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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

18.Nov.20

Calçada

Francisco
Atravesso a estrada como que fugindo do escuro. A calçada molhada, suja e com odores de repugnar a alma Serve-me de refúgio para aquilo que celeremente passa A todo o gás. Talvez sem tempo,  (Quem sabe mesmo sem nada), Procuram encontrar aquilo que lhes falta... Antes de ser tarde de mais.   E eu? Que corro do alcatrão para a pedra cansada, Abrigando-me sob postes luminosos  Que o que fazem é projetar sombras Onde me deveriam iluminar os passos? Estará tecido no meu destino
06.Nov.20

Coreografia da vida

Francisco
Leve como as penas Voam as pétalas das plantas sem rumo ou destino. As águas correm vitalícias, Colorindo as margens e as costas De verde vivo, e também de vida. As robustas raízes das árvores (A)seguram a idade, a filiação e a descendência Servindo o musgo de manta das mencionadas idosas. É o vento a música, os pássaros os vocais  E as flores as dançarinas: A coreografia da vida.   É o lobo selvagem, A raiva, a ira, a aniquilação da lua e da estrela. É o (...)
31.Out.20

Relógio de bolso

Francisco
Iluminada pelo brilho da lua A noite vê-se prolongada por mais umas horas. Em cima de uma mesa de cabeceira, Onde o luar penetrante rompe entre o tecido das cortinas E lhe faz presença, Está um relógio prateado revelando o tempo. Quatro e cinquenta Marcou ao ser levado ao bolso.   Entre a jaqueta operária  E um coração agitado, Deixa-se transportar aconchegada a prata. Nuns sapatos gastos mas de sola reforçada Apressa-se também quem o tempo carrega na algibeira. Ah (...)
14.Out.20

Deixar ir

Francisco
Deixar ir. Nem tudo o que tem corpo se segura, Nem tão pouco se aprisiona ou se vai atrás. É livre a escolha que perseguimos? Ou aquilo que, estando escrito, nos fez seguir Sem rumo, sentido ou jeito; Meio que tropeçando, cambaleando,  Aos soluços e em lágrimas.   Por mais que seja nosso, É livre de nós a escolha de escolher. São momentos que passam, Que nos atravessam a correr Sem travões para parar a tempo De nos dar tempo de pensar.   O que fazer depois vai (...)
09.Out.20

A poesia não me chega

Francisco
A poesia não me chega. Ou talvez seja eu que não sirva para ser poeta. Das tantas palavras que me vejo sedento Nenhuma me sacia realmente.   Não tragando eu do licor da vida, Faço da experiência a leitura do rótulo da garrafa em que é servido. No entanto não há câmbio possível entre tal feito Por mais idolatradas que sejam as palavras nele escrito.   A poesia não me chega Para amar. Sinto-o forte, o amor no peito, Ele uma dor doentia que não me larga: Fosse (...)
20.Set.20

Coração Azul

Francisco
Quando termina o dia E se desce do palco iluminado da vida Para as bancadas, De passo lento e pesado Com os olhos fitando o passado Enquanto se ouvem as gargalhadas e os aplausos... Ainda a rubro.   Observo como o palco escurece à medida que me afasto, Como as luzes se apagam aos pares atrás E as pessoas se ausentam, Já silenciadas pelo cansaço De estarem longe de casa.   Já no exterior Retorno o olhar, surpreendido pelo som metálico da fechadura da entrada Encerra (...)
12.Set.20

Realidade

Francisco
Sentado numa esplanada observo em redor. Que há para ver? Nada.   Fito um copo cheio que me foi servido, Se tal pedi é me desconhecido. O conteúdo, contudo, deixa um travo que me é famoso; Sinto-lhe o veneno temporal, que, caindo-me no estômago Me interroga do passado...   O sol certamente expõe-se algures, São cinco horas da tarde (assim o relógio marca), Porém não se consegue avistar em qualquer lado; Tapa-lhe o brilho os prédios Que por mais altos não (...)
20.Ago.20

Maya

Francisco
A congruência do pensamento leva-nos a acreditar num ser completo, Numa personalidade fabricada, formada e aperfeiçoada que apelidamo-la de Eu Sempre que dela se fala. Mas quem somos nós, por detrás da máscara?   Pondo de parte sonhos e desejos, vivências e experiências, Somos todos igualmente seres de apego. O meu querer é tanto como o de outro qualquer - todos aspiram em conseguir algo. O meu sonho é tão grande como o de outro qualquer - todos sonhamos.   Somos (...)
12.Ago.20

Uma peça magnifica

Francisco
Nasce de uma onda O som do mar e da espuma, Alcançando a areia com os seus passos salgados.   Pelos ares, chega-nos o chilrear das gaivotas, O cântico da liberdade, Para os terrenos que o escutam.   Pouco preocupadas, em lugar onde as águas se encontram mornas e rasas, Saltitam e chapinham as crianças, como assim o são, A cantar aos ventos de grandes feitos que prometem de peito cheio fazer!   Não muito distante, as mães, Sorrindo perante tamanhas aclamações dos (...)
21.Jul.20

Não sei que proveito retenho de encarcerar palavras

Francisco
Não sei que proveito retenho de encarcerar palavras. Logo aquelas que o que deixam escrito é a minha vida. Se é que realmente me vejo a escrever isso mesmo. Não deveria antes viver, para escrever depois? Que escrevo eu sem palavras... Ainda não desvendei. A pensar, coisa que tão atabalhoadamente faço,  não descobri nada. Nenhum propósito, motivo, arbítrio ou caminho. Vagueio como um barco sem remos, sem brisa ou maré - E quão distante se revelam as costas onde só em sonhos (...)