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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

20.Abr.19

Peripécia

Francisco
Tudo acontece no seu tempo Tudo se vai no momento Tudo se perde no ar   Um beijo às escondidas A mais antiga das cantigas O amor é como o mar   Com um abraço carregado Um olhar envergonhado Assim se voa sem voar   O amor não tem regras Apesar de todas as peripécias Para amar basta amar, basta amar   E já de tanta conversa O tempo passou no tempo O momento foi com o vento Findou algo que não chegou a começar   Mas o amor não tem regras Apesar de todas as (...)
30.Mar.19

Fará a poesia um homem

Francisco
Fará a poesia um homem Erguer-se nos dois membros E gritar aos sete ventos Os seus sonhos que nas estrelas dormem?   Choverá tristemente o céu Aquando numa relação o amor termina, Ou associa o homem o breu À sua história, contada através de lágrimas derramadas numa infortuna página?   Correrão todos os rios vindos de imaculadas nascentes Por onde bebem os homens o seu engenho e arte? Se não, onde de imaginação se abastecem estes, navegando pujantes  Das (...)
26.Mar.19

...

Francisco
Falham-me as palavras para aquilo que desejo realmente escrever. Ou que verdadeiramente sinto. Tanto escrevi acerca do que não acontecia, que parece tudo ter realmente deixado de acontecer. Memórias, não tenho. O meu passado são vidas que não vivi, repleto de todas as sensações que não senti. É ele um espaço vazio, vazio esse que sou eu. Deixei de viver... Passo os dias a passar os dias, e as noites a observar quantas estrelas tem o céu. O que surge entre a passagem e a (...)
08.Mar.19

Degraus de mentira

Francisco
Jazem moribundos homens pelas estradas, se não já defuntos; Escorrendo-lhes o sangue encarnado ainda quente das veias pavimentando os passeios. Saindo-lhes pelas gargantas, petróleo negro - alcatroando assim a trilha Onde pés bem calçados se fazem aventureiros.   Caminhando entre florestas de cadáveres - Onde réstias da sua existência apenas em lembranças ou fotografias de outros tempos se encontra, Estendem-se pela vista afora todo o tipo de seres Aprisionados de (...)
03.Mar.19

A noite

Francisco
O quão fascinante o mundo se revela Iluminado por um qualquer lampião de jardim. Os insetos incansavelmente batendo no vidro, Criando à distância um quê místico em redor da luminosidade. O poste negro, camufla-se entre as sombras criadas, Escondendo-se da luz produzida, estagnado ficando no mundo das trevas. Os murmúrios, contudo, não cessam, e a luz tirita, esforçando-se por manter-se acesa. A noite dorme de dia.   Relembra-se dos dias de outrora, Das ruas retilíneas (...)
20.Fev.19

...

Francisco
Na sua mente um limbo surgiu Onde os oceanos estagnaram, As rochas quebraram, E o mundo sucumbiu.   As árvores incendiaram As aves emigraram Os edifícios colapsaram, A vida sumiu.   Nos seus olhos, tudo isso, O retrato do fim do mundo, Emoldurado nas lágrimas Daquele que tudo perdeu... 
17.Fev.19

Sinto-me caminhar ao lado do mundo, e não nele

Francisco
Sinto-me caminhar ao lado do mundo, e não nele. Os rios que correm, vejo-lhes eu o fundo, a sua eterna queda num abismo de nada: Cascatas infindas de desgostos e vidas. Ah, fosse eu sentir as águas!   Os ventos e as árvores desprezam-me Nas suas danças celestes. Toda a vida acolhem e abraçam E eu nos seus tornados ou espinhos me embaraço. Não me quer a terra!   Aos céus praguejo, e os corvos oiço. - Levem-me daqui! Grito eu. E um chilrear negro ecoa, como resposta. Amed (...)
17.Fev.19

Faleci nos teus braços

Francisco
Faleci nos teus braços Assim como quem se afoga no mar. Sucumbindo levemente à vida Até ao instante em que esta me decidiu levar.   Não lutei nem desesperei, mas ali fiquei Caído no teu colo, num abraço (para mim) eterno. Pudesse eu, reencarnado, não sei, Repetir esse abraço, desta vez sentindo-o com afago E não com esta frieza agora dos meus braços.   Fui eu mesmo que me matei. E foi no teu colo onde moribundo me esvaí Com o sangue que te manchou o vestido. O (...)