-se (...)
08.Mar.20

Zarpar

Francisco
Vão-se tempos embora, Fechando de rompante a porta Atrás de si.   Seguem de passo apressado, Não pela chuva, vento ou nada Pois observo-os pela janela escondido pelo cortinado; Esqueceram-se de mim.   O quanto estremece aquela casa com a brusquidão das suas partidas, Deixando todos os presentes encolhidos, sem saber de si. - Vou-me embora? Perguntam-se. Todos ficam quando na despedida de alguém Fazendo as malas no dia seguinte, indo-se também.   As aguarelas dos (...)
25.Fev.20

Terra dos Sonhos

Francisco
Ouve-se um leve suspiro, ele agradável e expectativo, vindo de uma menina observando o mundo lá fora, do seu quarto. Todos, no seu bairro, fazem horas extraordinárias, sendo as ruas silenciadas de qualquer movimento mesmo já tendo o sol se erguido e espreguiçado, estando agora lá no alto. Estendida de barriga na cama sente uma brisa pela janela aberta, que nada mais é que a falta de uma das paredes da divisão do quarto, do mundo lá de fora. Os seus pais são como todos os outros (...)
07.Fev.20

Todas as noites

Francisco
Como a uma melodia num piano Ritmam-me os dedos no teu peito, comigo Arrastando vagarosamente as teclas, Saboreando a passagem de cada nota. De ti, o pulsar, a música que ouvimos todas as noites No quarto, iluminado apenas com a nossa presença.   Oiço-me inspirar pesadamente, com O ar carregado da tua fragrância Enchendo-me o peito, expirando como que com medo de a perder. Como se algum artista impressionasse, desenho a tua silhueta Sentindo-te por debaixo das leves vestes (...)
19.Jan.20

Dor

Francisco
Quanta dor habita no vazio. Prolonga-se por parte nenhuma Abraçando o vácuo  E é em não sentindo nada que se sofre.   Propagam-se silêncios Ecoando nas paredes do nosso ser, Sons tão obscuros que nos horrorizam de os (não) ouvir.   O corpo estremece não sabendo do quê E a mente retorce-se, apunhalando tudo O que não vê. Pois morre a sanidade do homem Sangrando esta nas suas próprias mãos.   Pertence-lhe lágrimas escondidas, Dor de cicatrizes que não foram (...)
12.Jan.20

Raízes temporais

Francisco
Entrelaçam-se e abraçam-se braços nus e mãos gélidas Às próprias raízes do tempo, desafiando o infinito depois de presente. No ancestral seio onde outrora fora vida Seguram uma chama extinta, Um calor de outro tempo.   Não obstante, fagulha ainda nas cinzas a alma dessa gente Remexendo-se e chispando a cada apreço ou desprezo. Fez o homem o feito e marcou esse o homem Mas que memória perdura tanto?   Lembrados num dia, são heróis e possantes Sentados no trono (...)
14.Dez.19

A beleza da morte

Francisco
Na força de um sopro Despe-se a última flor das suas pétalas, Ascendendo estas pelos ares, como se almas possuíssem, Abandonando o seu caule.    O céu esconde o rosto, qual criança que tropeça e se magoa, Choramingando. E a lua cobre-se com um véu de nuvens negro Reconhecendo que de tão distante é impotente para com o acontecimento.   As almas retornam, como espíritos insatisfeitos pelo seu desfecho, Acolhendo o enlameado solo as frágeis pétalas Sentindo-se (...)
19.Out.19

...

Francisco
Vindas de mãos cansadas, pesam-me as palavras como me pesa a alma. A grafite expõe-se em papel borrado, já de tanto erro nele fincado; Não encontra repouso, nunca fazendo eu dela palavras.   Se de teimosia se de zelo, guardo o que escrevo na mente nela mesmo Receando algo ou alguém mexer naquilo que nunca me atrevi a ser eu a fazer. Não escondo o que não sou nem o que apresento: sou nada cá dentro. Inequivocamente me compreendo, quando a todos os cantos do meu ser pergunto-me (...)
06.Out.19

Silêncio

Francisco
Idolatrais deuses, ritos, magnânimas figuras e esperanças.  Pois eu fico-me pelo silêncio Sendo que em tudo o que não diz não mente.   Toda a existência contraria-se, Retorce-se, adapta-se à verdade e à mentira. É o Homem quem a cria, egocentrista.   Deu ao parto da natureza a mente, Rotulando aquele que livre nasceu, sem saber. Teve o Homem que pensar, para aprisionar o ser.   É no silêncio que viajo, içando as velas num mar de pensamentos Num veleiro feito (...)
20.Set.19

...

Francisco
Desconhecido para o mundo há quem faça todo um barulho para ser ouvido. Muitos já se veem imortais, se por ego se por feito não sei, poucos conheço. Alguns deixam por escrito a sua mensagem, tanto que acreditam que depois da vida a recitam... Outros quantos vivem para um dia, depois de esse finto, terminou, já não existem.   À vida todos lhe segredam, dos mais honestos a macabros desejos; Pois tudo ouve e é ouvido, mas ninguém se lembra do momento. Com o tempo não (...)