Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

29.Jan.18

O meu mundo

Quando começo é sempre difícil. Apresenta-se assim porque uma folha em branco intimida o mais escuro dos pensamentos (e eu como ainda não comprei uma lamparina nova para esta coisa, anda isto tudo às escuras!).

É como se diz (ou digo eu, sei lá): O que tu foste, és, e serás sempre. Com isto sei que cá dentro, (ainda) se encontram muitas, se não todas as questões que sempre perturbaram-me e que sempre se revelaram a fonte do meu ser.

Eu não mudei. Aliás, é por conhecer (mesmo que pouco) o que o faço de mim, que sei que ainda sou eu e não outra pessoa que aqui está.

Gostava eu de mudar. Quem não? Mas, infeliz ou felizmente, não o fazemos. Se tal ocorresse então não seriamos nós aqui, mas sim uma das centenas (se não milhares) de pessoas que desejávamos ser. A cobiça pela vida do próximo adicionaria uns quantos (muitos) valores a essa centenária de gente.

Quando era mais novo confesso que, com a minha humildade, desejava coisas. Mas de outros? Devem-se perguntar vocês... (Ou não, mas agora sei que pensaram nisso), não.

Não de outros porque o que sempre quis nunca vi ninguém ter. Queria-me a mim! Queria ser eu. Sonhava alto como seria a minha vida. Mas por mais alto que o fizesse, ainda não se inventaram os sonhos reais. (Olha aí novas empresas! Estou pronto para investir nisso!)

As minhas ambições ou incluíam todos ou ninguém. Pois a maior de todas, (que acredito todos o termos feito) era ter um mundo só meu. Se não estivesse só, então que ele me satisfizesse.

E sim, escrevo no passado. Pois como cheguei à conclusão que eu seria sempre a minha pessoa. Por mais que fizesse eu estava sempre presente. Claro que se me comparar hoje há cinco anos atrás (sinceramente nem o conseguiria fazer, não me lembro nem do que comi hoje ao almoço): não «sou o mesmo». E assim porque o que ‘’mudou’’, simplesmente se pode apelidar de adaptação.

Não visionamos o mundo com outros olhos, mas sim fazemo-lo de outra forma. Então assim também é com a nossa maneira de ser. Somos nós, adaptando-nos ao mundo.

E assim cheguei também à conclusão que o mundo ele não mudará. Será e é este onde eu vivo. Mais nenhum, nem com mais ou menos cor! Então o mundo que queria, foi-me oferecido, e, como não estou só nele, parto para o plano B.

Um mundo que me satisfaça. Mas se eu não viver nele, nem na etiqueta, nem na passagem de créditos (aqueles nomes em letras pequeninas) estaria lá eu! Então está na hora.

Está na altura de começar! Enquanto por aqui andar, ainda deixo rasto no chão que piso (por falar nisso tenho que ir ainda lavar o chão), e isso mostra (que tenho o chão todo sujo!) – Não calma.... Foco! – mostra que a minha presença sou eu que a faço. Se parar de caminhar, e os meus feitos, a criação do meu mundo não seguir processo, então que ando cá a fazer?

 

Ah! Lembrei... Almocei febras com esparguete.

28.Jan.18

S.T.O.P

Já me perguntei diversas vezes sobre muitas coisas. Normalmente as respostas são sempre muito lamechas ou divergentes, mas quase sempre negativas.

Não sei mesmo de onde toda esta minha negatividade tem partido. Que fiz eu para ser tão exigente que chego a não ser nada? Pelo receio recuo. Não realizo, pois se o fizer não será bem feito. Sinto que se não acontecer, não deveria forçar o acontecimento. Quando realmente me sinto capaz de fazer algo pela minha pessoa, retraio-me. Imagino a minha ação a não causar um impacto (ou O impacto) que gostaria. Que diferença fará ao mundo a minha presença? Porque farei eu o que faço se no final nem para mim o é?

Por ter fim, o inicio nunca é saudável. Nunca é desejado. Bem... desejado ele até é, mas por se revelar o começo no final encontra-se ele mesmo, o fim.

Como fui (e sou) ignorante todo o tempo, nunca parei realmente para observa-lo. O tempo também está lá. Acompanhou todo o passado, e vê agora o resultado dele - (prevendo já o futuro).  Que razão tem ele então para oferecer? Também ele existe, não para si, mas para os outros. Quando é que o tempo para para dizer: isto fui eu que fiz, gostaram? Ele nem para de todo. Assim como nós. Apesar de não possuirmos a longevidade dele, (para quê sofrer mais também, não é?) somos muito semelhantes.

A nossa vida é como o passado para os vindouros. As nossas ações são o realizado do futuro - (criamos (n)o passado para o futuro possuir a criação) - então de facto realmente não possuímos nada nosso. Do tempo o é, ou com ele fica já que por não se revelar do seu autor ainda temos aquela coisa dos créditos. Muitos feitos conhecidos estão com o tempo, mas mesmo assim conhecemos os seus realizadores. Estudamos até alguns com o maior gosto e satisfação nas escolas (pois não!).

Mas daí há sempre aquela. Farei algo grandioso para lá chegar? Mas por que raios é que quero lá chegar afinal? Talvez sonhos de criança, mas como não se o é sempre, (afinal o tempo lá fica com alguma coisa) também os sonhos cá não ficam eternamente.

Hoje, (porque amanhã já vos poderia estar a mentir) não ambiciono. Mas mesmo em nada. As grandiosidades nunca foram muito a haver com a minha personalidade. Aliás, descrevi lá em cima que nunca me atrevi a fazer algo que 'arriscara' o destino.

Hoje, (porque amanhã já estarei decidido) só me aparento com uma questão. Perguntei a várias pessoas, (pelo menos às mais próximas), se esta minha pequena atrevidez faria sentido. Se faria parte de mim. Nunca fui de me exibir. Não o sou hoje (não, amanhã esta ainda estará correta) e isto de divulgar os meus textos foi algo que, para mim, achei muito ambicioso (ou sede de ambicionar) na altura. Mas, mesmo a modéstia sendo poderosa, ainda refleti nas respostas.

Alguém disse (que não me recordo já do nome), que sim! Escrever é bom, continua que chegarás longe!

Outro afirmou, não te rales com isso. Se achas que não és capaz de fazer deixa-te estar quieto.

Eu continuava, (outrem). Penso que é algo positivo, que te levará a lugares que outrora não conhecias. Não desistas, porque sim, um dia quem sabe também serás tão grande como os grandes!

(Já são muitos para me lembrar dos nomes), mas hoje em dia achas que vais a algum lado a escrever? Ainda se fosse um guião para um filme. Arranja outra coisa para fazer!

(É que são muitos e já estou cansado de os escrever, imaginem se me lembra-se do nome desta gente toda!), escreve, o pouco ou muito é teu. (Ainda poderei convidar este para sair, direto ao ponto! Espero que seja do sexo feminino)

Último (pelo menos assim eu o faço), é assim, eu não tenho grande jeito para isso, também não leio muito é verdade, mas se achas que vale a pena, porque não?

Bem! Já chega... Sim, entre isto continua por aí além até chegar a um veredicto: CHEGA!

Esta gentinha toda cá dentro da minha cabeça dá cabo de mim. Ora não faço com receio, e nunca descubro se valia a pena ter arriscado. Ora agora que decido criar um espaço pessoal numa propriedade tudo menos privada, com todo este brilho nos olhos ao finalmente revelar-se (aos poucos..) os meus feitos, e que no entanto metade dos questionados ainda se revelam ou pouco importados ou reprimindo este meu ato.

Já nem sei! Chega de ouvir esta gente toda! A partir de agora vou me ouvir a mim, (e talvez aquela sexy que falou daquele jeito para mim, que sim.. ainda estou na esperança de ser do sexo feminino).

É tempo de parar! Não que se pare o tempo, ou que pare eu nele. Mas que as palavras continuem honestas, expostas pela minha mão! E se tiver que parar um dia de escrever, espero não estar a vive-lo, porque se o fiz por ter ouvido alguma daquelas vozinhas, então falhei.

26.Jan.18

Coisas da vida

Já fiz muitos erros na vida. Mesmo sendo jovem, a quantidade é imensa. Mesmo sendo menores e até irrelevantes, eles perseguem-me. Claro que, lá vem a história, de uns o fazerem mais que outros. A razão de este ser diferente revela-se não pela falta de cuidado, mas pela ignorância que apresento.

Este, apega-se a mim todos os dias. Quase nunca me solta se acreditar que quando durmo não o cumpro; (olha, se assim não for o caso, nunca me larga, então)... E é triste, porque ainda não o parei de fazer. Provavelmente não vou. Mas não que queira viver num erro ou baseado numa mentira. Faço-o, porque espero aprender alguma coisa. Torno-o todos os dias pessoal, enfrento-o. É um erro que ao invés de ignorar atravesso-me nas suas entranhas e vou até onde ele me levar. Ando a vive-lo então? O meu erro se tornou a minha realidade? Para ser sincero... Até que sim. Não é o que acontece com todas as más escolhas? Podemos remedia-las, sim (algumas), mas nunca será o mesmo.

Agora estou eu aqui a dizer que quero ficar com o meu. Serei ignorante a este ponto? Estúpido por relevar-me assim tão ingénuo? Que nada tem as suas consequências? Ah! Se a vida fosse assim tão simples.

O meu inconveniente então é este que apresento. Estas palavras que aqui se revelam. O maior, pois o faço não o sabendo fazer. E isto perturba-me. Mais ainda quando revelam-se acontecimentos que me fazem pensar para além das palavras. Quando entro realmente no mundo, quando abro os olhos e a minha vista alcança um pouco mais do que a memória. Tudo mudou. A memória é passado, e, apesar de se revelar muito sólida e de apresentar uma função muito importante para o presente, não sabe de nada.

Para quem lê os meus textos (e quem não o faz repara neste) são muito baseados em problemas. Em questões. Em mesmices mesquinhas. Em tudo menos o que interessa para dizê-lo duma vez. Mas de vês em quando também o faço. Saio desde meu mundo, deste meu canto mental e reparo no que realmente interessa.

Aqui (na escrita) apresento dificuldades que levo na vida. A minha guerra com a mente, (inútil, como qualquer guerra), que nunca me leva a lado nenhum (como esperado). Depois a vida apresenta os problemas reais. Vagueio num mundo desconhecido, reparo em tudo sem reconhecer nada familiar. Sinto-me como se fosse atirado para aqui como o lixo que despejamos em casa. Insignificante: ele mesmo - lixo. Despojado para esta realidade tão dura ,mas, assim dizendo, tão real.

As questões que me vão aparecendo só se revelam com a utilidade de me oferecer grandes dores de cabeça, que sim, também são muito frequentes. Mas isso é um problema real, certo? Depois de tanto, já nem sei.

Por vezes acho desrespeitoso esta minha lamuria sem fim. Estas minhas indignações que não são nada. Há muito mais e pior a acontecer, e eu cá em mim... egoísta com o mundo. Querendo uma dor que nem é ele que a dá.

Ah, não estava à espera de tal assunto me vir à cabeça? Pois... Também não estavam quem pereceu de acidente. De quem gravemente foi afetado de alguma doença. De quem perdeu algum familiar. De quem nasceu nas zonas mais pobres do mundo, e que comida e água são considerados milagre e privilégio quanto mais ter abrigo! Também aqueles que se esforçam muito para criar os seus filhos. Todos os que trabalham.... Também eles não estavam à espera que a vida fosse assim.

Escrevo. Sempre o digo que já começo a acreditar que é verdade... Mas nunca soube de quê. Perco-me na mente, escrevo o que vejo cá de dentro. Tento revelar as palavras que melhor se adequam ao sentimento, mas no fim, que sentimento é este que nem o sinto?

Por vezes não nos podemos iludir tanto ao ponto de nos esquecermos do mais importante... Que são as coisas da vida...

25.Jan.18

Mil e uma palavras

Existe um ditado muito famoso, assim: «Uma imagem vale mais que mil palavras» que muitos o dizem por graça, outros filosoficamente, mas (quase) todos o fazem por ignorância. Não me tenham em má conta, sim, sentido faz (muito mais que este título por assim dizer) mas toma-lo por verdade absoluta? Não, isso não o faço tão imprudentemente.

O pressuposto desta ‘mensagem’ leva-nos a refletir nos dois intervenientes apresentados: as palavras, e a bendita imagem. E como não está escrito em nenhuma língua estranha, o sentido é também percetível.

Com uma imagem conseguimos expressar (vou me ligar mais à expressão em ambos os assuntos) um sentimento... Como o hei de apresentar... fidedigno? Assim, porque não apresenta contradições. As cores são aquelas, sem sentidos escondidos (ao contrário das palavras, com a sua imensidade de subliminaridades). A textura/figura, mesmo que impercetível não se altera, é fixa, o sentido é só um (claro que na arte abstrata considero uma exceção, mas assim o é a escrita – abstrata, por isso fora da imutabilidade). Por muito que uma imagem possa ser observada por milhares de pessoas, e todas sentirem diferentes vibrações com ela, as cores serão sempre aquelas, a figura só uma... Sim, torna mais pessoal a obra ao seu realizador. Como referi no inicio, se apresenta diretamente, e, com isso, reflete-se de uma forma mais profunda e delicada do pensamento do seu autor.

Agora com a escrita, é sempre um tiro no escuro. Uma palavra vale muito num certo contexto, uma frase apresenta várias interpretações. É algo muito afastado, mas por assim se revelar, é o mais próximo a todos. Com as palavras escrevemos o que nos vem cá de dentro, mas como nenhuma palavra se revela literalmente cá de dentro, a escrita é muito geral. Os sentimentos das palavras já estão atribuídos, e todos os sentimos, é por isso que muitos se identificam com a vida dos outros. Queriam lá pensar que éramos todos diferentes... A nossa diferença apenas se demonstra através do sentimento que estamos nós a presenciar numa cena, à mesma altura que uma outra pessoa com um sentimento adverso o faz. São diferentes, mas não quer dizer que ambos não possam sentir o mesmo numa outra altura relativamente ao mesmo acontecimento.

Na imagem, este exemplo de sentimento diferente a diferentes alturas é onde realmente se pode observar a mutabilidade que a imagem necessita (e obviamente apresenta; não é com o intuito de a menosprezar que estou a escrever este texto...). É necessário pois implicará novas perspetivas que se possam revelar. Por exemplo, um momento na vida passado que irá de alguma forma apresentar traços naquela imagem mais presentes para o observador do que na primeira vez. A arte da imagem (novamente como forma de expressão), adequa-se ao presente, sendo que o observador nunca acompanha nem o sentimento do autor, nem a sua própria reflexão pois altera-se ao observa-la. É uma arte do momento, é uma arte (por mais que seja aberta) que restringe o seu observador ao que lhe é apresentado. Por exemplo, a impossibilidade de observar por detrás da tela... (algo diferente)

Com as palavras não existe algo físico para demonstrar. Sim, as palavras aqui vagueiam, mas não existe nada escondido «por detrás da tela». Contundo, muito menos existe algo apresentado de facto. É isto o que me fascina mais nas palavras que nas imagens. Uma imagem é única, apesar de todas as formas que a observarmos e de todos os sentidos que lhe embutimos, só existe aquela. Agora, se formos «observar» as palavras, são infinitas imagens!

Posso apresentar o exemplo de | livro – filme | que todos estamos familiarizados. Um filme (por mais fantástico que seja com todas aquelas paisagens) só consegue produzir um cenário para a cena, só demonstra ao expectador uma forma de interpretar aquela imagem. Por outro lado, com os livros, são as palavras que nos indicam a possibilidade de vislumbrar os cenários. São as palavras que nos guiam por entre eles, que nos fazem vive-los da forma como os lemos. Ou seja, se fossemos pedir a alguém para ilustrar o cenário de um livro, seria provavelmente diferente de uma outra pessoa sobre o mesmo.

Então a que conclusão chegamos? Bem, quem vos disse que acabava? Ou que eu teria uma conclusão? Apenas rabisco. As letras lá se revelam (mesmo aquelas que depois de pressionar a tecla duas vezes oferecem resistência). As palavras lá se formam. As frases cá aparecem. As ideias cá transbordam.

Mas pronto. Continuando: A conclusão (se eu posso assim concluir este assunto), é de que uma imagem só vale uma imagem, e as palavras valem as quantas nós conseguirmos revelar. O poder da palavra é enorme, assim como o da mente. É com a nossa mente que a palavra possui tamanho poder. É com ela que criamos os nossos cenários com as palavras. É com ela que mais que na imagem, retiramos o sentimento de algo que não o possui. A imagem sim, possui um sentimento, possui a sua própria melancolia, os seus tons... Mas as letras são só elas. E mesmo assim, é com a mente que esta ‘’geringonça’’ funciona de formas que impressionam a todos.

Penso (que outra coisa não faço) que são duas artes distintas. Apesar das palavras ‘reproduzirem’ artes que não as suas (a criação «visível» de um cenário) não foram estas fabricadas com esse propósito fixo. A imagem, por mais restrita que se apresente, é única, e isso demonstra realmente o real. Ou melhor, demonstra realmente o sentimento real. Podendo, (e fazendo), digo que a arte da imagem é para observarmos a realidade do mundo e dos sentimentos (representada fielmente - a realidade do mundo; E sentimentos representados com sentidos - formas e aspetos).

As palavras, por mais abrangentes que se revelem, nunca serão verdadeiramente de ninguém. Nunca pertencerão realmente a alguém. São só palavras, com os seus sentidos disformes, afastadas da realidade, oferecendo a sua ficção a cada um.

Bem, se uma imagem vale mais que mil palavras... Quantas palavras valerão uma imagem? 

22.Jan.18

Se a minha mente escrevesse...

 

Hoje só me apetece escrever por escrever. Sem assunto nenhum (se alguma vez o houve), sem compromisso algum (se alguma vez o fiz). Só eu. Eu e as palavras.

São criaturas interessantes, as palavras. Fazem-se de quem as apresenta, juntam-se a quem as ouve. São fieis, a quem as utiliza honestamente. São impostoras, a quem delas as manipula. Mas no final as palavras são cruas. Não são elas realmente que carregam os sentimentos, as subliminaridades, os nomes e as mensagens. Somos nós. Nós com elas.

O sentido da palavra muda com o sentido a que a atribuímos. No seu campo de sinónimos possuímos a escolha delas, não se pode utilizar por exemplo um «não» para expressar um «sim», mas sim por exemplo um «negativo» ou «nunca». A crueza da palavra não carrega sentido, somos nós que a ``cozinhamos´´ para a integrar na obra a que a empregamos. E é sobre isso mesmo que me queria basear neste texto, mas como referi em cima que não teria assunto, vou alterar o meu pensamento para o referir na escrita.

É aqui a falha. Pelo menos a que eu sinto. Quando escrevo não sou eu a escrever, são as palavras. São nos sentidos delas a que eu estou limitado para expressar os meus. A mente é muito maior que as palavras para assim o fazer. Maior e mais espontânea. Por mais que escreva como um curso de água a percorrer a sua corrente, a mente é já o oceano inteiro a procurar os céus. Isso não consigo acompanhar, nem sonhando quando nem os sonhos são meus.

Gostava que a minha mente tivesse a sua própria escrita, o seu próprio caderninho com a sua grafia. Gostava que todo o meu pensamento se refletisse nesse livro, todos os sentimentos nele, fieis e atuais. Que todos os meus atos aparecessem nele escritos também, pois a mente só - não existe se não se basear numa vida. Ao invés de escrever no corpo o que dita, coisa tal que dele não se lê, poderia ser num caderno onde tudo ficava. Se fosse assim, escreveria por fim o que realmente «tinha em mente». Pois era nela mesmo que foi realizado e não pelas palavras que não me pertencem por serem de todos.

Dava por mim muitas vezes de noite a levantar-me depois de uma conversa comigo mesmo, e escrever o resultado dela numa folha que tinha por perto. Fazia-o com medo de o perder, aquele pensamento meu, aquela ideia que se a deixa-se partir pertenceria a tudo menos a mim.

Não sei se estarei a ser muito egocêntrico, de querer tudo o que me pertence, mas não poderei ser ninguém que não sou. Quero sim, tudo o que é meu! É meu porque não haveria de o ter. Quero o meu pensamento todo, ambiciono em descreve-lo com tudo. Mas nunca é o meu pensamento se não se revela ele por si mesmo em palavras. Baseio-me nele, quase como uma biografia que realizo. Nunca uma auto-biografia mesmo sendo ele meu. Escrevo afastado dele, descrevo o que vejo e não o que vivo. Opino sobre as nossas conversas mas não venho com os temas delas. Ando perdido na mente, como perdido em vida. Gostava.... Sim... Gostava de ter tudo o que me pertence, tudo a que tenho direito... Ah! Se a minha mente escrevesse...

17.Jan.18

Que vida vivemos se não a nossa ou a que fazemos?

Gostava de o ser... Digo que sou livre nas palavras como de pensamentos mas alguma coisa faço para as revelar, para as fazer. Sim, sou livre na escolha delas, mas não escrevo com a liberdade do pensamento, mas com a das palavras. Essa, liberdade que é restrita por não fazer sentido ser livre - como conhecemos as palavras: só funcionam juntas e com coerência. Então que liberdade é esta? Talvez não haja, e seja tão ou maior ilusão como a nossa liberdade social (como pessoas).

Sempre me diverti com o pensamento, sempre desde que me lembro. Fascina-me as conversas que tenho com ele, um sábio sem sabedoria! É espantoso como e quantos nós somos no nosso interior. Cada um com a sua ideologia, ambição, personalidade... A complexidade do nosso ser – eu – é nada mais que a simplicidade de todos os seres simplificados que se encontram dentro de nós. É com eles que passo muito do meu tempo. Quando me esforço muito, tento restringir o pensamento a ser só um, ficando eu assim acompanhado de um só. Faço-o pelo gozo, pela atrevidez, mas no final digo que é pelo resultado. Digo e é esse o objetivo. Não com o de tornar o complexo em simples, mas sim de utilizar o simples para compreender o complexo.

A complexidade é formada pela simplicidade acrescida, ou pelas suas camadas. A forma de compreende-la é então não começar por questiona-la, mas o de compreender cada uma. A ciência fá-lo todos os dias. Estuda (atualmente com toda a tecnologia possibilitando-a assim) o ser (animado ou não) pela sua mais ligeira composição, e, compreendendo essa, avança até formar então o ser observado. Dessa forma não o questiona, mas compreende-o; fá-lo porque observou a sua criação, a necessidade de todas as camadas para o fazer inteiro... Assim o é também o pensamento e a forma de pensar.

É então, com toda a dificuldade que se reflete nisso, que habito num corpo e vivo numa mente. Digo-o assim porque – viver duas vidas – poderia se tornar mais confuso. Tentado então apontar para a explicação: Tenho a minha vida, a que todos veem. E tenho a minha vida, a que eu crio e trabalho todos os dias (a minha vida mental). Pode se demonstrar estranho, que gosto muito de dizer coisas sem nexo, mas todos o fazemos...

Quem nunca se arrependeu de uma escolha? Se a resposta for positiva então foi isso mesmo que aconteceu: A vida (física) realizou o ato, a vida (mental) reprimiu-o. A vida mental é aquela que vive no seu tempo, seja ele o que ela quiser. É a mais real a nós, mais verdadeira e a que mais vivemos. Porquê? Porque essa nossa vida só nos abandona quando nós a abandonarmos a ela. Com a vida física, essa fica com ela mesmo, a física. Perdida no passado (no tempo físico), diferente de nós todos os dias pois é a vida que não nos acompanha e a que está à nossa frente, atrevia-me a dizer que de modo involuntário/inconsciente.

Não é nem um pouco complicado compreender, é só triste de reconhecermos como é a vida e como nós a vivemos. Uma das razões de eu escrever é por essa mesmo, porque quando escrevo, por mais que as palavras se retenham no passado, foi no presente que conscientemente as escrevi (e que continuo a escrever), é então «a linha que separa» (piada velha já?) a vida física da mental. Ou melhor, a transição visível e voluntária de uma para a outra. Com o pensamento escrevo, com as palavras gravo o meu pensamento. Esse que é meu, pelo menos até agora que ainda o tenho... Ah! Sempre esta dificuldade de nos mantermos atuais, vivemos no passado no tempo do presente, atuais à vida e atrás dela. Nunca somos quem somos, nem quem queremos ser. Somos apenas o que (o que) nos rodeia nos faz, e o pouco que pensamos fazer.

07.Jan.18

Sem título

Títulos, nomes, alcunhas, tudo o que se conhece tem uma denominação; possui uma forma de reconhecimento quando é referido desse jeito. É apelidado para pertencer às coisas às quais nós pertencemos, ao mundo real, ou, ao mundo conhecido. Sobre o mundo real sabemos muito pouco, sabemos que está lá, «que é real», mas o que «está lá» concretamente é desconhecido ainda, e o que é realmente real, é a nossa ignorância sobre ele. Com o mundo conhecido é diferente, diferente porque é único (nos dois sentidos da palavra). Único de ser só um mundo conhecido, e único de ser um para cada individuo.

O mundo conhecido é então o nosso, mas o «nosso» mesmo – o meu (assim dizendo). Nele, é num estilo de mestres que o habitamos. Tudo o que faz parte dele é nosso, o conhecido dele (o que sabemos dele) é esse mundo inteiro! O mundo conhecido é o nosso mundo do conhecimento, ou brincando um pouco, é o nosso arquivo do conhecimento. É nele que vivemos, como se fosse a nossa memória (não que vivamos nela) mas como se fosse a mente (pensamento) se juntando à memória (pensar na memória – Aquela ideia de vivermos no passado umas quantas milésimas de segundo; fazendo assim a criação do nosso mundo, a mente utilizando a memória para viver). Assim, o ser habita num mundo gerado por ele, pela sua mente, e a memória é o que faz o mundo ‘’físico’’, ou habitável, conseguindo gerar então o mundo conhecido (que só o que conhecemos faz parte – a nossa memória).

A existência do mundo real é então a realidade, aquela que não conhecemos por não haver uma, ou por haver demasiadas. Então o mundo real é insignificante? Não! É o mais significativo, acabei de referir que é onde há mais realidades; o mundo real são todos os mundos conhecidos num! E é mesmo neste ponto onde vou abordar este texto, não na realidade ou na ficção, mas de como reflito em ambas.

Sempre que escrevo não emprego um título ou mesmo um tema. Por haver tanto no mundo real fico perdido, e querendo eu viver nele (em todos os mundos conhecidos) preciso, não só de alargar o meu mundo ao ponto de se tornar no real, mas conhecer tudo e todos os que pertencem aos seus mundos conhecidos. É impossível? Só existiu uma altura em que ambos os mundos eram um só, e nessa altura não havia mundo para haver, ou gente para nele viver... Então que quero eu dizer? Que não escrevo a pensar, porque se pensar estou a escrever sobre o meu mundo, e, querendo eu chegar ao real, e não podendo conhecer todos os mundos conhecidos, não vivo, e penso onde nada existe ainda e que poderia ser o real. Tento criar a minha realidade a partir do mundo conhecido que tenho (já que ele faz parte dela, não teria então melhor base que esta para começar). Isto não faço (nem consigo) sozinho, porque se escrever sobre a realidade só conhecendo a minha (o meu mundo conhecido) apenas irei repetir o que já está escrito. Faço-o com todos os que conheço, todos os mundos conhecidos, todas as opiniões, todas as generalizações, as ideologias, crenças, culturas... e de nenhuma faço minha! Quanto mais conseguir criar a minha realidade, mais afastado estarei do meu mundo conhecido. Assim, melhor compreenderei o mundo, porque dele não faço com base no meu, mas com a base que o mundo tem; toda quem sabe um dia, mas por agora, a pequena que já tenho.

 

 

 

01.Jan.18

Simples

Por vezes é nos pequenos momentos que reparamos o quão magnifica a vida pode ser. Umas breves palavras que nos conseguem arrancar um sorriso por um longo tempo. Pequenos atos que se retêm na memória, naquela que nos queremos recordar.

A simplicidade é algo que me fascina... A «complexidade» dela. Quando é nas pequenas coisas que encontramos esta fascinação, admiração até; como não esperávamos vir a ter grande sentimento, temo-lo maior por isso. É esse o segredo do simples. «Simplesmente» o é. Acontece espontaneamente, não é pensado nem trabalhado. É ele mesmo e foi para aquele momento... E é simples assim.