Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

29.Jul.18

Layers

Sentando num banco, próximo do único local que reconhecia luz naquele compartimento, um homem dormitava em seus pensamentos. A única luz que atravessava a pequena janela incidia numa tela, destacando-a de toda a negritude que ao seu redor abundava. 

A tela estava erguida por um velho tripé de madeira, com sinais de muito (ab)uso. A tela, no entanto, não apresentava sinal de ter sido utilizada. Um branco tosco que lhe dava ares amarelados era a única imagem representada. Um vazio ansioso de ser preenchido.

Abre os olhos e é nela que incide o seu olhar pesado. Em mais nada se foca; mais nada realmente lhe é apresentado. Toda a sala lhe demonstra aquele vazio, aquela peça sem encaixe, e tudo ao seu redor mostra-se insignificante, pois nenhum propósito pode atribuir a uma arte inacabada.

Pede forças, num lamentoso suspiro, e levanta-se, aproximando-se de um conjunto de tintas que imediatamente derrama numa paleta que tinha por perto. Aproxima-se da tela, e estagna. O andar, o olhar, o pensamento, tudo... Ouve apenas a sua respiração. Mira concentrado uma tela com vontade de o sugar. Segura firmemente no pincel e passa-o por uma das cores que tinha escolhido da paleta, e aponta para a tela, deixando o braço elevado ao nível central da mesma. Toca-lhe, suavemente, e um ponto negro surgiu. Mesmo sendo tão pequeno e estando posicionado no centro da tela, apoderou-se de toda a atenção daquele tecido, que recebeu aquele toque, aquela cor, de forma tão acolhedora absorvendo a pequena gotícula de tinta.

Rapidamente borrata uma outra tinta na ponta do pincel, e uma inspiração desconhecida tomou controlo do seu corpo, dos seus movimentos, e rabisca com tamanha convicção que se deixa levar naquela energia espontânea.

Não hesita em escolher nenhuma cor que o pincel absorve; pinta afastando-se de tudo o que ele faria, e deixa sim na tela o que realmente sente, sem lhe quebrar o percurso hormonal com ilusões, mentiras ou opressões que apresentam-se numa camada menos extrema do seu interior.

Dali partiu ele, de um insignificante ponto negro desenhado, com todas as cores ali concentradas, desejosas de se exprimir, de sair daquele lugar opressivo.

Dali saíram as cores, fugitivas em forma de espiral do pequeno circulo ali representado. Mais próximas da origem saíram vermelhos sangrentos, castanhos derramados com esse sangue, azuis tão negros quanto as profundezas do oceano. Mas aí as cores começaram a lutar, nadavam nesse profundo azul, e já claras se apresentavam. A superfície desse oceano foi alcançada e azuis tão claros quanto um dia sem nuvens e ensolarado surgiu, brilhante. Os verdes nasceram da energia e vida dos azuis levemente apresentados, e expandiram-se ficando eles claros. Rosas brotaram seguidos de amarelos luminosos quanto o sol, deixando um branco ávido no final da espiral, percorrendo todos os rebordos não preenchidos, abraçando toda aquela energia pitoresca. O homem afasta-se.

Cambaleia para trás e encontra o seu banco batendo-lhe nas pernas, levando-o a sentar-se. A respiração é ofegante, não pelo esforço mas pela imagem que está agora destacada pela luminosa janela. Porquê uma espiral? Refletia. Que liberdade tem algo que conheceu as correntes da limitação? Não podia ser, aquilo não era o que ele sentia, aquilo não era o que ele queria sentir! Rapidamente ergueu-se, segurou numa nova paleta de cores e reforçou a cor que o pincel refletia na sua ponta.

Pintava, agora ferozmente com as pinceladas carregadas, os sentimentos a fluírem em todo o corpo! Uma nova camada de tinta ofereceu àquela tela, afastou-se da ideia de que era prisioneiro das suas ideias, quebrou a fluidez da espiral desenhada e ondas abordou na sua nova expressão. Um movimento imprevisível, sem inicio ou fim conhecido. As cores escuras, mas todas elas carregadas de vivacidade, as ondulações preenchidas de tons agora tornando irreconhecível a espiral anteriormente desenhada. Quando terminada voltou a refletir. Onde é que eu me encontro? De onde começo a sentir ou a caminhar? Que liberdade opressora é esta que não nos mostra o livre, mas sim um vazio maior do que o que sinto!? Nada o agradava, as cores estavam muito escuras devido à sua indignação anterior, a ondulação fazia-o vaguear sem um destino ou propósito entre as cores, entre os seus sentimentos; não atribuindo a nenhum realmente uma razão de existir.

Enervado volta a erguer a paleta, esfrega o pincel em todas as cores e volta a pintar. Com este feito a cor tornou-se em tudo, a negritude aprofundou-se. Vermelhos rosados percorriam de cima para baixo, de uma ponta à outra da tela. Azuis negros rondavam esse encarnado sangrento percorrendo as faixas que sobrepunham-se à onda fluída, e lhe dava traços concretos e convictos. Mais eufórico ainda ficou, depois de apresentar a vida na sua lástima forma de ser (em altos e baixos), atirando com a paleta à tela! Encontra um pequeno recipiente em que guardava as tintas e atira-o também à tela, deixando uma grande borra de tinta verde negro escorrendo. Cai no chão, deita-se e ali fica, rodeado de toda a escuridão que apenas apresentava os contornos dos objetos ao redor da sala. E se nunca conseguir? Lamenta-se.

Levantando-se, depois de uma longa reflexão, e encara a sua negra sala. Vagarosamente percorria-a, tocando nas outras telas que tinha trabalhado, nos poeirentos moveis que as sustinham, nas toalhas que as cobriam.

Abre as cortinas, e uma a uma as janelas deixam os raios de sol entrar, desvendando-se aquele local que ninguém diria que conseguia receber tanta luz ao o ter visto no seu melódico negro.

A sala é espaçosa, e agora iluminada revela o grande aglomerado de trabalhos anteriores, uns cobertos por lençóis, outros quebrados pelo chão. Poucos eram aqueles que estavam descobertos, decorando as paredes tijoleiras da divisão. Esses que fizeram o individuo resmungar assim que se apercebeu deles. Todos eles tinham camadas espessas de tinta, cores sobre outras, camadas e camadas de sentimentos expostos numa só tela, em que o resultado final apresentava sempre a confusão esperada de uma prática como essa. Assim ficou também a sua recente obra, depois de desistir de olhar para ela.

Foi descobrindo as telas tapadas e vislumbrou rostos pintados. Apresentavam ausência de cores se não aquelas que a feição o inquiria. Um tapava a face com ambas as mãos, apresentava cores cinzentas e negras e quase que se ouvia o grito perturbante que emitia. Outra simplesmente mirava-o de volta. Um rosto pálido, sem sinais de vida, mas com um olhar tão profundo que fazia ofuscar todas as restantes representações da cara desenhadas naquela tela, deixando um olhar num vazio, transparecendo apenas um sentimento de estar-se a ser julgado ao se olhar para ele. Essa mesma apresentava um sorriso, tão falso que teve mesmo que o cortar da tela, pois nem a representação da sua falsidade era suficiente para o individuo, então um buraco encontrava-se no lugar dos lábios dessa obra.

De todas uma única estava genuinamente representada com o sentimento de felicidade. A face estava tão bem detalhada que quase se via ao espelho, se não fosse o sentimento que nunca se lembrou de ter. Ao olhar para ela sentia-se tudo, menos feliz. Quase que como magia, aprisionara a felicidade naquela tela, e ali a deixava reinar, num local onde nunca desvanecia; ao menos ela era feliz.

Caminhando ao redor da sala, foi percorrendo entre os destroços das suas outras obras, reparando-lhes nas cores e imagens incompletas que percorriam aquele chão, tão borrado quanto todas as telas ali expostas. Foi pegando nalgumas, e, mesmo sem se completarem juntou-as no chão, como se a um puzzle se tratasse se este fosse montado contraditoriamente à regra geral de os completar. Ali ficou horas, já o sol via-se com dificuldades em iluminar a divisão.

Juntou todas as telas que tinha, deixando a mais recente ainda na mesma posição. As telas com cores mais negras foi expondo juntamente com as que tinham cores mais claras, mostrando uma junção estranha de cores. Os retratos estavam dispostos ao redor das cores, mentindo sensações, apresentado origens negras e sorrindo, com abordagens felizes e gritando de agonia. Só faltou um. O quadro recente ali estava, a sua ultima tentativa da compreensão dos seus sentimentos. Esse não hesitou em queima-lo. E um furor de tintas acompanhou as chamas, até não restar nada mais que uma pilha de cinzas que chamuscava ainda. Essas recolheu-as e atiro-as para cima das peças de tela no chão, deixando no ar um misto de pó e cinzas e nas telas a substância que agora as percorria, tão minúscula, mas em todas as cinzas da compreensão abundava, entranhando-se no tecido frágil com o calor ainda possante que tinham.

Era de noite e nenhuma lua o visitou, deixando na sala agora num breu. Olhou em redor, nessa escuridão, e encontrava-se em todo o lado. Para onde se virava estava ele. Sentia-se dentro de um espelho tão profundo que o reflexo não seria a sua representação falsa, mas ele outra vez ali, diante de si mesmo! 

Ali aos pecados se encontrava naquele chão, figuras incompreendidas se à luz estivessem, mas não naquele momento, naquele momento não existiam, mas estavam lá, ele sabia que estavam lá. Os sentimentos sentia-os todos, mas não via nenhum. Não compreendia porque os sentia, mas todos eles rondaram o seu ser. Deixou-se cair levemente num sono profundo que o percorria, e ali passou a noite.

Quando acordou a sala estava a receber os primeiros raios solares. Rapidamente se levantou e mirou o chão. Continuava ali tudo, sonhou que sentiu aquilo tudo! Não, como seria um sonho se ali estava ele? Teria ele criado a sua obra? Teria ele expressado todo o seu ser? No final descobriu a resposta. Sorriu, em tom de desafio, e abriu um tripé novo que tinha guardado na sala das arrumações, deixando-o agora no mesmo local que estava o anterior. Fechou as cortinas, menos uma. O sol rompeu pela janela, e novamente uma tela estava destacada, num branco tosco que lhe dava ares amarelados. O individuo ergueu o banco que estava no chão, pô-lo perto da janela, sentou-se satisfeito e fechou os olhos...

26.Jul.18

Com que olhos o mundo vê?

(O meu olhar)

 

O sossego existe. Todo ele aprecia a harmonia entre o vento e as árvores, esvoaçando um - balançado o outro. 

Eu também existo, e sinto essas duas forças da natureza comigo, neste momento.

O vento sopra, suspira entre as árvores, esguio, receoso de ser descoberto. As árvores escutam-no, retraem a informação que ele lhes oferece, umas vezes mais, outras menos agitadas.

Algo me dizem, ou sobre mim discutem. Sinto-o. Um olhar em mim está presente, mesmo estando eu só.

Que dirão eles? Reparo que se contrariam algumas vezes, soprando o vento forte, remexendo-se os ramos das árvores ferozes, quase como uma batalha que travam. Depois reconciliam-se, o vento afaga a pobre coitada, esta cuida da sua cobertura.

Mas e eu que os julgo, que estou eu a fazer? Quem me diz que lutam se não os vejo isso fazer. Porque os julgo eu sem os conhecer? Quem me diz a mim que a julgar-me estão eles a fazer? Eu.

Não consigo deixar de os ver, de lhes atribuir as características que o meu olhar lhes atribui. E isso veem eles em mim, o meu olhar julgador da sua liberdade, da sua simplicidade de vida, da minha inveja.

Retraem-se da minha presença, não se sentem tão libertos quando julgados. Não os censuro, quem realmente o faz? Mas não me ignoram, sinto-me mais solto a cada brisa, mais leve a cada balanço dos ramos das árvores... Eu só lhes olho, eles tudo me ouvem, tudo o que digo cá dentro eles ouvem. Não me julgam. Não o sabem fazer. Não lhes pertence esse juízo tão característico do ser humano, mas sim tentam me compreender, qual instinto natural que têm para se adaptar às situações a que estão adversos. 

Limpam-me lágrimas que não derramei, forçam-me sorrisos que não demonstrei, fazem-me pensar em coisas que nunca pensei.

E para tudo isso não precisei de abrir a boca; um olho bastou...

 

 

 

(Imagem da minha autoria)

 

24.Jul.18

O céu é um lugar frio

Sempre me questionei com o equilíbrio natural das coisas. Com a forma como se adaptam para se tornarem novamente no que foram, ou numa outra qualquer versão que faça juízo à sua essência. E o espiritual vem-me sempre à mente, também. Pois esse é utópico, inalcançável, e as questões são sempre maiores para aquilo que não compreendemos ou vemos acontecer.

É grandiosa a visão extremista do ser humano, da sua mentalidade. Acredito que seja mais ainda o pensamento dessa situação, quando estamos impossibilitados de a vislumbrar em pleno. É o nosso comportamento incompleto mexendo-nos no interior, quebrando o sistema e oferecendo-nos a perfeição, a plenitude existencial, e completando o movimento; levando o corpo a um certo ponto, continuando a mente até ao infinito.

Questionamos o comportamento humano, e como ele é desequilibrado. Mas tal desequilíbrio não nos pode abandonar, ou seríamos incompletos, sem propósito. «Há muita maldade no mundo» | «Há muita bondade no mundo»

Haveria algum sem o outro? Existiria bondade se o maléfico não existisse?

Não há muito tempo li num livro um pequeno devaneio do personagem que narrava a história, dizia ele que, questionando a vida pós-morte, o céu seria um lugar frio, pois sendo o lugar inverso do inferno, não poderia apresentar as mesmas características. E fiquei a pensar muito em relação ao assunto. O pensamento tornou-se num azul pouco focado se lhe tivesse que atribuir uma cor, e a visão que teria dela.

Talvez fosse por pensar em frio que atribuísse a cor azul, ou por ser do céu a que se estava a referir o personagem, ou mesmo da cor em si, o azul, aquela cor que nos remete para a passividade, a harmonia. Depois juntei todos os significados, e foi assim que ficou a tinta pouco esclarecedora, perdendo muito do seu brilho, sendo um azul fosco, mesmo todo ele preenchendo a tela do meu pensamento. 

São quem não praticou o pecado em vida que entra nos portões do céu, na morte. Um local merecedor a uma alma bondosa. Mas até que ponto seria assim? Que bondade existe num local onde não habita o maldoso? Oh, mas ele existe, e nunca nos abandonou.

Se numa visão, hipotética, a bondade (no céu) reinasse como está escrita, sendo um local de sossego e descanso eterno, que vida haveria realmente depois da morte? Que vivência existiria se não a mera sobrevivência das necessidades humanas? Um mundo que não girasse, a eterna plenitude do nada. A morte é sempre um fim, e neste caso seria aquele que conhecemos...

Se numa outra perspetiva, também ela hipotética, a bondade é apenas parte do nosso ser, que a bem dizer é como realmente se encontra? Seria o céu um outro mundo, uma outra oportunidade? Teríamos vivido com princípios bondosos, e assim enraizado uma passividade em relação aos demais, mas as várias questões continuam no nosso interior, as dúvidas, o mal lá guardado. Estaríamos na plenitude do nosso entendimento, pois a vida estava concluída, e que nos trás a morte se não uma infinidade de possibilidades? Que punição teria realmente um ser cuja vida já não lhe pertence, e todas as suas questões e preocupações fossem a vontade deste para desvendar ao longo da sua eternidade?

Seríamos outro ser ao partir para o céu? Se seríamos nós, plenos, seria tudo o que constitui o nosso ser, plenamente, habitando em tal local. Quem pratica a bondade reconhece o erro, conhece a maldade, a crueldade, a frieza humana, pois é disso tudo que se está a afastar, mas tudo isso faz parte dele também. O médico cura o seu paciente pois está ciente do ferimento. E a visão do seu paciente estará presente em si, no estado a que foi apresentado e no que recuperou. O famoso ditado de que o mal vence sempre, é correto. 

Não existe bondade plena, pois sem nada para corrigir, não existe ninguém a praticar o correto. O céu seria um lugar muito distante em termos de relações e as pessoas deambulariam no eterno sem propósito.

Porque é que a maldade venceria esta luta? Pois essa não precisa do outro para existir ,e, mesmo apesar de se auto-destruir, um novo ciclo de caos avançaria novamente.

O mundo é este lugar maravilhoso, que apesar de equilibrado pela natureza é perturbado pelo ser humano, o que o torna um mundo perverso. Nascemos em pura maldade, como teste à nossa resiliência, e somos atirados às responsabilidades de tornar este um lugar melhor. Há quem a consuma (a maldade), e há quem se deixe consumir. Mas em nenhuma das hipóteses o homem realmente vence, pois é o ciclo da vida de que estamos a falar, e no dia em que o fizer, não haverá propósito de prosseguir com a vida, ou um novo ciclo se iniciaria, retomando o ser humano à procura da bondade.

É me mais próxima a visão da mitologia nórdica, em relação ao ciclo da vida, do fim levando ao inicio, de morrer para outra coisa nascer. Ragnarok é um acontecimento onde o mal reinará no mundo, onde será combatido pela sanidade e esta falhará. É também o fim de um ciclo onde a maldade reinou, originando um novo mundo para se habitar novamente.

 

O céu seria um fim, uma eternidade sôfrega e sem propósito, um local de profunda melancolia existencial...

 

 

 

20.Jul.18

The future is today!

Im here,
And you're not.
And life is always this waiting game, ti'l we reach the grave...


Some panic,
Some try to pray
Some cry over it
Some climb over anything


But life ends, one day for us all.
And its the living who are fighting,

while is the dead who are on the ground.

For those it ended, and there is no turning back,
For us, breathing gets harder and we only see the hole that will be our eternity.


Why waiting for it, if it is it waiting for us.
One day we slip, one day we fall, one day we sleep for the rest of it,
But that day is not now.
Today we should breath, today we should live, today we should talk,
But if this aint the day, then tomorrow, for sure.
A poor's man last hopes, avoiding one more day his deep hole.

 

We wait for it to never end,

But one day we just stop doing it.

One day it arrives, and we never know how to greet it


But life knows, life knows it well
It closes our eyes, it stops us from tell.
It closes our mind, it stops our thinking,
Land keeps the routing flesh, but preserves the bones, the twisted...


We're nothing but some ashes, a mind and some thoughts,
In the end nothing keep us, in the end nothing is ours.


Ashes fly free, where it always wanted to be,
Our mind rests, as time was torturing it
And our thoughts more than a thought were
Then but a memory we once had,
Memory lost in time for all, that we once shared


We wait for the day we are not here,
We think ahead of ourselves.
One day it really ends
And we were nothing more than a thought that people once had.


The future brings immortality to those who made great things,
Being those good or bad, time doesn't care.
History just really likes big names, as so we do as well


But in the end we are forgotten,
And just a few will know our name
Even us forget it, who can we blame?
But all this to say
That one day it does end,
But lets not think that day today
Because today im still part great


Till i remember my name i will shout it,
Till i remember to write i will non-stop it
Let it be this day, that the future is today!

12.Jul.18

Ocultando a verdade, ou fugindo da mentira?

O homem. Uma caixinha de surpresas se este o fosse, mas é um ser - um ser misterioso. 

Ainda hoje desconhecemos muito dos nossos feitos. E, ao contrário de se fossemos uma caixa com segredos, que apesar dos seus truques e manhas sempre teriam um fim ou uma compreensão final, para o ser humano isso não existe. Não quando este não quer ou não deixou claramente explícito.

Li num livro uma frase que originou esta minha composição, dizia; um homem que escreve o seu pensamento não poderá contraria-lo futuramente - (frase adaptada por mim). Faz sentido. Aliás, faz muito sentido. 

Um homem que escreve sobre algo, está destinado a ser julgado em base desse escrito, e, quando este se contraria, há sempre uma prova a se recorrer. Ou seja, está prisioneiro das suas ideias.

Um homem que não afirma os seus pensamentos (os escreve), está ilibado de qualquer responsabilidade. Poderá se adaptar às situações sem receio, e chegará até mais longe, pois mentindo e contando a verdade é vário o leque de possibilidades. 

É uma forma também de evitar o erro, ora reflitam. Quantos pergaminhos/manuscritos não foram gozados e motivos de galhofa por serem tão absurdos ou incoerentes com a realidade? Os tempos mudam mas as ideias não mudam no tempo. Ao escrever, não só nos aprisionamos a essa linha de pensamento, como prendemos a realidade àquela ideologia, daí ''os tempos mudam, as ideias não''.

Claro que poderemos ter novas ideias, mas as que temos, e, mais que isso, as que apontamos, essas ficaram no tempo. Um pensamento nunca é prisioneiro, e isso faz dele o melhor juiz para julgar/estudar o tempo. Mas o pensamento também não é eterno, ao contrário da escrita... E um dilema é engraçado, é sempre engraçado. Nunca tem é muita graça (mas não lhe retiremos o mérito).

O que pudemos então retirar deste pequeno desaveio de ideias é que o estudo só é rigoroso se for realizado na altura. Muito se predita, muito se procura, mas no final, ou estudamos baseados num erro, ou fazemos nós um erro ao apontarmos o conhecimento adquirido.

Será que os verdadeiros sábios não serão aqueles que não apontaram o seu conhecimento? Que ao longo da sua vida encontraram-se em mutação ideológica e que estavam sempre com o seu pensamento à frente do tempo estagno, paralisado pelo papel? Pelo conhecimento vincado? Pois um ser com tanta sabedoria pode não a conseguir exprimir, ou controla-la fase às advertências da evolução. Seria menos sábio do que alguém que paralisou o tempo, para analisar o conhecimento «conhecido»?

Mas depois de que lhes valeu? Pensaram no futuro? Na sua finita vida? Seriam assim tão egoístas para não partilharem a sua sabedoria com os vindouros? Ou assim tão atenciosos para não afirmarem certezas que não as tinham?

Muitos conhecimentos estão perdidos devido a essa prática, mas um longo processo de tentativa erro foi também encurtado devido à facilitada triagem da informação (devido a ser menor).

Mas não chegaríamos mais longe ao aprofundar um pensamento mais amplo, com origens diferentes, ao invés dos que formaram o nosso mundo de hoje? Talvez sim, a figura de um pensador ambulante é muito romântica para os fazer excluir deste movimento da nossa evolução.

Um dia talvez se volte a descobrir o fogo grego, mas que neste presente, esse fogo que seja nas nossas mentes, e quem saiba não tenhamos também algo que valha uma ou duas folhas de papel de escrita.

12.Jul.18

Agarrem-me palavras, para eu poder fugir

Porquê, palavras. Porque não se agarram a mim?

Porque me abandonam e deixam cá um motim?

Foi algo que fiz, vos ofendi?

Peço desculpa...

Mas nem isso consigo pedir, sem vocês por aqui.

 

Preciso de vós, só mais uma vez...

Uma única e deixo-vos a sós.

E que sejam o que quiserem depois,

Mas que sejam isto agora,

E para sempre se moldem.

 

Só vos utilizo em indelicadas poesias,

Em melódicas prosas,

E vós teimando em ser mais!

Mas porque tanto a mim me pedem

Eu, que vos uso em pobres textos,

Que vos tiro o épico do poema.

Que escrevo o meu ser,

O qual a que vos deixo descrever.

 

Escrevam palavras bonitas, ora bolas!

Que mintam, que aparentem mais que o que sejam!

Que escrevam como eu, livres do que vos prende,

Livres de mim!

Livres de vocês e da vossa verdade!

 

Escrevam, façam-no e não parem.

Que não sejam minhas, mas que o façam por mim.

Deixem-me usar-vos, mas não se deixem ser usadas!

Venham quando vos chamo, e escrevam o que vos apoquenta.

 

Que não me deixem só,

Que a dor se partilhe entre cada verso, e prometo

Prometo que vos deixo,

Mas que não me abandonem vocês a mim.

06.Jul.18

Bebo para lembrar

Bebo para me lembrar. Não do que esqueci, mas do que estou para conhecer. 

É a minha mente que embriagada se encontra. Perdida de si mesma, deambulando por terras desconhecidas. Tropeça no seu torto trajeto, sem forças ou ideias para seguir direita. Muitas vezes para, admirando a paisagem que fabrica; que repulsa ganho, pois está ela adormecida!

Perde-se, e sou eu que a tenho que procurar. Que criança ingénua que está cá a habitar. Corre desvairada e deixa-me para trás. Mais perdido que ela fico, pois são dois caminhos agora que percorro; atrás dela, atrás de mim mesmo.

Fico sempre aliviado de a encontrar, resmunga e esperneia ela por ser encontrada qual jogo das escondidas que acabou por perder. Porque tanto quer andar ela por aí, sem segurança ou sentido, se em mim habita e vive, e sem mim nada mais é que eu sem ela.

Quando a consigo acompanhar mostra-se passiva. Um ser de agradável companhia. Nessa altura sou eu que brinco com ela, apresento-lhe pensamentos, cria ela cenários inteiros. Ah mas que bela que consegue se mostrar. Também traiçoeira, pois depois do brilho que me vem aos olhos, vem a lágrima do real, lágrima que não habita nesse mundo, lágrima que a mente absorve, lágrima que a mente escreve... O cenário que ela cria.

Foge novamente ela, com raiva de mim por não lhe apresentar pensamentos bonitos, por não ser capaz de viver dos seus maravilhosos cenários. Mais triste fico, mais se afasta ela. Ainda à distância observo um arco íris imenso, grandes planaltos verdejantes, o som do vento entre as árvores. Tudo observo do meu cubículo negro, onde não quer ela habitar. 

 

Bebo para me lembrar. Lembrar-me que estou vivo e que o que bebo é real...

 

01.Jul.18

Um piano abandonado

Era madrugada. Estava já a nascer o sol assim como toda uma sinfonia deliberada pelas aves. Despertam cantando, ansiosas por mais um dia nos seus céus azuis. Ao contrário do individuo do segundo andar, no seu lastimoso lar. 

Levanta-se, semi-serrando os olhos ao deparar-se com a luz atravessando-lhe as poeirentas persianas, e senta-se na cama, esfregando o seu cabelo selvagem com brusquidão, olhando em volta, num lamentoso suspiro. O seu apartamento era, para além de antigo, muito modesto quanto à mobília. O seu quarto estava provido de uma cama de casal, uma mesa de cabeceira, com um velho trapo cobrindo a sua superfície, essa onde colocava o seu bloco de notas, um pequeno banco virado para a varanda e um grande armário já tão antiquado quanto toda a instalação elétrica do edifício. A porta de madeira que estava fechada ligava o quarto à casa de banho. Um pequeno cubículo revestido em pedra mármore branca, já amarelada com o pouco cuidado na sua limpeza, em que de todo o essencial provinha também de um espelho, esse sem a sua maior utilidade devido a uma grande rachadura que traçava linhas furiosas e inconstantes ao longo da sua moldura.

Segue na direção da porta entre-aberta, que liga o quarto à sala e cozinha do pequeno apartamento. Apesar do escuro cinza que percorre as paredes, vê-se bastante iluminada com as duas janelas, agora abertas as cortinas, toda aquela habitação. O único destaque era num grande lençol, acinzentado devido ao pó, que cobria um velho piano. Encontrava-se no canto da sua sala, refundido entre prateleiras e estantes com velhos livros e pautas, estas semelhando-se a manuscritos antepassados.

Prepara água para ferver, na sua tosca chaleira, e senta-se recostado num sofá de pele já gasto pelo uso. Respira aquele momento, o chilrear constante dos pássaros lá fora, o assobio leve e agudo que a chaleira transmite, e todo aquele ambiente cinzento. O som agudo da chaleira torna-se ensurdecedor. Levanta-se, com uma passividade surreal, e retira-a do lume, vertendo-a numa chávena preparando o seu chá.

Veste-se vagarosamente, calça-se e prepara-se para sair.

Descendo as escadas, retirando um cigarro à saída do edifício, vê-se sem o seu bloco de notas. Volta a subir, correndo para o ir buscar quando uma senhora já idosa que limpava a sua entrada no primeiro andar, reprime-o:

- Vá devagar, homem! Há lá coisa nesta espelunca que valha a pena correr.

- Alguma coisa há de valer, já que você a limpa - diz com o cigarro premido pelos dentes, que demonstravam um curto sorriso. A senhora retribui-o, e com uma gargalhada calorosa responde:

- Há de preservar a velhice, que novidades já não espero nenhumas, filho. O individuo procura nos bolsos do seu casaco negro, e encontra um rebuçado de café.

- Tome - diz à senhora - Diga-me que estava à espera desta - remata brincando com a idosa.

- Hehehe, dos que eu gosto! Obrigado rapaz - Diz ela, genuinamente agradecida.

Volta a correr, chegando ao seu apartamento e recuperando o seu caderno.

Encontra-se agora na rua. Apesar de o céu se mostrar limpo o vento sopra vigorosamente, agitando os pequenos arbustos que se encontram entre todas aquelas melancólicas torres de pedra escura, imóveis e pacatas. Caminha no passeio, percorrendo os dois quilómetros que sempre faz até ao seu café predileto, e distrai-se com o trânsito e com os outros pedestres com que se cruza.

Senta-se, sempre no mesmo lugar se este se mostra disponível, e requisita sempre o mesmo pedido, quando o faz. Há dias em que simplesmente se alimenta da sua inspiração para rabiscar no seu bloco, e ninguém se atreve a interrompe-lo para fazer o seu pedido, observando com tamanha admiração a paixão com que o lápis risca, com que o papel recebe aquela energia. Hoje era um desses dias.

- O que vai desejar? - Pergunta uma jovem empregada, não recebendo nem sequer uma troca de olhares. - Senhor? - Tenta novamente, sem sucesso. Alguém a puxa por um braço, delicadamente incentivando-a segui-la. É então apresentada aquela personagem à nova empregada, que nada conhecia acerca das pessoas daquela rua, especialmente aquela figura que vira pela primeira vez, vestida de negro, com a cara coberta de um fumo misterioso que o rondava, e aquele lápis, tão rígido, tão implacável rabiscando naquela inocente folha que não sabia como receber tamanha plenitude emocional.

Deparou-se a olha-lo mais do que fazia o seu trabalho, sentindo aquela figura misteriosa atraindo-a. Encontra-o a pousar o lápis, a olhar para os cimos dos prédios, recostado na sua cadeira levando outro cigarro à boca. Aproveitou para intervir o homem que tanto admirava.

- Vai querer algo? - Perguntou, com um sorriso caloroso que não fazia a qualquer pessoa, mais ainda a um estranho. Não se deve ter apercebido dele, pois estava tão hipnotizada pelo olhar que agora se encontrava no seu, que até mesmo se esqueceu de recomendar a especialidade do estabelecimento que tanto lhe tinham elucidado quando começou a trabalhar.

- Um dia não hei de querer nada. Talvez nesse dia tenha tudo, talvez não precise realmente de algo... - Filosofou.

- E para comer? - Brincou a jovem, corando. O homem sorriu, participando no humor da nova jovem que agora lhe cativava o olhar. Não a conhecia, e sabia agora porque alguém se tinha intrometido entre os seus pensamentos há uns minutos. Era o seu primeiro dia. Poucos eram realmente quem se interessava, nenhuns eram os que lhe falavam aquando se perdia no seu bloco, até então.

- Uma torrada... e o mundo para a acompanhar - Diz brincando e filosofando.

- Vou ver o que posso fazer - Responde muito amável a jovem, por não ter sido levada a mal com a sua pergunta, que agora se tranquilizava mais por lha ter perguntado.

 Voltando, ainda num humor que pouco se conhecia naquele ambiente.

- Aqui está a torrada senhor. E o mundo - Diz, envergonhada - Está todo ele à sua volta, abra bem os braços e talvez consiga um grande pedaço dele.

O homem saca do seu pequeno caderno e começa a rabiscar. A jovem fica paralisada observando novamente aquela energia que lhe tinha hipnotizado anteriormente, causando o mesmo efeito ao ser novamente utilizada pelo misterioso escritor. 

- O que com tanta energia escreve? - Pergunta curiosa - Foi algo que disse? - Fica perplexa ao se realizar que foi depois do que tinha planeado dizer, de forma tão pensada para não desagradar a pessoa que queria impressionar, enquanto barrava a torrada com a manteiga, que ele começou a escrever.

Terminando o pequeno rabisco, fecha o caderno e finalmente quebra o silêncio da pergunta da jovem.

- Sim. Foi algo que disse. Talvez tenha que ouvir gente mais vezes.

- Porque não o faz? - Atreveu-se a perguntar.

- Porque não as consigo ouvir, muitas das vezes. Murmúrios, suplicas, às vezes mesmo gritos, mas poucas vezes oiço as pessoas a falar. Raramente oiço as pessoas mesmo falar, sem as suas máscaras ou trajes encobridores.

- A mim ouve-me? - Deixa-se levar na conversa

- O teu olhar falou muito mais que todas as vozes que já ouvi, mesmo a minha. A empregada envergonha-se e muda de assunto para não perder a graça à frente daquela figura:

- O que tanto escreve nesse seu livro?

- O que não consigo dizer. - Responde, abrindo-o numa página, ficando longos segundos mirando-a.

- Algo que queria dizer agora? - Pergunta apontando para a página aberta.

Responde depois de um longo pensativo suspiro - Qualquer coisa assim. - Diz retomando o olhar à jovem. - Quando acaba o seu turno? - Pergunta, envergonhando a empregada.

- Às 16:00, senhor. Porquê? - Pergunta, mais uma vez corada.

- Podia me ajudar a lê-lo. - Diz de forma amigável - Isto, claro, se não se importar.

- Adorava! - Diz a empregada não medindo as suas palavras.

- Fica combinado - Sorri o homem.

Encontra-se encostado a um muro, fumando e mirando os pássaros voando atarefados entre edifícios e obstáculos como toldos e postes de eletricidade. A jovem aproxima-se, agora sem o avental característico do café, mas sim uma simples camisola de lã verde, com um curto casaco cinzento cobrindo os ombros.

- Estou pronta - Diz avidamente a jovem.

- Vamos - Diz sorrindo, fazendo um gesto à empregada para o acompanhar.

Chegam ao prédio, e sobem devagar as escadas, passando pela idosa que agora recebia convidados, que, pelas interações entre eles, definitivamente eram familiares que não via há muito tempo. Esta pisca o olho ao jovem que ia acompanhado, e este retribui com um sorriso.

- Peço desculpa pelo estado da casa, mas não costumo receber muitas visitas. - Diz, agora um pouco embaraçado ao chegar ao seu quarto.

- Isso é porque não viste ainda a minha! - Responde, agora entrado e observando o pequeno espaço. - Gosto das paredes, sendo claras refletem muita luz! E realmente estava mais iluminado. Também o espaço mais cuidado, mesmo que com a velha mobília, agora não se via pó, nem mesmo no pano do piano, que continuava coberto.

- Hum - Murmura o homem.

- Posso ver o teu bloco de apontamentos? - Pergunta, virando-se para ele depois de tentar decifrar o que se escondia detrás do pano.

- Claro, toma - Entrega-lhe o caderno. Vai folheando, mas não consegue compreender o que está escrito, e pergunta um pouco embaraçada:

- Isto não são palavras, pois não? Mas também não se assemelham a desenhos, ou figuras, que é? - Pergunta, curiosa.

- O que não consigo dizer, não consigo escrever - Responde, sentando-se num banco negro que se encontrava ao fundo da sala.

- E como é que se o lê? 

- Sentindo-o.

- Mas... - Para por um instante.

O quarto parecia florescer de uma vida oculta, cada questão, cada resposta, todo o espaço parecia ficar mais agradável aos olhos, sendo já os livros autênticas obras, as pautas valiosos manuscritos, e uma profunda energia submergia do canto da sala.

- O que é isso aí tapado? - Pergunta a jovem.

- Ha! Um velho piano. Afinei-o antes de tu chegares, mas sou eu quem ainda está com falta de melodia. 

- Posso vê-lo?

E assentindo com a cabeça, retira o agora brilhante pano de cima de um magnifico piano, tão polido que o sol se revia nele.

- Podes me ensinar a tocar? - Perguntou ela, tão maravilhada com o instrumento.

- Hehe, posso tentar, mas mesmo eu preciso de prática, para voltar a manuseá-lo.

- Tentemos os dois - Diz ela aproximando-se do teclado.

Fecharam os olhos, e a melodia fluiu. Era um tom forte, melancólico mas rítmico. O apartamento vibrava cada nota, reflorescendo a cada nova sensação, a cada novo estilo. As mãos mexiam-se agitadas, e quando se tocavam os dois faziam as notas vibrar ainda mais! Tudo parou ali, tudo aconteceu ali, tudo foi dito e ouvido, e toda a música juntou dois seres, e escreveu por um.

O pequeno bloco foi se apagando à medida que toda a melodia saía daqueles dois corpos através do piano. Os dois choravam, os dois riam, os dois saltavam e dançavam e o caderno já nada possuía. 

Caíram exaustos, um sobre o outro, e ali se amaram, ali se conheceram, ali tanto disseram, não por palavras, mas pela música que lhes vibrava ainda no coração, com a última nota sendo prolongada muito depois de largado o teclado.

No dia seguinte, o misterioso músico olha ao redor do seu apartamento, sente-se bem, sente-se vivo. Levanta-se, calmamente para não acordar a jovem, e, muito antes do sol nascer.

Entra na casa de banho, lava o rosto, encara-se no espelho, e vê-se a si. Completo.