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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

30.Dez.17

...

Entristeço com(o) o tempo

Como ele o faz.

Cinzento numas horas

Solarento sagaz

 

Com um sorriso ofusca a felicidade,

Com uma lágrima a tristeza

Esconde-se na máscara

Que o sentimento lhe oferecera:

 

- Agora não me tens mais a mim,

Mas a imagem

Os teus sentimentos meus

E tu mera miragem

 

E eu, entristeço com(o) o tempo

Como ele o é

Falso numas horas

Mascarado até

 

Sentimentos perdidos

Vagueando por aí

Eu querendo eles

Eles fugindo de mim

30.Dez.17

...

Queria que fosse diferente,

Mas queria que fosse assim.

Eu perdido na vida

E a vida perdida em mim

 

Sozinho procura-la,

Quiçá encontra-la

Mas não que fosse sozinho

Pois não seria a vida em si

 

Eu perdido no tempo,

O tempo gasto em mim.

A vida sem sentido

E eu sozinho aqui

28.Dez.17

As palavras

Não sei escrever utilizando palavras bonitas, agradáveis ou coerentes. Não sei nem consigo. Não as controlo. Elas aparecem quando assim invocadas, livres de como e quando o fazer, eu só espero. Aguardo a chegada delas, a sua fluência natural e não forçada. 
É na natureza que se encontra a beleza. Na natureza das coisas. E as palavras, mesmo sendo coisas criadas pelos homens, têm sim a sua essência, o seu propósito e o seu encanto. Têm porque são vida como as coisas naturais. São como os lobos que trilham em alcateia, unidos e seguindo a razão (o Alfa). Assim como as palavras menos experientes se recolhem nas mais sábias, e juntas chegam longe porque nenhuma faz a sua palavra a composição em si, mas todas. São como um urso solitário que vive aprendendo e que no inverno hiberna e reflete todo o conhecimento. Assim como as palavras menos conhecidas, com sentidos disformes, desentendidas pelo mundo por se refugiarem em si mesmas. São essas as que batalham por se manterem relevantes, com um propósito maior do que «falar», mas com o de refletir. São como as árvores conversando entre si, oferecendo apoio a outros seres que assim o requerem com os seus ramos e proteção. Assim como as palavras, interligando-se com as presentes, juntando-se criando um propósito, dialogando entre si numa língua só delas e que no final, ao se revelarem pela mão daquele que as ordena, traduzem assim a sua mensagem: 
Somos quem vos conta e quem vos faz contar. Somos livres aprisionadas no papel (assim como vós humanos, aprisionados no vosso próprio corpo – a vossa razão e modo de viver vos aprisionam, assim como a nós). Tentamos ser sábias e mostrando só a verdade, assim como acredito que vós se esforceis por tenta-lo. Lutamos também pelo nosso direito e diversidade linguística, assim como vós os fazes com as diferentes culturas. Somos criação assim como vós sois criados. Com rigor, disciplina e no final um destino.

Somos então um ser. São vós um ser. Somos iguais. Tendo sido a nossa razão de existência a vossa, somos maiores. Somos quem vos espalha, quem vos idolatra nos vossos êxitos. Quem vos escreve e faz escrever, tornando-vos inesquecíveis pelo mundo, mesmo gravando-vos nele. Mas no final tudo perece. Muita da nossa razão, muito do vosso ser. Como se tréguas fossem feitas entre nós. Sem a blasfémia da vossa parte nos utilizando, e sem a nossa arrogância vos menosprezando... No fim tudo perece... Mas nós... Nós somos imortais!

24.Dez.17

Faça-se vida

E nas noites mais escuras, nos dias mais negros, no sol menos quente e na lua gélida. Quando tudo desvanece do seu propósito de contradição e não é mais a luz que prevalece mas sim a escuridão. Quando já não vemos o que está à nossa frente e temos de o imaginar para o sentir, para o viver e para ser nosso.

Não habitamos num mundo luminoso, é mais escuro que as nossas mentes quando perturbadas, pois no mundo não somos só nós mas tudo o que fica nele.

Somos pequenos, seja em tamanho ou em termos de longevidade, e o mundo é grande. O que se vai de nós fica no mundo e o que no mundo fica é o que já se foi de nós. É o passado, é o que nós ignoramos que já passámos e o que ele passou. Porque é que sendo o nosso passado mais pequeno que o passado do mundo é assim esquecido pelos pequenos e lembrado pelo grande?

É o grande que nos dá a vida, porque é que é ele menos importante para os pequenos que sem ele não seriam nem tamanha coisa quanto mais chamados de nomes?

Temos um nome que nos orgulhamos de mostrar, de o fazer ouvir, mas de o usar ainda não chegámos a esse ponto. Usar o nome e não fazer dele um som no esquecido, não fazer dele um motivo de orgulho mas sim uma razão de mostrar o que é ter um nome e um passado por detrás desse.

As nossas histórias são contadas com o passado dos nossos antepassados e serão ainda estudadas no futuro pelos nossos vindouros. O nosso passado é grande se olharmos para o nome e não para a pessoa. Temos um nome, temos uma história e um passado por detrás dela, não o vamos estragar, nem o futuro do mundo que nos deu o passado como nos dará o futuro se assim vivermos o presente:

Vivê-lo cru e sem enfeites à sua volta. Não perturbar mais a vida já não chega para reparar os danos que lhe fizemos sofrer, temos que dar vida e não poupa-la, não queremos sobreviver mas sim viver, assim como o nosso planeta.

Vamos chorar juntos assim como nos rimos dos feitos que fizemos. Vamos lutar juntos, não para nos aniquilarmos em guerras mas para um bem comum que é a vida. Vamos viver pois de vida temos pouca e o passado já lá vai e o futuro está a vir.

Vamos trazer o futuro com vida e não com noites escuras, dias negros, um sol que não consegue mais mostrar o seu brilho nem aquecer as suas terras, e com uma lua tão fria que nos mostra o quão frios fomos e somos nós para o mundo.           

23.Dez.17

A nossa história

Num pensamento profundo ofusca-se o negro sobre uma luz esperançosa, naquela que mostra, que ilumina, que se encontra presente mas não presencia, que não existe por outras palavras. O que não se vê não existe por outras mais.

O que pode existir não o fazendo? Bem, não é a resposta tudo?

               

Vivemos numa época, era, civilização (o que bem entenderem) diferente. Somos, incrivelmente, a mais antiga. Os anos contam-se em ordem crescente, e, não me recordo de haver alguma mais idosa que a presente. Mas não é a idade que nos faz envelhecer, é a sabedoria. Podendo excluir o indivíduo da história, e chamá-la de «História» (porque na verdade posso, sendo eu tão livre nas palavras como de pensamento), somos nós (civilização) que nascemos (já), amadurecemos (entretanto) e envelhecemos (sempre a cada dia).

Somos um sendo todos, e, não há todos sem haver um.

Fomos progredindo, aprendendo, e (no meu caso) falando no plural. No plural porque eu sou antigo. Tenho (vivo) (n)a idade do mundo, estou presente numa antiguidade moderna, o nosso tempo. Sou história, não o faço para ser nem a faço acontecer, ‘simplesmente’ sou.

Somos.

Pisamos hoje o solo de tudo o que foi jovem e conhecemos como velho. Mas somos nós os antigos, os que possuem o conhecimento conhecido, a sabedoria adquirida, e é por isso que envelhecemos, e o mundo connosco. A idade do mundo faz a nossa, e nós envelhecemos o mundo ao viver nele.

Mais velhos agora, somos (nós e o mundo) como anciões nascidos no futuro. O conhecimento escrito ou pintado está presente onde já havia, nascemos com o conhecimento para doutrinar os ‘’vindouros’’ (neste caso brincando com o tempo e mostrar que nós ensinámos quem soube, e aprendemos de quem ainda não o sabe). Como um pai que cria um filho, (sendo nós o pai do mundo), ao ver o filho crescer, viver e perecer.

Como a História não morre, sendo nós ela, nós também não. Criamos os nossos filhos, educamo-los, imortalizamo-los na história, e estes vivem no seu tempo, que agora não mais vivido por estarmos nós no futuro e eles no passado, somos nós os antigos e eles a juventude que não conhecia e que foi aprendendo até ao ponto que houve. Foram envelhecendo tornando-se em nós, e nós, (outrora eles, jovens e sem saber), agora idosos. Quer isso dizer que fomos ensinando o passado a ser «nós» ( - A História: por palavras coerentes neste texto). Temos o papel de fazermo-nos a nós mesmos. Esta partida importante começou no final. Partimos da meta, e vamos vivendo o passado (memórias de um velho).

Estudamos o antigo. Cria-se o moderno. Ao criar envelhecemos, ao realizar o novo é esse o mais antigo. É todo e toda a sabedoria e o conhecimento que foi aprendido e depositado na construção que ficou no ‘’novo’’.

Não querendo quebrar o pensamento e a construção do mesmo até agora, gostaria de explicar primeiro a confusão que estão a ler. A história que hoje conhecemos é a nossa, mas para ser nossa é preciso sermos parte e ter parte nela. É assim (ou foi e será mais profundamente) que baseei-me no que escrevo (porque sim, recorro ao pensamento e não ao estudo ao falar de tanta ‘’barbaridade’’ linguística e histórica como apresento neste texto). Temos a idade do mundo e não é complicado entender tamanha verdade. A nossa história tem a idade do mundo.

               

Começou com tudo. Começámos. Desde o nosso ser primário, da construção do mundo e da história dele. Fomos aprendendo – ensinados. O conhecimento havia para conhecer, a sabedoria existia para ser conhecida, e nós, história, fomos aprendendo com quem nos ensinava. Foi-nos transmitido o pensamento. A alma. E por último, mais limitado, o corpo. O pensamento, a nossa mente, com o conhecimento da vida. A alma, esta deu-nos a vontade de a viver (a vida). O corpo, o mais frágil mas o mais realista, aquele que nos possibilitava viver. Tudo havia.

Os anos passam, a história é escrita - o conhecimento descoberto, a sabedoria apresentada. Com a idade, a mudança, o remoto conhecimento de outrora foi-se perdendo, a sabedoria foi aplicada, a mente aprisionada, a alma esvaecendo-se do corpo apodrecido... E encontramo-nos, não nele, mas muito próximos do princípio.

É isto? Criámos tanto para sermos nós (do futuro para o passado, observámos - «criámos» as formas para a história ser realizada – Brincar de Deus para o bem entender e ofender) e no final... É o inicio que não esperávamos? Queríamos tanto que a história chegasse aqui hoje, fizemos de tudo para tal acontecer, e aqui estamos.

Aqui andamos num mundo, rastejando nele de tanta idade que já nos carrega, perdendo conhecimento ao esvanecer-se a razão de conhecer (sabedoria). Perdemos muito do conhecimento para conhecer pois não há sabedoria (gente a querer saber) suficiente para o tornar relevante. ‘’Para haver conhecimento tem que haver sabedoria, para haver sabedoria, tem que haver o que conhecer’’. Não se cria conhecimento como pensamos, o que existe sempre existiu, à nossa frente está o nosso criador, a história, o resto dela, mais sábia, mas dependente de nós para a fazer relevante e dar uso à sua sabedoria. O resto de nós é a vontade que temos de nos tornamo-nos nós mesmos. Corrermos atrás da nossa pessoa, do nosso ser.

Num pequeno espaço de tempo temos então o ser único – eu – que pensa no futuro para alcançar aquilo que é, temos o futuro (que somos nós contando ao passado) mostrando a direção. As nossas escolhas estão escolhidas, mas como elas não aconteceram pensamos que temos controlo sobre. É a mente que nos engana mas que nos mostra a verdade, é ela que nos mostra os sonhos mas é ela que os vive. Chegou lá, vive lá e é ela. É a vida. O conhecimento dela.

Somos todos então «deuses» do nosso ser? Carregamos a história para a contar aos nossos ‘’filhos’’ do passado? Que somos nós? Porque conseguimos chegar a um ponto, à velocidade que o alcançámos, contando o que sabíamos? Mas que sabemos nós para ensinar que nem sabemos o que estamos a aprender.

Com isto vemos a degradação no tempo, a sua propagação é o seu próprio retrocesso. O conhecimento deste mundo chegará a um ponto que não existe, a sabedoria não terá significado, a vida não terá vontade de viver, e o mundo acabará... Começando de novo.

               

Estamos aqui hoje, alcançando o nosso ser, querendo chegar a nós mesmos, viver as visões, ser a nossa mente que nos mostra já o futuro longínquo que atravessa este mundo e talvez o outro. Somos a mente. Somos o conhecimento, os criadores da vida, da história, os portadores da sabedoria, somos o completo, somos História!

23.Dez.17

A mente (mente)?

Hoje é diferente. Não escrevo para mim, nem para o leitor, nem para nada nem ninguém. Nem muito menos escrevo. Só por serem palavras e por se revelarem pela minha mão não as faz minhas. Hoje, hoje não escrevo... Deixo escrito o que a mente faz e o corpo não quer.

O que não se revela material o quer ser. O que não se revela omnipotente o quer fazer. Quer um ser o outro e nós só um. Ser só um...

A complexidade da mentalidade humana foi evoluindo a um ponto que nem sozinhos estamos quando nessa situação. A mente fala como pessoa, pensa numa vida fazendo do pensamento a vida em si, sonha, e, admitindo que o faz, vive. A mente vive, em nós, entre nós, connosco, e, mais que nós, vive! Vive como se tem de viver, sonha com o que se tem de sonhar, ambiciona com o que se tem de fazer, comunica com quem tem que comunicar.

Eu invejo a mente. Sério que sim. Pode esta viver sem vida, pensar sendo ela mesma (a mente – Criadora do pensamento), sonhar e ser o sonho, pode ser feliz. Mas nós não.

Por ser ela independente, somos nós dependentes dela. Controlamos sim, o que ela deixa controlar. Vivemos, sim... O que o corpo vive e deixa viver. Este é nosso. Oh! Que orgulhosa conquista que nos foi apresentada, um corpo (uma vida) que não se pode usar (que não se pode viver). Pelo menos da forma que queríamos.

Seremos demasiado exigentes e pouco agradecidos para o que já temos? Deveremos então aceitar a limitação que nos foi oferecida? Por ser muita não a faz ser se nossa não for. A mente mostra o que é, o corpo mostra o que vive, e nós?

Há dois querendo um ser o outro, mas temos a mente e o corpo. Onde está o espírito que nos faz viver nos dois? Onde está a alma que usamos para percorrer o caminho (vida – corpo e mente)? Perdida num? Perdida nos dois? Não existe?

Muitas vezes penso que sim. Abstraio-me da vida, (corpo e mente) e com esses dois ignorados a alma assim o é também (o corpo e a mente juntos - o eu) e o que fica são visões. Visões que a mente deixa, acontecimentos que o corpo mostra, vontades que a alma tem. Mas quem sou eu nessa altura? Serei a vida? Serei a vontade de viver? Não serei?

A arte de pensar faz a vontade do ser querer viver o que pensa. A mente é demasiado perigosa para se possuir, o seu pensamento demasiado infiel, a sua vontade demasiado assombrosa... Querer viver sendo a vida em si, querer pensar acordada, dormir vivendo. O sonho não existindo porque a realidade é a vida e o sonho a realidade. Quer a mente ser alma, querer ter vontade de viver e não só ter o conhecimento da vida. Quer a mente ser o corpo e ter a capacidade de viver e não só observá-la. Quer a mente ser tudo.

Queremos nós assim ser tudo. Fazer tudo. Mas nós - eu - temos os três. Somos os três. Temos a mente mostrando a vida. A alma oferecendo a sua vontade de viver. O corpo possibilitanto a habilidade de o fazer. O que nos falta? Porque quer a mente ser os três sendo uma? Porque queremos ser a mente se somos os três? Porque quer o corpo a alma para ter vontade de viver...

Porque é que o mundo é ao contrário? ... Ou seremos nós que o vemos de pernas para o ar?

23.Dez.17

O passado do futuro de ontem

O tempo é algo valioso para ter do nosso lado. Usamos o tempo para pensar. Neste momento as minhas palavras estão a ser escritas ao meu ritmo, à velocidade que as escrevo levando o seu tempo para aparecer no ecrã do meu computador. Cada vez que deixo uma palavra escrita o tempo dela já passou, a seguir a cada palavra que escrevo a que fica para trás já não tem importância.

As palavras que ficam atrás simbolizam o passado, então cada palavra é passado assim que escrevemos/lemos a palavra seguinte. Sendo assim a palavra que está para vir o futuro, e a palavra que está atrás o passado.

Não escrevemos a pensar no presente, não há presente na escrita, ou na vida. O mais aproximado que podemos de chamar de presente são os nossos reflexos, são coisas que fazemos sem pensar neles, então, não pensar nestes os torna no presente porque aconteceram no momento que tiveram de acontecer, se o pensarmos em fazer, o nosso pensamento se torna passado assim como a sua ação.

Então se não vivemos no passado nem no presente vivemos no futuro? Não, para uma resposta curta. Não para uma resposta mais longa. Porque é que a segunda foi mais longa/demorada se foi a mesma? Porque foi escrita/lida depois ( no futuro ) que é passado outra vez.

Não sabemos em que tempo vivemos, nem o que lhe podemos chamar. O que sabemos é que o futuro é o passado, porque o futuro é o que ainda está para vir, e, para passar. Posso assim dizer que o futuro é o passado que ainda está por vir. E com a nossa aflição de viver sempre mais à frente, ficamos sem presente. Vivemos a pensar no futuro que se torna passado e o presente continua ignorado.

23.Dez.17

Liberdade

E agora, longe de tudo menos de mim mesmo, escrevo. Escrevo livre se é assim que estou, aprisionado se é assim que me encontro, sei que escrevo, e que escrevi, e que escreverei. Com ou sem liberdade, com ou sem correntes de volta dos meus pulsos e do meu corpo. No fim sei que na mente sou livre. Liberdade que nem eu tenho tamanho poder de a fechar, onde se encontra tudo a partir do nada. Nasci, aprendi e aprendo.

E agora solto, não de mim mas de tudo o que me pertence, escuto. Oiço o tão dito silêncio que tudo me diz, que tudo procurava ouvir, ao dizer nada mas só o barulho do vento. É um silêncio bom, cheio de reflexões que mais que as minhas as que este trás com tanta vida que não pode ser segura, uma liberdade vivida.

Estou comigo mesmo, sozinho e acompanhado. Sozinho porque sem ninguém, acompanhado pois por tudo. É tudo estar tão perto de nada, com tão pouco se cria o que com tudo não se imagina. É companhia estar sozinho, a melhor se connosco queremos estar.

Procurei durante muito tempo o que não existia, teimava no insucesso, na infelicidade, teimava em ver no escuro o que só a luz podia me mostrar. Hoje não vejo luz, vejo um caminho traçado no chão e é assim que sei para onde ir... Onde este não me leva.

Não quero mais um mundo só meu (o meu destino ''único''), quero viver onde estou, fazer o que faço, poder voar sem ter asas, ter tudo sem o tudo e sem o ter, quero viver!

E agora, longe de tudo menos de mim mesmo... E agora, solto não de mim mas de tudo o que me pertence... E agora?

23.Dez.17

Evolução

Nascemos desprovidos de conhecimento, tão sedentos que não pensamos em conhecer, o nosso cérebro fá-lo por nós. A nossa existência (na minha humilde opinião) é apresentada com a tarefa do conhecer, do estudar, e do pensar. A evolução que ocorreu na espécie homo-sapiens (referindo-me há teoria da evolução) tornando-a hoje pela que conhecemos «Humana» ou «Ser Humano» baseou-se (*na minha humilde opinião*) no propósito da existência da mesma.

A evolução da mente foi inconscientemente (irónico usar as duas palavras juntas) ensinando à nossa espécie como viver, como fabricar (utensílios e afins), sem mais a origem do instinto mas a do pensamento.

Mostrando por ordem, conhecer. Quando é a nossa consciência a tomar as nossas ações (instinto), como nos dizer que temos fome ou sonolência. O corpo (vamos assim dizer uma barbaridade para referi-lo distinguindo-o da mente e chama-lo de ‘vida’) informa que precisa de alimento ou de descanso. É a vida, já diz um ditado (sendo eu novo vou dizer muito antigo). O corpo ‘’ordena’’ a mente, mostrando a necessidade, e esta a oferece há consciência do possuidor da mesma o que precisa de fazer, de se alimentar ou de dormir.

Seguindo a ordem, estudar. Quando a consciência se interliga com o corpo e a mente e o ser possuidor de ambos reflete sobre as suas necessidades. Cria-se padrões nos sentimentos (físicos e psicológicos) e com eles uma consciência ‘’consciente’’ na mente do seu possuidor. Este, estuda-os, começa a não seguir o seu instinto mas a sua consciência. A sedentarização deveu-se a isso mesmo. O ser (humano) previne as suas necessidades ao deixa-las ao seu dispor. Se ele sabe que irá sentir fome dentro de umas horas, então, se este tiver alimento para essa altura ao invés de o ter que perseguir e poder até ficar restrito deste caso a sorte sorria com troça e não a favor, pode assim prevenir acontecimentos pouco satisfatórios. O homem começou por estuda-lo a si mesmo, conhecendo como viver sendo homem, chegando à conclusão do conhecimento. Estudando, o homem saciou a sua necessidade de alimento com a produção e criação deste (gado, plantações, etc) ao seu dispor. Engenhou abrigos mais duradouros para agora se-dentarem-se nos seus terrenos. E vivia.

Sendo ainda assim humanos, não seria inesperada a hora até que este pensasse. Com o que tinham até agora em posse - a compreensão da consciência (fazendo agora parte dela) e o estudo da mente (não sendo ela deste) – veio o pensamento. Sobre a mente não ser deste deixo para mais logo.

Com o pensamento não veio meros sentimentos de sobrevivência, mas o de dúvida. Para aqueles que já pensam que o pensamento é uma coisa ruim, afinal, quem gosta de duvidar? De não conhecer a realidade? Têm estes muita razão, mas não toda.

A dúvida deixou no homem o que mais poderia este ambicionar. Se não foi ontem que este andava com pedras nas mãos a atirar a animais para caçar e que hoje os têm debaixo de olho numa grande pastagem ali à sua disposição? Então, que poderia este mais concretizar?

Bem, não estou a contar a história no passado então não é assim tão confusa a minha resposta, ou a ausência dela.

23.Dez.17

A verdade está noutro lugar

Se há coisa que o homem procura, é a procura em si. Procura procurar e ambiciona em encontrar. Porquê ambicionar e não desvendar de facto? Porque o homem procura a perfeição. É um ciclo de procura em procurar. Se a encontra, talvez sim, mas sempre não. O que é perfeito, ou o que chamamos de perfeito? A perfeição? E de onde vem tal termo? Da opinião do avaliador, ou da Forma do julgado?

Se existe a Forma «Perfeito», então, tudo o que for a Forma bem dita, será perfeito.

- Forma - O que será então o termo universal de um nome implicando a sua forma, o seu aspeto e função. Assim, Forma será o nome universal a que se aplicou a algo (uma mesa é chamada de mesa devido à sua Forma: é o seu termo universal de ser, uma mesa (um objeto com o intuito de servir de apoio) e o termo/nome que se aplica a esse objeto, «mesa»).

A universalidade, (ou a tentativa da sua aplicação), é a criação do ''Uno'', de universal. É assim que todos chamamos de mesa àquele objeto onde usamos para nos servir como suporte. A forma da mesa foi idealizada, fabricada e divulgada para se fazer universalmente a dita mesa, e mais que isso, a Forma.

Virando-me um pouco para a matemática, não para os números em si (que minhas queridas letras, mesmo não conhecendo o vosso uso e as vossas demais combinações nem uma terça parte das existentes só na minha língua, prefiro-vas mil vezes e mais uma que contas numéricas e equações), mas diretamente às formas geométricas. A forma de um quadrado é um quadrilátero regular, (com todos os seus quatro lados iguais), criando a sua Forma neste simples principio. Todo o quadrado é perfeito sendo a sua forma? Sendo imutável e constante? Nas matemáticas não temos então a opinião para influenciar o facto, o que está 'escrito' que é, é, e tem que ser, estritamente o que está apresentado. «Os resultados não enganam» (se não forem feitos por mim) na matemática.

Como fazemos assim para apresentar tanto objeto disforme a sua Forma? Não há então vários tipos de mesas? Porque são todas elas chamadas de mesa? Bem, todas elas partem da Forma «mesa», e, sendo assim, é por todas se aproximarem dessa Forma que são consideradas mesas e não outra coisa qualquer.

Então a perfeição está na Forma e não na sua descendência? Tudo vem da origem do Ser, e tudo o que é, não o é então perfeito por não ser a Forma.

Que diálogos serão estes que ando para aqui a ter agora que nem sentido ainda fizeram quanto mais mostrarem o que quero mostrar. Bem, é ficando perdidos que queria que ficássemos (incluindo-me a mim) para quiçá o desfecho deste texto (se é que ficará como a perfeição e nunca alcançará tal fim).

O que queria introduzir era a ideia da Forma e o que seria então a «Forma». Não sei se com sucesso (ou fracassando miseravelmente) consegui dizer que Forma é mais que a forma do objeto em si, mas também aquilo que representa e o que o faz ser aquilo para que foi feito. Utilizando o exemplo da mesa, ficou explícito o que queria mostrar e como a diferenciar de outras Formas por assim dizer. Como ocorre com os animais? Ou a vida? Será que temos assim, Forma para tais?

Será que para a vida há uma Forma que faz o que provém dela, ser assim, vida? Ou que um cão (exemplo) tenha vindo da Forma «cão» e que tudo o que chamaremos de cão parta desse pressuposto? Mas se há de tantas variadas raças como poderá haver assim a Forma cão (ou de qualquer outro animal)?

É... É aqui que fica estranho, se é que o que ando a escrever pode ser considerado normal.

Para os crentes no cristianismo e em Deus, temos então os seus «filhos» que são os homens, provenientes então assim, Dele. E que Forma terá Deus? Não são os crentes que dizem que Deus não tem forma? E que Deus é perfeito? Então é no mundo espiritual que estão as Formas, e a única forma de viver num mundo perfeito, ou em conjunção com os ideais perfeitos (as Formas), seria, por assim dizer, mortos.

 As Formas vêm então do mundo espiritual e é assim que elas são, a perfeição do idealizado, e tudo o que vem delas são então as suas descendências, nenhuma como Ela, mas suficientemente (dizendo uma barbaridade agora) 'semelhantes' a Ela para terem o seu nome.

O que o homem procura não encontrará enquanto procurará. O que o homem quer encontrar, não o encontrará sendo homem. Nada do que é perfeito habita neste mundo porque é tudo descendência da Forma a que foi destinada, e não a Forma em si. Se Deus (para o cristianismo e as suas crenças) não tem forma, nenhum homem é perfeito sendo seu descendente, (e talvez por isso que se possa redimir dos seus pecados com a palavra do Senhor, compreendendo Este assim entre os enganos assim como a lealdade para com Ele).

Se tudo provém da Forma (que vimos agora ser espiritual) tudo é imperfeito por não Ser em completo. A Forma é a perfeição, a universalização de tudo, o Uno que não pode ser alterável e que será sempre o que foi independentemente se foi hoje, ontem ou daqui a mil anos, (o que não acontece com as descendências menos espirituais das Formas).

Uma outra questão. Conseguem ser as formas geométricas perfeitas? Sendo elas mesmo as Formas? Ou por haver mais que um quadrado faz com que nenhum venha do outro e haverá então ainda outro sendo este a Forma, e os demais as formas deste. Mas assim o que seria a Forma?

                . . .

               

Como pode haver «Conhecimento» se as pessoas não conhecem o que há para conhecer por não verem nem estudarem a Forma mas sim o que provém dela? É tudo ilusão, só no mundo das Formas há o Conhecimento. A verdade está noutro lugar.

 

«Resumo» (Melhor indicado por mais palavras - O meu raciocínio do livro): Platão 'A verdade está noutro lugar'

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