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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

21.Mai.24

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Francisco
Debaixo desta árvore, À sombra d'um sobreiro, Que o tempo demore E o vento passe ligeiro.   Meu trono debaixo da rama, Acima sonho de criança  No peito por dentro a chama --- A raiz do corpo, que não avança.   A ser senhor deste momento Escravizado no meu pensar, Ouço o escravo em seu tormento    Indo em lágrimas se deixar. Como foi que se deixou algemar E ficou a ver o tempo passar...
21.Mai.24

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Francisco
Artista falido Quando a sua arte não o consola. Procuro nas palavras  O que ser e fazer  E perco-me p'lo mundo fora Sem ter saído de mim, primeiro.   Estou para o presente Como as lágrimas de luto... No passado toda a vida Qual nem sequer vivo.   Que identidade é a minha  E onde encontro a cavilha A puxar do fulminante  E arrebentar! Oh, que alegria   Seria eu aos bocados. Fragmentos de carne P'las paredes escorridos Eu em sorrisos!   Ah, ser realmente como sou
21.Mai.24

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Francisco
Meu sangue em aguarela  Exposto para o mundo ver, Minha tez amarela Num corpo já cadáver.    Que obra este feito. Ando na vida alheio  Com tudo da vida no peito  E porque mais não anseio?   Acolhe-me a almofada do meu leito Contando-me histórias para insónias  Tendo como rigoroso preceito  Todas as noites tais cerimónias.   Ao peso do meu corpo Para lá da palavra, É para a ação anticorpo  E nada da vida lavra.   Oh, que não sei outra coisa! Diluí (...)
21.Mai.24

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Francisco
Como sou triste E peço para o ser. Algo em mim persiste E não se quer abster   A deixar o corpo correr Para lá do que se vê dizer.   Como sou triste De caneta em riste Com tanta vontade de viver Como a há de morrer.
12.Mai.24

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Francisco
Ao vento da descida do monte, Que vem outro na subida do monte, Também desço com um pensamento E faço a subida com um outro.   Serei outra gente, Depois da descida, subindo? Ou serei já passageiro  Assim como o vento que passou?
12.Mai.24

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Francisco
Terei vida para além da alma; Só esta por dentro? Só esta que me fala  Ou outra que ouço demente?   E na loucura de saber Que não há conhecimento para tal coisa, Não há rima que a melhore Nem verso que a componha.   Onde estou? Para onde vou se não sei quem sou E abraço o silêncio da vida  Como que vivendo em silêncio.    Ah, oh, noite do meu corpo Oh, ah! Candeeiro da minha alma... Um dorme em estranho pouso Outro fala para o nada.
11.Mai.24

Olhares

Francisco
Ao ideal, ao estalo ressuscitador  Que trás o real através da dor E se deixa p'lo campo estatelado  P'ra voltar de novo a ser pisado.   Quanta firmeza será necessária, Ou terá que ser uma porrada lendária  A fim de se me acordar da alma o corpo E fazer de vez com que o encorpo?   Arre! Que curiosidade há de mim  Cujo corpo abandonei e lhe dei fim E mesmo cadáver lho deixei num canto.   Quanto olhar ainda mais putrefacto Que me deixa um quê estupefacto  Em (...)
11.Mai.24

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Francisco
A penar p'los caminhos do vento Segue minha alma constantemente  Numa panóplia de palavras sem alento Por onde se entretém minha mente.   Àquelas que quero dizer, Emaranhadas, enraizadas fortemente Naquele que me fiz ser, Dificultam-se na vida que tenho à frente   A saírem do pensamento congruente Que pede licença ao tempo Para poder começar a ser gente!   Que peso tão grande é pensar Em coisa nenhuma, neste contratempo  Em agir, vendo tudo passar...