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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

28.Mar.18

Desacatos interiores

Sempre fui muito instável em relação a constatar certezas, principalmente as minhas. A dúvida é algo sempre presente e que me fala muito alto, não conseguindo eu ouvir mais nada.

O que não se vai embora são os pensamentos que não se querem calar, que não aparecem para serem apenas pequenos desejos mas sim grandes realidades. Esses discutem entre si, sempre cheios de determinação para se sobreporem em relação àqueles que não lhes interessa. Nenhum ganha, mas quem perde nisto tudo sou eu.

A indecisão fica comigo, que desejo saciar, que pensamento agradar, tudo. Seria tão mais simples ser apenas um. Pois, mas não é, não é nem eu sou, pois sou tão maleável de espírito como quantas vontades tenho. 

Sempre quis ser eu mesmo, é sério, por mais cliché que soe, não queria ser mais nada. Mas ser eu mesmo é ser muita coisa, e eu não sou muita gente, só tenho muitas dentro de mim. 

Cada pensamento me diz para ser alguém, muitos deles alguém que queria ser. Alguns simplesmente se ignora, pois nem tudo são sonhos que se tem de noite. Se oiço algum perco a confiança de um outro, restringindo assim a minha hipótese de poder ser alguém mais complexo, mais aproximado da minha pessoa, montando apenas um puzzle com peças em falta. Todas as peças fazem parte de mim, completas seria eu ali, mas muitas já perdi, outras esqueci, e daqui a pouco sou só eu aqui, com uma única peça, esperando o fim.

 

20.Mar.18

Noites iluminadas

Penso em escrever, não interessa o quê, todas as noites. E até o faço muito, mas só na minha mente. Quando me chego perto de alguma forma de guardar aquela composição, simplesmente se evapora.

São palavras que surgem, ideias que nascem, músicas que se ouvem e sentimentos que se retraem. Tudo isso escreve por si só, nada faço nem consigo fazer para serem realmente os meus textos. Um plágio mal feito; não lhas caracterizava de outra forma se me perguntassem o que apelidaria às minhas composições. Não lhes consigo representar a sua mestria com as letras, são eles eles mesmos e eu sou apenas quem os tem. Um sentimento escreve-se a si mesmo, eu apenas espreito pelo canto do olho o que lhe ocorre no seu caderno, sempre atento para não o fazer entender que o faço para não o perder. Pois é assim que os sentimentos se vão, quando se pensam neles. Ninguém feliz o é se o disser. A felicidade o abandona por a ter revelado, e agora não há forma de voltar atrás, esse momento se perdeu, e, por mais que se o queira representar novamente não será digno ao ocorrido.

É essa a minha luta interior. Não posso ser nada se o quero realmente ser. Se quero ser feliz não posso me encontrar nesse estado. Se quero amar não o posso estar a fazer. Se quero escrever não devo, porque essa é a forma das palavras me abandonarem, e não serem elas a se apresentarem aqui, pelo menos não da forma que as queria deixar.

A minha escrita é delicada pois as minhas ideias são sentimentos e deles pouco lhes consigo retirar. São tantos e tão variados que até a sua escolha se torna difícil para os apresentar, quando algum se revela mais suscetível, aí não há forma de o descrever. Pairam no céu da minha mente, essa longínqua e livre à sua maneira. São os sentimentos que me fazem escrever, quase instintivamente, como se apoderassem-se de mim e fossem eles a rabiscar aqui, puros, e tão orgulhosos para se mostrarem a outros, isso quando escrevo por palavras e não por sinapses.

Por agora encontram-se todos escondidos, cobrindo as suas folhas de papel para eu não lhes poder copiar, penso que mesmo eles têm dificuldades em conhecer a sua identidade, não podendo ser outra coisa se não aquilo que são.

São tão eles indecisos quanto eu, com medo das luzes, com medo de ser algo mais do que lhes foi atribuído e por isso decidem não ser nada mas cada um apenas mais uma estrela nesta noite iluminada.

17.Mar.18

And now you're gone...

Não me recordo já do dia, pouco faço do momento, mas ainda penso muito em como te conheci.

A necessidade com que o fiz e da forma como o fiz, não houve ninguém na minha vida que apareceu assim. Por isso se deve a minha saudade, mas consideraria mais isso como egoísmo de te querer só para mim.

Mesmo com a nossa grande distância entre um e o outro sentia-te de tão perto. As tuas palavras, por escrito, eram poesia recitada pelo vento nos meus ouvidos, e não borras de tinta numa folha de papel, imóveis, sem sentido ou sentimento perdidas por ali. Todas lia, todas mais de uma vez, e todas eram especiais pois eras tu do outro lado a escrever para mim.

Ensinaste-me tanto que em tão pouco tempo já não me reconhecia ao olhar ao espelho. Eu, sempre com tanto medo de mudanças, fi-lo, e sou eu quem ainda está aqui. A maior das minhas aprendizagens. 

Aprendi que mudar não significa algo negativo, ou perder a essência inicial do previsto ou pressuposto. Mudar é a forma de viver à nossa maneira num mundo que não é nosso. E isso aprendi contigo. 

Tornei-me mais suscetível na compreensão de sentimentos, meus e de outros. Fiquei não só a pensar em mim mas em ti, e sentir algo maior por outrem do que por nós mesmos fez-me pensar muito mais no individuo como ele mesmo, e não como mais um outro ser vivo no ''meu mundo'' que está para ali. Outra grande lição. Não existe meu se não for eu, e tu és e sempre serás tu. É com essas diferenças que somos todos diferentes, e é com as nossas igualdades que se vive num mundo todo igual. A vida é assim, só temos que lhe dar o nosso toque para vivermos na monotonia dela sendo nós quem possui a diversidade contida para a espalhar por aí: contigo seria do meu primeiro abrir até ao meu último fechar de olhos, mas não dá, não estás aqui.

Com mais ninguém me abri assim, realmente nunca conheci ninguém como tu. Dei-te tanto de mim que agora sinto-me incompleto sem ti, pois com mais ninguém me tinha sentido assim...

Procuro noutros o que via em ti, não consigo, não és tu ali. Penso numa nova relação, tão forte, mais próxima até, mas não consigo, não serias tu a escrever para mim. Sinto um tanto de carinho nesta minha dor, pois com mais ninguém fui realmente eu se não contigo e para ti. Sou honesto quando escrevo, quando me exprimo, e isso fi-lo sempre assim. Tu, foste quem me leu e de quem eu esperei tanto ouvir. Partilhei com paixão, humor, dores e amores e tudo isso senti de novo vindo nas tuas palavras, também nos teus tormentos, que eu sempre ouvi.

Fomos um remédio um para o outro, mas o meu frasco ainda tem tanto e eu só queria mesmo dar-to a ti, mas não dá, não estás aqui.

Desde que nos conhecemos sabia que ia ser assim, mas a teimosia às tantas tem a sua certa graça e ouvimo-la a alto e bom som, fazendo continência às suas demandas, de sorriso disfarçado no rosto. Não o perdi, ao pensar em ti a minha primeira memória que salta à vista (literalmente) é o meu sorriso. Depois uma lágrima que escorre nele, mas essa escondo, guardo-a à tua espera para que não acabe apenas assim.

Tanto senti, tanto aprendi, tanto fiz e faria porque te conheci. Mas agora tu te foste; e eu ainda preciso tanto de ti.

 

10.Mar.18

Escrevo mais logo

Sempre fui muito fã de música, das suas mensagens, isso e do quanto me identifico com elas. Isto para quem ainda diz que somos todos diferentes, parece que até sentimos coisas muito semelhantes, huh? Enfim, não é para isto que comecei a escrever.

Muito do sentimento mostrado nas canções é algo que me fica cá dentro, e reflito isso como se fosse algo mais pessoal. Para ser sincero, como se fosse eu a canta-la para quem a fosse ouvir. Não é devido à minha falta de afeto que me revejo nas palavras de outro para fazer as minhas, que até tenho-o muito e pouco penso no mal de alguém (deixo esses pensamentos para mim), mas é à minha fraca compreensão do que é um sentimento profundo, tão grande e doloroso que nos muda cá dentro forçando-nos a mostra-lo contra a nossa vontade. Não sei o que é. Se me aconteceu não se mostrou forte o suficiente, ou talvez não o fiz eu. Culpar sentimentos, até onde irei eu com esta desculpa que até a eles os condeno...

Só fiquei cansado de os ter para ser honesto. Não os compreendo a eles, pouco me dizem a mim, devem querer brincar às escondidas sendo que não são eles que não se conseguem mover devido a alguma força maior. Ataram-me e correram, e eu só fico aqui, ouvindo gritinhos de riso e galhofa entre eles. Poucas vezes recebo visitas deles, mas quando o faço é sempre um pobre desgraçado que sente culpa e vem chorar para o meu colo, já esse coberto de lágrimas. Pouco me ajuda, só me causa ainda mais dor para ser sincero. 

Porque não acabo com isso duma vez? Exprimo os sentimentos que me apoquentam e desamarro-me do que me prende, podendo ser livre, mostrando o que realmente sinto. Isso, não sei. Talvez receio de que outros me visitarão depois de abandonar estes, não que lhes fosse sentir falta, mas antes uns que consiga viver com, do que algum mais macabro que me deite abaixo de vez. Isso e que não sou o único com sentimentos. Por não saber o que quero fecho a porta para não ter que fazer ninguém que entrou sair mais tarde por arrependimento. Ah, eu sei lá. Sei que isso faz parte da vida, mas uma coisa é a minha, outra é a de outro. O peso que carrego não o ofereço a ninguém, isso e deixar alguém com o seu próprio.

Não sei dizer que é amor, não sei se é dor, pois até soam parecidos. No final são duas palavras e pouco deveríamos dedicar àquelas que nos fazem pensar em coisas que não interessam a ninguém. Seja o que for tem que ser algo, só não sei ainda como o dizer.

Como vai ser então? Bem, parece que vou ter que escrever mais logo...

 

 (Acho que encontrei a música para hoje...)

07.Mar.18

Post Poeniteo

No meio de tudo por vezes perdemos o real sentido do que queríamos dizer. Ficamos presos num momento com poucas saídas, e, de cabeça quente, a primeira escapatória é a nossa escolha. Não que deixemos as outras perdidas, mas na altura é mais difícil escolher o bom caminho do que o arenoso que já se encontra debaixo dos nossos pés. 

Arrependimento é uma palavra interessante, mais ainda quando a única pessoa que magoei foi a mim mesmo. Sofro para não o causar aos outros, um pouco egoísta não partilhar a dor, podem pensar, mas quem seria eu se a fizesse causar a outros pelos meus erros? 

Tenho em mim a visão negativa da reação que não queria que acontecesse, e pouco consigo considerar aquela que ambiciono, que me iria fazer feliz. É muitas vezes por isso que não avanço, que não arrisco mudar de rumo e sair do asfalto que sofro ao atravessar. Se fossem pensamentos mais positivos considerava melhor certas escolhas, mas só lhes consigo retirar desgosto e amargura e nada disso quero eu passar a outrem. Que fique em mim a dor, que fique em mim os «e se's», e que o mundo gire sem menos uma pessoa sofrendo, pois eu sofro por dois.

 

 

03.Mar.18

High Hopes

Pensar no passado pode ser sinónimo de arrependimento do presente. Ou não, e fazê-lo apenas para recordar a origem de tudo e conseguir-se observar onde se alcançou. Independentemente, é no passado onde está a vida. É lá onde se encontram as memórias, as razões de sermos quem somos, a inocência, e, também, onde nós mesmo estamos.

A mente não nos emite imagens do futuro, o mais que pode fazer é supô-lo, mas não vive lá. O presente é um dos tempos mais estranhos que se podem debater. O passado é a certeza, é tudo como foi e o é. 

O passado é a vida pois é onde se encontra o desgosto, a amizade, a alegria, os bons e os maus momentos, a nossa presença, tudo! Não se pode censurar alguém que viva a pensar nele, pois ele é a sua vida. O passado é tudo o que queremos ter. Um dia vai acabar e nós sabemos, mas nessa altura o medo não está no que se irá fazer amanhã, está no que se fez ao longo de todo o percurso. Quando se chega ao final e ficamos cientes que nada mais se pode acrescentar, refletimos na nossa vida. Se conseguimos acaba-la com um sorriso ou com uma lágrima de pena no canto do olho. As duas ocorrem, pois no final a tristeza e a alegria ficam vinculadas e ambas terminam os altos e baixos da existência daquele ser, assim como os batimentos cardíacos se observam estagnados nas máquinas hospitalares.

No fim corpo e mente são um só, pois não existe futuro para os alterar. Todo o passado será a vida de quem a realizou, completa, seja qual o término que ocorreu.

Querer viver no passado é querer sermos nós novamente, em todo o nosso esplendor de ser, com toda a magnitude do momento sem pensar no próximo. Batalhamos para nos mantermos originais a nós mesmos, sem as influências do tempo, sem as ocorrências da vida, e só no passado está o tempo conservado, ali, mostrando-nos nós mesmos a viver já sem a consciência de qualquer outro acontecimento se não um único.

É na beleza da conservação onde a nossa vida se manifesta, não no presente, onde não somos ainda ninguém, nem no futuro que não existe ainda, somos quem somos só no passado. É a história que retrata os feitos do mundo, que nos recorda quem foi quem e o que fez e porquê.

 

Pensar no futuro é uma perseverança. Pensar em alcançar o passado é uma grande esperança.