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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

30.Ago.18

Entre o sonho e a vida

Gostava de não saber ler.

Tão pouco conhecer uma língua e a escrever.

Assim, para realmente viver,

E o esplendor da vida (re)conhecer.

 

É engraçado, esta estória de querer,

Faz-se-lo tanto sem nada temer,

Não receando o fracasso ou o conceber:

Na mente está tudo o que se quer...

 

Na poesia o homem é Deus.

Criador de tudo,

Observador de nada.

Mais não é que a mão autora

De um mundo que concebeu.

 

É tão simples, um risco desenhar,

Uma palavra surgir;

Um rio desaguar.

 

Na vida, só o pensar

Custa uma outra,

Essa que deixamos velar...

 

Escrevo, pois o faço,

Estas palavras que aqui deixo ficar.

Muitas outras surgiram,

Mas foram estas que decidi agarrar.

 

A minha vida é esta que vivo.

O meu mundo são estes que crio,

O sonho é quem neles me leva,

As palavras são por onde me guio.

 

Voo leve, nas nuvens onde me fascino,

Mas sou eu quem as eleva

E não inversamente que o sinto.

 

Ah, sonho, que tão leve te sinto,

Mas tão pesado nesta vida te fazes

Que nem pouso ou local aprazes

Para eu viver-te um bocadinho...

 

Bem te conheço, meu pequenino,

Que se a mente abandonares

nem sonho nem nada fazes,

Apenas uma breve aparição neste meu caminho.

 

Seria ela mais uma memória,

Provavelmente esquecida nesta vastidão:

Uma mais que escreveria

Neste poema sobre a vida,

Que veio da minha mão...

 

 

 

 

 

 

 

 

27.Ago.18

Larga-me vida! E deixa-me viver...

Quem mais que eu terei que ser? Quantas vidas tenho que levar na minha? Silencia-te, oh mundo! Deixa-me ser eu apenas...

Para quê todo o ruído que me perturba o trilho, para quê todas as cordas lançadas que me amarram alterando e manejando o trajeto que sigo ou que queria seguir. Para quê? Larga-me, vida... E deixa-me viver.

Qual é a tua ideia de prisão, mundo, que dás a vida para nela regozijares-te de prazer. Somos teus prisioneiros, não servos, oh mundo! Tortura-me a alma, esfola-me o corpo... Mas não me controles, isso deixa para mim!

Que te faças negro, que ilumines o céu todo, não quero saber! Tira-me estas corrosivas correntes que eu faço o meu brilho ou crio o meu abismo...

E porque alguém te questiona a ti, vento, o rumo que levas... quando nem tu mesmo o fazes. Que pagamento fizeste pela tua liberdade, que eu farei-a em dobro, mantendo a mente para me levar. Se prisioneiro nasci para ser, que seja de mim mesmo, e não de quem não pertenço.

Que digo eu... As vozes que oiço são as minhas, as cordas que me amarram fui eu que as fiz... Porquê mundo? Veres-me perecer aos teus olhos e nada fazeres? Que queres que eu faça, ris-te entre dentes... Pois tinhas que viver, para conhecer a vida.

 

 

26.Ago.18

A vida não é uma linha...

Como é complexa a vida, e como é estranho aquilo que pensámos que estava atrás de nós de súbito surge à nossa frente com uma nova aparência. A vida não é uma linha, mas uma espiral apertada pela qual subimos, espira após espira, revisitando de um ângulo ligeiramente diferente tudo aquilo que fomos e fizemos. Avançamos, é certo, mas o progresso é lento e nostálgico. E para que fim? E como nos podemos libertar?

 

 

O livro dos Dias - Um diário das cruzadas por Roger, Duque de Lunel | Escrito (traduzido) por Stephen J. Rivelle

25.Ago.18

Engrenagens da vida

Oh! Engrenagens da vida,

Quem vos fez assim?

Não param um segundo

Não abrandam para mim...

 

Quem vos quer assim,

Que ao mundo não pertencem

Mas à vida em si?

 

Que vida tenho eu

Se lugar para ela não tenho?

 

Oh! Engrenagens da vida,

Quem vos fez assim?

Que receio do mundo têm

Para (n)ele não me deixares sentir.

 

Que vida se vive na vida em si?

O respirar sem o ar

O pulsar sem pulso

E a mente sem onde habitar.

 

Porque do mais complexo

Nos deste a dúvida,

E do mais vago

A compreensão...

 

Oh! Engrenagens da vida,

Quem voz fez assim?

Franca para uns

Maliciosa para mim.

 

É na natureza que te mostras,

É nela que te fazes assim,

Apresentas o belo e o sereno

E assim a podridão em mim.

25.Ago.18

A thought about identity

I've been thinking about identity, a little more, that is. Kinda fascinating, isn't it? All live things have some sort of personality, that is, being more or less aggressive to the environment. But we, humans, go far more than that simple ''natural'' thinking. We are self conscious, on our acts and behaviours, alone or in a group (well, sometimes...).
I've been also thinking on how one should identify himself. How are we different from the person right next to us? What makes us different? Well, our past is a big influencer in our believes, therefore in how we would act in a situation. Yeah, it summons up some things, but how is our past much different from other person past? And, for example, how are two persons coming from the same place, (schedules, believes, similarity of thought, watching the world in the same perspective...) still seeing the world with different eyes? It makes sense, the literal sentence of watching the world with different eyes, but how does one start developing an identity, and that being different from the person next to her.
That is because those are two different persons. Even an animal that spent his life along with another, may react differently to the same situation. So if past doesn't tell much about how a person lives in the present (that i tried to explain - it affects the thought, but doesn't restrict that person on being different from what «we» (by default) would assume that person), how does one can describe himself? And, if so, we may notice the adjectives are always the same - Oh, i see myself as a easily irritated person, very stubborn, all those clichés, we know... That is everybody, at his own way. What makes us different? Still, the question.
Well, i've thought on a phrase, that i created; in my, probably second hour of trying to sleep, (the first one is me trying to not think) and its something like this - Find a place. Hide yourself in it. Then find yourself. Yes, that was in english, that's why all this text is being like that as well (i imagine it being easier going with the language i had the thought, than trying to convert it, and by that mixing some of the real meanings of the words).
What do i mean by that? Well, you may had your vision about it, and it may be right, its not hard (im not that smart or anything...).
Find a place. Why? Why finding and not living in the one we already are? Because that one is the place you don't know yourself - or that you are the same as everyone, it is a «comfort» place. It is a place you have not that many doubts, but, you don't have yourself either. The «comfort» place is where we stop developing ourselves further. We try to go along with things that happen, and that's it. Finding a place that doesn't belong to us, makes the second phrase appearing.
Hide yourself in it. Why? Again... Why not showing who we are to a total unknown place? Because, you left the one you were in the past for that reason - who are you? So, keep along, this is being funny... Don't make that many questions (just kidding, do as many as you have). Try to go incognito, because that is what you are, even to yourself. Don't grab anything that you think identify yourself, because that is probably not right. Appear in a ghillie suit to others, be part of the «nothing» that is the ''open world'', don't be a thought on peoples mind, don't be a face on peoples eyes. Why? Because that thought or that vision may change who you are to yourself, by listening others talking about yourself.
Find yourself in it. In a total unknown place, with no one for you to grab a friendly hand, you are in a place that what you really are, your «survival instinct», is what you are being. Isn't that so primal? You may ask. Aren't we all like that, after all? Why being afraid of human's natural reactions to the environment? Feelings are a natural reaction. Thoughts may or may not be, but we are always thinking, and a lot of those are about what we are seeing and feeling, that is also natural. I used a phrase in one of my previous texts that was like this - «You cant control your thoughts, and you can't control your feelings, because there isn't one controller; you are your thoughts and your feelings» - Alan Watts. And that primary way of being, is what we are. Don't be scared of feeling things, don't be afraid of showing your opinions, because that is what you are, are you afraid of yourself? Another interesting question. When we don't speak our mind, we are not afraid of what others people will think, but how we will be seen (i know, it's almost the same, let me keep going). We are afraid of being what we really are, because we hide ourselves in ourselves, and others keep a small portion of it; that others is us as well, by not telling what we want, we are not what we are.
So... All this words to say nothing. We will keep hiding our feelings, we will keep hiding our thoughts... Just think - that in the end, don't be surprised where you reached, and who is there, talking to you - inside your head.

 

 

 

24.Ago.18

Dor

Rastejo na lama a que chamo chão.

A que lhe apelido de apoio para o meu corpo.

Entre gravilha e gravetos

Rasgando-me a roupa,

Alcançam a pele pecadora.

 

Cortes,

Uns superficiais outros profundos,

Mas é na mente que tudo dói.

É para dentro que grito

E é para fora que sai.

 

Ah dor!

Que não te compreendo,

Sofro por fora,

Grito para dentro...

Se me abraço a ela

Sinto apenas um aperto,

Se a ignoro,

Sinto-a percorrer-me por dentro.

 

As braçadas tornam-se pesadas,

A lama emaranha-se no corpo

Tornando-o mais pesado,

Mais lamentoso.

 

Carrego a podridão,

O mal da terra.

 

Observo uma lagoa límpida,

E evito corroer a sua pureza,

Pois...

À minha frente, atravesso

As areias movediças da dor!

 

 

 

 

 

 

19.Ago.18

Quero-te!

Agitando-se em suores, lutando contra os lençóis e as mantas de sua cama, numa batalha que se apresentava num impasse, um jovem esforçava-se para adormecer.

O céu encontrava-se claro, com o luar atravessando a janela impetuosamente, oferecendo sombras a toda a mobília que no quarto se encontrava. Tal feito que mais ainda repugnou o rapaz, que cobria agora a sua cabeça por debaixo da almofada, isolando o pouco que conseguia do silêncio que o perturbava, assim como da luz.

Tanto lutou que se fartou, ficou sem forças para se espernear mais. As feitas da cama jaziam agora no chão, criando um oceano ondulado a partir das curvas do tecido dos cobertores, com a lua refletindo os seus detalhes, só como ela faz num dia noturno ao mar. O rapaz reparou no relógio, eram 03:17, e lá tornou a deixar a cabeça resguardar-se na almofada, refletindo no dia desagradável que teria de manhã que passar. Acabou por adormecer.

Um ruído intermitente invadia o quarto, tão estridente que fez com que o rapaz acordasse. Era o seu despertador, marcava 06:40. - Que este dia termine depressa... Sussurrou na sua cama, para ninguém que lá se encontrava. Num ápice levantou-se, e, como de costume, a sua roupa estava dobrada em cima de uma cadeira, que todos os dias prévios, à noite, tinha muita atenção em a deixar pronta. - Menos coisas para me preocupar, é o que diz para si mesmo sempre que o faz.

O sol ainda não se tinha descoberto, sendo a lua quem ainda prevalecia nos céus, deixando aquela madrugada ainda mais fria naquele dia de inverno.

Àquela hora ainda os seus pais não tinham despertado, então, vagueando pela casa, quase como se apenas a sua sombra ali estivesse, movia-se de divisão em divisão. Agora na cozinha, preparava-se para tomar o pequeno almoço. Num lamentoso andar, este refletindo ainda a sua batalha à umas horas atrás, preparou uma taça com cereais, e deixou-se à mercê do luar para lhe iluminar a refeição. Terminada esta, um pouco mais desperto, avança para a casa de banho para esfregar os dentes e se aprumar. Quando pronto, erguendo a mala ao ombro, abriu a porta da casa e quedou-se a apreciar a brisa fresca que o vento lhe trazia à face, com os primeiros raios solares a romperem os céus. - Haja amanhã, porque o hoje não me agrada... Pensa ao fechar a porta, começando a caminhar em direção à paragem de autocarro.

Chegando à paragem, decorridos os seus pensativos dez minutos, depara-se sendo o primeiro; era sempre o primeiro. Tudo o oprimia, a sua casa, a sua escola, as aulas, e, mais que tudo isso, a razão dessa opressão, as pessoas. Quando se via com oportunidade, utilizava a espera para refletir acerca das coisas.

Outros dez minutos decorreram, num silêncio quebrado apenas pelo vento, e pelas poucas pessoas que circulavam na rua, entrando nos cafés e cumprimentando-se à vista. Até que um colega se abrigou da brisa encostando-se ao canto da paragem.

- Bom dia! Disse quando chegou, encontrado o rapaz ali, em pé, apesar de estar sozinho e os assentos estarem livres.

- Bom dia, respondeu o rapaz, reparando que já o outro tinha tirado do telemóvel, perdendo-se no mundo virtual.

Nunca o atraiu. - As pessoas já são falsas encarando-se, retirem-lhes o rosto e vejam-nas a agir... Disse para si mesmo, naquele momento. Sempre via o mundo assim, e, naquele instante foi aquilo que lhe veio à cabeça. O silêncio era agora quebrado por mais duas pessoas vindo juntas, tagarelando conversas matinais sobre o dia anterior e previsões para o presente. Algo que também nunca compreendeu, relatarem um dia e não o questionarem, não se perguntarem do porquê das coisas terem sido assim. 

- Bom dia, rapazes! Disseram as duas jovens.

- Bom dia, disse avidamente o outro

- Bom dia, este melancólico e pesado. 

Os três estavam agora perdidos no outro mundo, atravessando os portais entre ambos para breves galhofas, comentando algum acontecimento corriqueiro que lhes aparecia nos ecrãs.

Chegou o autocarro. Deixando-se vagaroso, ficou em último a entrar, reparando que um jovem vinha a correr para não perder o seu transporte. Ao pagar o bilhete assentiu ao motorista o troco e advertiu-o para o outro que ainda vinha longe. Procurou um lugar no interior, e quedou-se à janela, onde sempre gostava de ficar - Vê-se o mundo mais depressa, não se tendo tempo para reparar na corrupção do mesmo, era o que pensava. Era nestas alturas que gostava de ver as coisas, pois na verdade só lhes passava o olhar, não as via concretamente, criando a maior ilusão de todas; a observação da realidade sem o realismo. Uma árvore era só e apenas isso, uma pessoa a caminhar no passeio era só e apenas uma entre muitas. Não se repara nas raízes toscas que saem para fora, nem nas macabras formas dos ramos das árvores, nem tão pouco nas feições das pessoas, ou de onde vieram e para onde vão, não. Naquele instante, o vislumbramento do momento é só aquilo, estando repartido em muitos outros, como um filme de longa metragem, em que nos é apresentado o cenário vagamente, para então incluir a trama principal. Ali era o vago, a trama seria depois. Não obstante, nessas alturas não lhe ocorria mais nada se não apreciar o momento.

A viajem era de vinte minutos, pelo menos esta primeira. E quando chegou ao seu destino, saiu calmamente do autocarro. O dia fora cinzento que se revelara, apesar de o sol já se ter posto este ainda se mostrava insuficiente para se apresentar quente ou luminoso. Separou-se dos outros, e seguiu para um canto, onde esperaria o próximo autocarro. Aí ficou, na sua longa espera de cinquenta minutos, puxando o fecho do casaco próximo do pescoço e cruzando os braços ou deixando as mãos nos bolsos, encostado a um muro, em pé, como sempre ficava. Não o incomodava, o que o fazia era o fumo do tabaco que se encontrava concentrado na única e pequena revessa do vento, o que lhe perturbava o pensamento e a respiração, cinquenta minutos foram assim, para não referir quando as toxinas eram outras. Enervava-o sempre não poder ir para outro local, pois ou o vento era tão desconfortável ou mesmo a chuva o importunava.

Quando deu pelo autocarro foi-se aproximando devagar, observando muitos dos outros correndo, como se a vontade de ir ao encontro do seu destino fosse agradável. Lá dentro, novamente num canto à janela, deixou-se no seu profundo silêncio, ignorando toda a confusão que um autocarro cheio implicava, como gritos e músicas berrantes; para ele chegava-lhe a vista do exterior, a sensação de liberdade que lhe oferecia o movimento. Eram aproximadamente cinquenta minutos esta segunda viajem, de puro stress acumulado de toda a agitação dos outros, também do seu devaneio, ao observar o mundo naquele meio; a imagem passando rápido, num grito oportuno ou num riso sarcástico que lhe apresentava nojo de tão alto que era. Nem assim o mundo se via bonito, todos os dias oprimia-o cada vez mais, aprisionava-lhe a vontade de o descobrir e de viver nele... Chegou à escola.

As dores de cabeça eram comuns, não apenas do ruído que por todos os dias passava, mas também das coisas que o inquietavam. Eram agora 09:30, sempre chegavam na hora de entrada, e lá perguntou a um colega de turma em que sala se tinham que apresentar. Até isso o fazia questionar, o terem que mudar de sala a cada aula. Porque não sempre na mesma, para todas as turmas? Seria assim tão complexo? Lá entrou na sua, e, novamente, um barulho persistente dos seus colegas. Duas horas se passaram, a primeira aula estava concluída. O pequeno intervalo pouco mais que quinze minutos eram, onde esses pareciam dez, em que cinco seria tempo de lanchar ou desentorpecer as pernas. Depois, novamente as duas horas que se seguiam. 

Ao almoço tinha uma breve hora para desfrutar do pouco que conseguia, ali fechado naquele estabelecimento. Quando não chovia, caminhava ao redor da escola, surpreendentemente poucas vezes sozinho, não obstante, poucas vezes falava, dando a palavra a quem acompanhava, sendo que só os ouvia conversar entre si, deixando-se mesmo atrás na sua passada. Quando se viam seguros que poderiam ir almoçar, entravam na cantina e lá num canto se juntavam, quando este os permitia, ou pequenos grupos eram criados lá dentro.

As duas horas seguintes novamente fechado. Não se sentia inútil, mas aborrecido. Todos o estavam, mas ele não era porque as aulas o maçavam, ou que tinha algo mais interessante para fazer, era porque não conseguia encaixar a matéria no dia a dia. Raras eram as vezes que falava, algumas até mesmo eram impondo autoridade para os outros, como se lhe valesse de algo, silenciar um grupo. Nas que já se perdia no raciocínio, juntava-se a alguma conversa de algo que estava a ser discutido, se isso o interessava -  quando não eram as brigas pelo futebol e pelos clubes, algo que nunca compreendeu, todas essas rivalidades e repulsas. Algumas vezes encontrava-se rabiscando o canto do caderno, ou escrevendo algumas palavras que lhe remetiam para a sensação que tinha. Criando versos soltos, poemas incompletos, sempre cansado de se representar naquele sentimento.

Novamente os míseros quinze minutos para puder ser quem era, longe da sala de aula; o tempo livre que tinham. Não se encontrava, nos corredores, no pátio, poderia rondar a escola todos os dias, mas nunca se deparava consigo mesmo. A última aula do dia era apenas uma hora, mas naquele dia invernoso já a noite quase se assemelhava, e a vontade agora não se lhe revelara para prestar atenção a ela.

Terminado o dia, partiu cansado para o autocarro que lhe correspondia, numa noite já escura, assim como quando despertou à muitas horas atrás, esta menos iluminada pela lua. A viajem sabia-lhe melhor, a do regresso. O barulho era menor, o cansaço estava presente em todos. As imagens menos nítidas se apresentavam, sendo apenas vultos, ou figuras mal definidas quando algum ponto luminoso as apresentava. Mas mais confortável ainda se sentia, mesmo o mundo sendo negro, e a imagem do exterior da janela pouco lhe apresentar fosse o que fosse, podia apenas apreciar o movimento, percorrendo toda a negritude que se encontrava na sua mente, e no seu coração. Não encontrava o fim, mas a viajem de volta parecia-lhe um pouco mais rápida, talvez por estar tão entretido a apreciar o seu lado que menos o incomodava; aquele que menos via ou que questionava - o negro.

Este conhecia-o, era esse negro, esse vazio de cor que o acompanhava nos sonhos, pois raras eram as vezes que se lembrava que sonhara na noite anterior. Era um abraço, como o da morte, que lhe retirara a vida e a devolvera no dia seguinte. Deveria ter sido algo que talvez a mente lhe oferecera, para encontrar descanso nessa altura. Começou a sentir um conforto com esse lado, apesar de criar os sonhos para si mesmo, acordado. Chegou à primeira paragem.

Com sorte, pouco tempo demoraria para o próximo autocarro chegar, então, abrigou-se a um canto do vento forte e aguardou, refletindo no dia que tinha passado. - Segunda feira. E eu querendo o amanhã depois disto, que vida... Pensou para si mesmo. Chegando a casa, depois da habitual rota de vinte minutos do autocarro, largou a sua mala e sentou-se. Não tinha vontade para nada, o fim de semana passou-se num sono, e agora estava no final de uma segunda feira, já nem sabendo o que querendo para aguentar mais quatro dias daquele jeito. Eram por volta das 20:30, quando tinha chegado a casa, e ia agora jantar. Depois de retirar o seu prato, e de todos abandonarem a mesa, reparou no relógio e eram 21:00. Abriu um espaço na mesa, deixando a toalha de pano que a cobria descobrindo a madeira, e ali, na cozinha, ficou a fazer os seus trabalhos. O seu quarto era um cubículo minúsculo, onde não encontrava espaço para estudar ou fazer os seus deveres nele. Depois de terminada a sua tarefa, eram horas de se deitar. Tomou um banho e assim chegou-se ao quarto.

Arrumou os livros necessitados para o dia seguinte na mala, preparou a roupa para o próximo dia, e perto das 23:00 conheceu o repouso, num colchão velho que tinha na sua cama, que o único conforto que realmente lhe era oferecido era o cansaço que sentia, para dormir nele. Mesmo ainda ter travado uma pequena batalha com a mente, conseguiu perder-se no sono. 

Sem se ter apercebido que a escuridão que agora via no quarto era ele estando desperto, pensou que novamente estaria num limbo, em que o tempo passava e ele não o sentia, mas não. Era realmente aquilo, assim como um vulto que se aproximou da sua porta e o confrontou.

- Oi, acordei-te?, sussurrou a figura.

- Não sei se ainda estarei a dormir... Respondeu. Ouviu-se uma pequena risada abafada da personagem que ali estava, tomando o comentário como cómico.

- Vens comigo ver uma coisa?, perguntou.

- O quê? questionou o rapaz

- Queres vê-la nesta escuridão, é? Anda daí! - Incentivou-o a figura, levando-o a levantar-se da cama, esta não sendo menos desconfortável quanto as já previstas dores de cabeça no dia seguinte devido à falta de sono e cansaço.

O rapaz seguiu a figura que o inquietava. Alguma coisa via nela, algo que o fascinava, que o inspirava. Tinha sido levado para uma grande área natural.

- Não conhecia isto aqui, diz o rapaz.

- Caminhas de cabeça baixa, como hás-de reparar no que o mundo tem se não nas pegadas dos infelizes. A voz era-lhe tão familiar, o tom calmo e sereno.

- Sigo o caminho deles para seguir um... E não andar para aqui perdido...

- Cala-te!, interrompe-o a figura - Olhas para baixo porque és parvo - dizia num tom calmo - Olhas para baixo porque não te esforças para olhar para cima, custa mais um bocadinho, mas vês mais um mundo inteiro!

- Se as pegadas no mundo são de infelizes, que felicidade se encontra nas coisas que estes fazem?

- No céu não tens pegadas, é todo teu para vaguear. Nele podes voar!

- O homem não tem asas.

- Tens mais que asas! Ou o que achas que te trouxe aqui? Tanto tem asas como a vontade de as ter, ao contrário dos pássaros, que as utilizam na sua primária forma.

- Não percebo.

- Olha à tua volta... Diz a figura sorrindo, no seu tom de voz feminino.

Perdendo longos minutos analisando o que o rodeava, o rapaz encontrou-se perdido no meio de tanta informação. Não, não era informação, era uma simplicidade tão grande que tão pouco lhe dizia, tão pouco compreendia. As árvores eram abundantes, a noite era iluminada, com o céu apresentando uma grande aurora. O vento era tão leve que assemelhavam-se a dedos percorrendo a sua face ao de leve. Quando reparou, era a figura quem o cariciava.

- Estou a sonhar?, perguntou o rapaz, incrédulo.

- Diz-me tu, se queres que isto seja apenas um sonho ou a tua realidade... Respondeu-lhe ela, com a voz tão doce que o rapaz sentiu um desejo de lhe beijar os lábios.

- Eu quero-te! Ouviu risadinhas ao ver a figura a separar-se dele.

- Anda, diz ela ao lhe oferecer uma mão para o acompanhar.

O vento começou a soprar vigorosamente. As árvores afastavam-se e o chão tornou-se rochoso. Ouvia o mar correr, de algum lado. 

- Prova-me que me queres, disse a voz, apresentando o tom um pouco ríspido apesar de nem fazer o rapaz sequer questionar o teste.

- O que tenho que fazer?

- Aproxima-te

Encontrava-se agora num abismo, tão grande que do fundo só ouvia o mar pulsar vivo, embatendo nas rochas e sobrepondo-as. O fundo, entretanto, era tão negro quanto a sua mente.

- Porque é que estamos aqui?, perguntou, um pouco preocupado

- Porque é aqui que queres estar. É aqui que me trazes todos os dias, é aqui que passo a vida! Diz a figura, revelando a sua natureza ao rapaz.

- Tu?...

- Sim! Agora, se tanto me queres, salta! - apresenta o desafio sem relutância, tornando agora o seu tom ríspido recitado num eco, que penetrava os ouvidos do rapaz cada vibração das palavras.

Salta... Salta... Salta... 

- Não!, continuava a ouvir dentro de si, salta... salta... salta...

A mente riu-se, tão alto como no autocarro eram os risos que ficavam-lhe na memória.

- A única escolha que te ofereço é como queres aterrar, no fundo. Disse-lhe.

- Como assim?, pergunta o rapaz, tão perturbado com a situação, com o eco que ainda ouvia e agora os risos que no eco se prolongavam.

- O que ouves agora, és tu a desistir - foi dizendo, retomando ao seu tom cordial de outrora - Se saltares agora, foi devido à pressão que tens de fugir da vida. O fundo não te será acolhedor, garanto-te.

- Como é que faço para não saltar?

- Não fazes. É aqui que me dizes que me queres, e se vais embora, eu também te abandono.

- Mas se saltar e morrer! O que será de mim! E de ti, também!

- Nenhum de nós morre, mas nenhum de nós vive...

- E como faço para viver? Eu quero-te! Mas não assim!

- Solta o pensamento. Deixa-me partir, não penses que estou aqui, e eu desapareço, pois este é o teu mundo, e no teu mundo estás perante este mesmo abismo, assim como na vida.

- E depois de te ires embora?, pergunta o rapaz, lacrimejando.

- Depois só tu és o encarregado do fundo deste mesmo abismo. Se queres que seja rochoso, ou um outro céu que não este que vês, tão surreal.

- Caio nas nuvens?

- Não chegarás a cair, diz, sumindo-se a figura, deixando o rapaz ali sozinho.

- Mas?... 

Meditou. O silêncio ele criava-o, as sensações ele as reclamava, mas nenhuma lhe oferecia a certeza do que estaria para descobrir no fundo do abismo. Decidiu fazer algo, o único ato que não lhe oferecia incertezas, acabar ali com aquela visão. Um salto realizou, e no abismo se perdeu.

 

Acorda em suores e desesperado. Fora um sonho, como ele assumira. Mas que final tivera? Onde chegou ele a cair? Reparou que nada se encontrava diferente, fora tudo uma treta! Pensou para ele mesmo.

Levantou-se e foi refrescar o rosto. Quando se olhou ao espelho quedou-se um momento. Como raios é que eu pensava que seria assim? Riu-se. Agora sonhava e tudo acontecia diferente? Achou novamente graça à sua ingenuidade. Caí aqui! Na vida! É isso! Tinha descoberto. Caí na vida! É minha, é aqui que a altero!

No dia seguinte acordou primeiro que o seu despertador e deixou-o silencioso para aquele dia. Era ele quem despertara para o dia, não o dia para ele! Caminhou pela casa, sem medo de ser gente, e preparou um farto pequeno almoço. Vestiu-se e aprumou-se, pegou na mala e abriu a porta. Sorriu. A brisa era fresca, o sol apresentava os seus primeiros raios, e algo lhe parecia iluminar melhor o caminho, talvez o brilho que agora tinha nos olhos. Partiu para a paragem. Os dez minutos decorreram a apreciar as casas, a reparar nas pessoas que como ele se levantavam cedo, e a todas disse bom dia, recebendo ou um sorriso ou um outro de volta como resposta.

Encontrou um rapaz na paragem, desta vez não tinha sido tão apressado para chegar tão cedo, e fora o segundo.

- Bom dia, disse quando se aproximou, recebendo um bom dia tímido de volta.

- Quem és? Não me lembro de te ver apanhar este autocarro.

Com um pequeno sorriso diz:

- É a primeira vez.

- Estou a ver...

Depois da curta espera pelo autocarro lançou-se lá dentro. Sempre com o seu lugar predileto à janela. Desta feita via o mundo de outra forma, não reparava apenas nas árvores mas via como balançavam ao sabor do vento. Reparara que as pessoas mais que vaguearem no passeio paravam para se cumprimentarem umas às outras. O mundo de alguma forma sorria em harmonia.

Ao chegar à primeira paragem, reparou no dia que estava bonito, portanto pode evitar o fumo doente que tinha que se sujeitar para estar abrigado do frio. A espera fez-se fugazmente, sendo que nem deu pelo tempo passar, observando o mundo de outro ângulo. Quando o próximo autocarro via-se à distância, foi-se aproximando do ponto de paragem. A confusão era sempre a mesma, riu-se ao aperceber-se. Lá dentro, o barulho e as músicas continuavam. A viajem começou.

Não se sentia tão perturbado por toda aquela confusão e balbúrdia, aliás, abstraia-se agora na imagem da janela, ouvindo os outros massacrando letras musicais, e todos rindo e gozando uns com os outros. - Fez-se bem, disse para si mesmo quando saía do autocarro e estava para entrar na sala onde iria ter aulas.

As duas horas passaram-se, vagarosas como elas sempre passavam, mas desta vez houve mais comunicação no tópico, e nem lhe pareceu assim tão aborrecido.

- Que todas as aulas fossem assim, disse para um rapaz que saía junto com ele da sala.

- Foi uma seca... Respondeu este.

- Sempre é melhor ser assim que duas horas de escrever e copiar...

- Nisso tens razão! Concordou.

O intervalo, mesmo sendo curto, deu-lhe para observar as pessoas, com os seus grupos, a socializarem e a partilharem experiências. Porque é que isto é tão difícil para mim? Questionou-se.

Depois da segunda aula, e agora na hora de almoço, decidiu acompanhar o grupo que caminhava consigo, e não apenas seguir-lhes os passos. Ao aperceber-se do jovem que era novato, sozinho a caminhar na direção contrária, decidiu perguntar:

- Estás a andar sozinho, porquê?

- Ainda não conheço ninguém, diz envergonhado.

- Hehe, eu nem a mim o faço. Anda, junta-te à malta!

E partiu, na sua caminhada, juntos.

 

 

Há que saber que o rapaz decifrou o enigma. E, como tão bem se apercebeu do que a mente lhe disse, se saltasse onde quereria, não chegaria a cair. 

 

 

15.Ago.18

Como lidar com os sentimentos?

Não sei se vieram aqui à procura de resposta, ou se já com a intenção de me massacrar pelo título aludir que eu a tenha.

De qualquer forma, nunca realmente escrevi a saber seja o que fosse. Se, em algum texto meu em que requeria conhecimento acerca do assunto, esteja lá apresentado entendimento do mesmo, esse não era meu, mas sim de onde o fui buscar.

O que sei eu? Realmente meu, que não aprendi nem que me ensinaram. Despindo o conhecimento, que sei eu? Bem... Saber não sei se o sei, mas sentir faço-o. Sinto as coisas, como todos fazemos. Cada um à sua maneira, como todos sabemos.

Então que texto é este? Vá lá, não me façam perguntas dessas... Se eu um dia chegar a saber o que estou para aqui a escrever neste blogue, acredito ser já velho nessa altura.

Mas porquê arriscar fazer este texto? Querem saber? Estou a arriscar o quê? Que mentiras se pode dizer a algo que ainda não tem imposto uma verdade? E porque é que há o certo e o errado neste caso? Porquê isto, porquê aquilo... e porque não simplesmente?

Esta é a minha visão. Estas são as palavras que me emprestaram para a escrever. E isto sou apenas eu a dizer...

 

Algo que me deixa a pensar, primeiro que tudo, é que ninguém leu o título aludindo-o a sentimentos «positivos»; a pensamentos alegres que nos deixam de bom humor. Não, quem o leu fê-lo a pensar nos que os sente negros, retirando-lhes vida ou a vontade de a viver. Mas claro que ninguém se quer sentir em baixo, a vida está à nossa frente, não em baixo, nos nossos pés - onde tanto olhamos quando caminhamos.

Eu sou um péssimo motivador. Comigo falho miseravelmente, mesmo sabendo o que está errado. É que, mais do que saber o que está errado também sei porque fiquei assim. Depois discuto se quero continuar neste meu estado deprimente aos olhos da sociedade (sendo eu parte dela, vejo-me com os mesmos olhos...) ou se junto-me à ilusão que evito, e troco a lágrima real que deixo escorrer-me pela face, por um sorriso falso que teria que forçar...

Admiro quem sorri à vida, sem sequer questionar se é uma ilusão ou realmente o que está a acontecer. Não questionar o sorriso fá-lo puro. Quando se o faz (questiona-se), aí nem sabemos se as lágrimas derramadas o são (puras). Será apenas a felicidade uma ilusão? E a tristeza a ''triste'' realidade, que muitos apelidam, é a única «realidade»? Mas quem é que inventou estas coisas? 

O infeliz é aquele que conhece a felicidade. Aquele que por tão bem a conhecer que sabe que nunca a terá plena, como ele a deseja. É um homem de ambições, é o escritor do belo! Infelizmente aquele que não existe, é o que ele procura...

Feliz é aquele que não conhece a tristeza. Que nunca recebeu um abraço negro, iludindo-o na escuridão que aquilo que está a sentir lhe oferece conforto, sendo que é um aperto malicioso e não de carinho. Aquele que por não se ter enterrado nas profundezas do seu ser, vive na superfície como todos desejávamos poder.

Mas, não faz a infelicidade parte de um homem? Como é que alguém consegue sempre apresentar um só lado? Não o faz. Conhecem alguém que não conheça a tristeza? Não existe ninguém incompleto, pelo menos não em sentimentos. Por mais fundos que se encontrem, estão lá todos.

Então vamos recapitular - Quem é o homem feliz e quem é o homem infeliz? A resposta já a disseram, é o mesmo.

Então depois de tanta lengalenga é isto a minha conclusão? Ainda não acabei, mas em relação ao homem, sim, é este o meu ponto.

Pronto, vamos lá falar de sentimentos. Como se este texto precisasse de fazer menos sentido do que já está a fazer...

Vou falar naqueles que mais sentimos. Isto porque vou supor que é aqueles que mais queremos evitar.

Brincando com as palavras, como tanto faço, sem saber já quando o faço ou onde... Vou oferecer ao ser humano a capacidade de ver esses sentimentos.

Bem, agora estou aqui, neste limbo sem cor, e reparo em estranhos vultos negros, destacando-se neste espaço cinza. Apresentam-se hostis, são estes vultos quem à superfície querem prevalecer, e eu, bem, tenho poucas, mas algumas formas de lidar com a situação. Da mais primária, temos a violência. Atiro pedras a quem se atreve a avançar, eliminando a ameaça aos poucos. Mas até que ponto iríamos? Exterminamos aquele sentimento ali? Deixava-mo-lo ali, a esvair-se em sangue e contorcendo-se no chão? Não. No final da asneira compreendíamos que sem eles não valeria a pena viver. Então deixa-mo-lo para ali, com uns quantos resistentes que aguentaram a salva de (pedras) fúria a cuidar dos feridos. 

E então? Estava resolvido? Só depois de algo muito deprimente nos poderia fazer novamente passar pelo estado da depressão? Acham? Nem neste mundo de fantasia as coisas são inteiramente fantásticas. Para uma ação há uma reação. A nossa batalha não nos venceu a guerra, só nos arranjou novos inimigos. Para além daqueles sentimentos, que agora receosos de se expressarem mostram-se com menos frequência, ainda temos o sentimento que deixa-mos recuperar da nossa ofensiva.

Estes reproduziram-se, estudaram o método com que eram atacados e tornaram-se imunes - assim como os vírus.

E agora? Apresentam uma força superior que a que tinham, e defletem-se dos nossos meios de defesa, pois quem se adapta para um acontecimento, começa a considerar umas quantas probabilidades de algo semelhante se desenrolar.

Venceu, e nós perdemos. Somos nós agora quem se esvai em sangue, e eles só se riem, subindo à superfície, controlando o nosso corpo... Um ciclo se iniciaria, um que prevaleceria sempre o descontentamento, uma luta interna entre o mal e... já nem saberíamos por que lutávamos, depois do esforço em vão de alcançar algo que nem no inicio sabíamos ao certo o que era.

Bem, ignorar o sentimento, ou mesmo iludirmo-nos que ele não existe, faz com que este mais presença ainda tenha, assim como vimos. Ao lutar contra ele (nós mesmos) não se vence nem se perde, é um ciclo interno de desgaste e de mais sofrimento ainda, sendo que, mesmo ninguém vencendo, ainda apostaria que seríamos mais aquilo que lutávamos contra do que realmente aquilo que tínhamos em vista de ser.

Pronto. Devemos aceitar tudo o que cá dentro sentimos... Que perda de tempo, ler isto.

Não, se foi essa a conclusão do texto que passei, então ofereceram-me as palavras erradas para apresentar este tópico. Agora que o referi outra vez, devem-se questionar o que raio estou eu a dizer de emprestarem-me palavras. A resposta é simples, o que se entenderá dela é que talvez não.

Escrevi o que não existe. Pedi emprestado à mente palavras que só ela escreveria e leria, e por tanto, mesmo que consigamos utilizar um método que nos retire as ilusões, e que conseguissem sentir o que o momento vos oferecia, e não o que desejavam sentir, essa mudança estaria apenas e só, na mente. Assim como o acabei de escrever, lá também é assim tudo, simples. «Não devemos fazer isto», obrigado, cabecinha! E não fazer isso? Pois, aí é que se torna complicado.

Então agora escrevo por mim... Um desabafo de quem sou e do que faço.

Sou uma lástima. E quem diz que nós somos os nosso piores inimigos, a eles digo que é como tudo na vida, tanto é como não é.

Eu não sei dizer quando estou numa fase deprimente ou não. Quando sim, encontro-me ''nela'', não a vejo como muitos poderão retrata-la - um buraco negro, um triste ser que se afunda cada vez mais e que só transmite negatividade. Isso é apenas a superfície de um sentimento; sim, até mesmo eles se afundam...

É quando estou mal que questiono mais as coisas. É quando estou deprimido que sinto o pulsar nas veias aumentar, e que dou por mim a amar. É ilusão, eu sei disso, mas não deixa de ser amor. Por alguém nunca houve «realidade» suficiente que me fizesse amar assim, isto porque se tivesse ocorrido sentiria a mesma sensação no corpo, que sinto quando amo sozinho. E porquê assim? Não sei... Mas esta foi também uma pergunta para mim mesmo, e, ao contrário de, diria uma grande maioria, preciso de ajuda a lidar com os sentimentos ''bons'', também.

Conhecem Pessoa? Claro que conhecem.

 

« O poeta é um fingidor

  Finge tão completamente

  Que chega a fingir que é dor

  A dor que deveras sente.

 

  E os que lêem o que escreve,

  Na dor lida sentem bem,

  Não as duas que ele teve,

  Mas só a que eles não têm.

 

  E assim nas calhas de roda

  Gira, a entreter a razão,

  Esse comboio de corda

  Que se chama coração. »

 

Acho que é assim, quem eu sou. Vivo num fingimento, tão profundo que só esse acredito ser o que desejo - não o ténue toque, mas sim um grande aperto.

Não amo demais para não chegar a amar, acho que se contrariava um pouco esta análise. O que suspeito é que não ame nada, realmente, e crie esse sentimento em mim, tão como ele é que mais nenhum me faz sentir assim, nem os que surgem quando estamos numa situação que os requerem...

 

Não vos sei responder, pois a pergunta não tem resposta... Eu é que me perco sempre nestas, e não nas que realmente me levam a algum lado...

 

 

 

 

 

12.Ago.18

Far from being done

I'm lost,

In this roads i walk; i follow the trail.

I notice the tracks,

This ain't me walking

Is somebody else

 

The path i've chosen

The wind i've felt

Was far from being mine

 

This song i sing,

This words i say

Are far from being done.

 

Cause in the end nothing ends,

In the start nothing starts,

And i still dont know how to write.

 

Am i still myself,

Are this words still mine,

Is my life, alive?

 

What has death have to say

To all my mistake

Does she laugh?

Does she cry?

 

Who am i talking to

Of course im alive

I can still see the light

 

The path i've chosen

The wind i've felt

Is far from being mine

 

This song i sing,

This words i say

Are far from being done...

 

 

(Poema musical, que um dia irei ponderar se o apresento em cântico, aqui no blog :)

11.Ago.18

Porque faço o que faço e não o que penso ou o que digo?

Porque faço o que faço e não o que penso ou o que digo?

O que penso e o que digo são um edifício em construção,

O que faço são os andares que vou completando.

 

Então, para não viver escondendo o processo da construção do mesmo,

Apresento-me aos poucos, sendo sempre uma ação passada: 

Pois enquanto exponho dois tijolos um sobre o outro,

Está a minha mente a pousar já o terceiro, com o quarto em expectativa!

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