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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

17.Set.18

Adeus!

Há dias que olhamos para a janela

E vê-se apenas o nosso reflexo no vidro.

Do outro lado, quem sabe.

Neste, nem uma brecha de luz ou aragem.

 

Um prado verdejante e infinito,

É esse o sonho constante.

A realidade são quatro muros altos e negros

Que nos obscura a alma e os pensamentos,

Que nos aprisiona o corpo e limita os movimentos.

 

Deixarem de vos usar, palavras que digo minhas,

Pois me pertencendo estão manchadas de tudo o que é negro

E eu anseio por luz e liberdade.

 

Chorem, esperneiem-se, não quero saber,

Eu fi-lo durante esta minha curta vida, e pena de mim não vos vi ter.

Afoguem-se na vossa negritude, morram de mim

E enterrem-se no tempo pois não vos abro covas.

 

Há memórias que temos que não se desvanecem,

Pois são essas memórias constantes acontecimentos

Dos quais se alimentam qual lobo faminto e sedento.

 

Hoje abato-te, ser cruel que habita em mim.

Não farei da tua carcaça troféu

Nem das tuas presas colares,

Quero que morras até no teu esqueleto

E que desapareças deste meu lado.

 

Para isso, deixarei de vos usar, palavras.

Seres propagadores da negritude do meu ser,

Neste espétaculo cujo climáx seria eu morrer!

Querem saber o plot?

Eu puxo da arma primeiro! 

 

Adeus! figura negra que me seguras a mão,

A partir daqui vou eu, (não) vou ter saudades!

 

 

16.Set.18

Sei lá eu...

Hoje só cá estou eu. Sem histórias, poemas, rodeios ou devaneios... Eu, e tudo o que isso implica.

Não sei porquê, mas nunca penso nisto... Que eu também escrevo e não apenas as criaturas que crio, sendo elas um refugio do meu eu verdadeiro. Se essas são apedrejadas, não lhes sinto a dor, pois elas já não sou eu... (Fez sentido?). Mas também não são assim tão afastadas, pois no final retornam onde sempre pertenceram. Talvez adio o que sinto, na altura que o sinto, pois não estou lá eu e sim um outro qualquer que decidiu tomar controlo... Ao fim do dia (sendo lá esse que dia for mesmo aquele que não chega) absorvo essa dor, esse amor (ainda me questiono se sinto isso) do «momento» (que já não o é).

E perguntam-se, desse lado - Gostas de viver no passado? A resposta é não. Mas isso sou eu a dar a resposta. O que vai cá dentro é totalmente diferente...

 

Bem, porquê (ou para quê) esta conversa? Ainda por cima comigo mesmo, como se eu ainda não percebesse que foi assim que tudo começou, esta correria cá dentro! Olhem, é um desabafo que nunca tive com alguém. Elucidaram-me dele. Disseram-me o que tinha cá dentro, mas, como mais longe não fui, desenrolo-me aqui o que tanto me aperta, pois aqui também me apercebi que o aprendo! 

 

Nunca gostei de conversas, nunca me vi participar numa em que realmente tivesse gosto, e, naquelas em que o tema tomava proporções interessantes, abandonavam-se. Eu sei, há mais pessoas para se falar do que as que o tenho feito. Mas tão cansado fiquei na linha de partida, como acham que seria o meu estado, alcançando a meta? Já nada falaria, ou forças realmente teria para fazer algo mais que um tosco balbucio - Refiro-me a conversas sociais, ou num meio social (e não, por exemplo, aqui mesmo, no blogue... Pois de tanto não encontrar lá fora, que passo o meu tempo procurando por zonas como esta, que agradeço tanto por existirem!). E, num dia não tão distante assim do de hoje (em que publico este texto), tive uma conversa assim, frente a frente.

Não fui eu que a requisitei nem foi um pedido de ajuda meu, foi algo utilizado para me avaliar (o motivo é profissional). Não obstante, os pouquíssimos testes que fiz que me foram sujeitados, revelaram muito. (Apesar de não gostar de testes, pois provam apenas o que somos, «no maior instante», e não o que realmente somos, a cada momento).

Bem, para terem uma noção do nível da coisa... Tremi. Não de medo, mas nervos. O meu corpo agitava-se tanto, sei lá eu do quê, mas mentalmente estava calmo. Sabem, quando já tanto sabemos dizer, mas nunca realmente o dissemos? O meu corpo reconheceu-se estranho, àquele pensar da altura. Repudiava ele o conforto que eu aparentava, ao falar do que realmente queria/gostava. As palavras escritas não têm voz, e ele não ouve o que se diz. Quando sujeitos à presença da voz, amedrontou-se ele, que acredito que se não me pertencesse estaria encolhido, num canto, enquanto eu falava. Podem dizer, desse lado, que era nervosismo. Era. Mas só do corpo, acreditam nesta?

Foi-me dito que tenho um grande auto-controlo. E não é uma qualidade, não a que estão a pensar. No meu caso é mais um apaziguador de um defeito. Não ''pratico'' o defeito, mas tenho que o segurar, sempre. Como quem aperta forte algo para não lhe fugir - realmente não foge, mas estamos constantemente em pressão ao nisso segurar. E eu fico nisso.

 

Qualquer coisa me aconteceu depois. Novamente numa entrevista (seguimento da anterior), desta vez com três e não uma pessoa, adivinhem? Vocês são bons, hehe. Estava bem. (Não foi isso que pensaram? Bem, que apoio o vosso, aí desse lado... estou a brincar). É estranho, mas, primeiro mudei logo a mentalidade, ao entrar na sala. Fiz-me de alguém que iria participar numa reunião (fico contente por não ter reclamado o cargo nela, e sair-me com alguma totalmente fora da autoridade que tinha) e não numa entrevista. Depois, não sei se foi do ambiente ser mais leve sobre os assuntos desta, que se revelarem menos desconfortáveis (apesar de ser um apanhado da anterior), ou mesmo de estar perante de três homens, e não de uma mulher. Pode tudo ter a ver, sei lá eu... 

Mas, sendo agora um pouco mais específico, nessa última respondi mais do que expliquei (como disse, foi um seguimento à anterior), e o de não ter que ouvir coisas que nem sabia que me aconteciam (apesar de saber; sinto-as, apenas se tornam difíceis em se expressarem), pode me ter acalmado o corpo.

 

Também percorri a ideia de ao estar a falar de algo que me «fascina», e que ao responder com fervor às palavras que eu mesmo digo, ou que recebo acerca da mesma matéria, me tivessem apresentado esse ''nervosismo''. Não sei, mas não foi isso que me disseram, e sendo sincero não senti esse fervor, apesar de me sentir (apesar de num falso «diálogo», pois, como disse, estava a ser entrevistado, senti que quem ouvia estava a se mostrar ''interessado'' (apesar de não lhe escapar nada, as aspas foi porque sentia que havia algo mais que natural) satisfeito com o rumo da conversa, e o seu desfecho.

 

Mas é isto que queria dizer. É? Eu já não sei o que queria dizer, sei que disse isto... E isto ficou dito. Mas eu, em jeito de resumo, sempre me vi conversando assim... Sobre o fundo das coisas, sobre de como chegaram elas a esse fundo... Nestas duas, o assunto fui eu. Mas o que dava para ser sempre assim, com tudo!

 

Quem sabe, num dia com mais idade (eu e o dia...), saiba falar nessa forma, e que encontre alguém que me oiça e responda, pois sozinho... Sozinho chega! Pois sozinho só me afundo no profundo!

 

 

14.Set.18

Sou eu, mundo... Sou eu.

Habito na penumbra,

Nos recantos dos cantos do mundo,

Pois a minha voz não se fez bela.

 

À minha volta são paredes,

Todas elas histórias, e a própria história,

Do que o mundo é e de como ele era...

 

Não encontro brechas, nesta muralha do tempo.

Apresenta-se impenetrável a qualquer sentimento,

Àquele passado que queríamos ter sentido ou feito.

 

Quem foi o engenheiro, que criou o sentimento?

Soubesse ele hoje, o que ficou em erro

E que concertasse as brechas que nele deixou.

Ao contrário do tempo...

 

O tempo é impiedoso, e não tem medo.

Ele sabe-se imortal como os deuses,

Mais poderoso ainda!

Pois a este não se reza ou se sacrifica

Para aclamar por perdões.

Ele apenas destrói, sendo ele mesmo o seu deus,

De tudo no mundo e das coisas dele...

 

Quem a ti te concebeu, tempo?

Aniquilador do belo

Amante do perverso...

 

Sabes o teu fim, não sabes?

Pois... Não acabas. Apenas vês perecer a vida,

Aquela que tu um dia amaste

E hoje matas...

 

Sinto pena por ti, oh indomável!

Pois a ti ninguém um abraço te ofereceu,

Mas todos eles passaram por ti;

Decidiram apenas em nem sequer te ver.

 

Triste... E eu também sou.

Pois sou eu...

Sou eu, mundo... Sou eu os tijolos que carregas no tempo.

 

14.Set.18

Valerá a pena escrever?

Valerá a pena continuar a escrita nunca sendo ela plena?

Que faço eu com as palavras, e que se fazem elas comigo?

Sinceramente, eu não sei...

Elas, tão pouco me respondem, quais diabretes que vieram ao mundo para me atormentar a alma.

 

Quem escreve é o quê? Escritor? Bem, e quem respira um respirador... Só isso? As palavras só fazem isso, dão nomes às coisas?

 

Eu, desfeito, desmembrado e triturado... Saíriam de mim apenas significados? Macabro. Sou como toda a gente!

Qual espanto é o meu, de saber que outra vida vive também, para além da minha e como a minha. É estranho, não é? Já não existe o eu. 

 

Se as palavras ditam o mesmo, como somos diferentes? E quem palavras não lê nem sente, o que lhe ocorre por dentro? Falará para si, em telepatia com os sentimentos? E que linguagem usam? Ah! Talvez aquela que temos, cá dentro...

Ordenam o coração bater, por palavras? Não. Ele bate, pois tem que bater. 

E nós? Falamos cá dentro, por palavras? Não. Mas usamo-las para compreender o que nos vai na alma, cá fora.

E que sentimento é esse, que nós conseguimos escrevê-lo?

 

Palavras. Não o que se sente. 

 

Valerá a pena escrever? Quando nada dizemos ou conseguimos dizer?

Valer vale, mas perdi este meu tempo a escrever o quê?

 

 

 

 

11.Set.18

Morro todos os dias

Neste meu leito eterno me encontro,

Suspirando ao sonho que seja ele mais a cada dia.

Sempre que acordo, morro, e lá se perde mais uma vida.

 

Sou transportado no tempo

Levado a cada recanto do mundo, e de mim mesmo,

Mas nunca sou eu quem sonha nem acorda, pois esse vive e perece

No espaço duma aurora.

 

Mesmo quem escreve agora, já morreu,

Pois passado pode ele ser anos,

Ou os segundos que demora as letras a aparecer.

 

Morro todos os dias,

E quem das cinzas dos sonhos renasce, não sou eu...

Pois se em sonho quizesse fazer a vida

Não estaria aqui agora, a escrever.

 

E se em sonho realmente vivo,

Acordo na mesma cama e no mesmo eu,

Sou eu mesmo o meu sonho,

Pois este a mente não mata ou deixa morrer!

 

 

08.Set.18

Saudade

Percorro caminhos que outrora conheci.

Não são eles ilusões, mas lembranças,

Recordações que tive por ti.

 

Da minha estante parto sempre do inicio,

Revivendo a história no seu princípio.

São os livros antigos os mais lidos,

E o pó que surge nos novos, fica e perdura...

 

Não há tempo num dia para ler uma vida...

 

Já páginas gastas leio,

A tinta, outrora límpida, borrada se apresenta,

O perfume das páginas se dissipa

E eu, escrevo no passado o que queria que tivesse acontecido

Nesses espaços em branco que a tinta deixa...

 

 

 

 

 

 

 

07.Set.18

Perdido no silêncio...

Oiço as gotículas caindo na minha janela,

Choradas por um céu melancólico

Que se tornou o meu dia.

 

Sentado à minha secretária escuto os rabiscos,

O amachucar de pensamentos perdidos

Que vieram ao mundo apenas para serem destruídos...

 

Passo a vista nestas minhas páginas da vida,

Apresentando-se mais pesadas a cada viragem

Pois já no papel estão com tanta tinta;

E eu, que ainda agora comecei esta viajem...

 

Ainda assim não vejo um volume II

Para esta minha enciclopédia pessoal.

Só lhe vou sentindo o peso do que escrevo,

Esse cada vez mais real...

 

Porquê então, apontar todo este mal?

Pois nada mais que isso o é,

Quando me sinto a carrega-lo e não a acompanha-lo.

 

Pois se não o fizesse

Ficaria perdido com o silêncio,

Longe de tudo o que pulsa e respira,

Longe de mim e da minha vida...

 

Não há folha mais leve que aquela que livre se apresenta,

Sem o peso de ninguém a segura-la,

Sem as marcas que nela ficariam vincadas...

 

Mas eu já nasci prisioneiro desta minha ideia,

E enquanto viver, nada a fará surda ou muda:

Apenas me encontrarei com o silêncio

Quando este me encontrar a mim...

 

Hoje, hoje escuto a chuva forte lá fora.

A caneta assumida na sua história.

Recolho os papeis que jazem na secretária amarrotados,

E com eles este poema crio, neste dia acinzentado...

 

 

04.Set.18

A verdade num olhar

Observo-te a dançar,

O teu vestido esvoaçando,

O vento como teu par.

 

Deste lado estou eu,

Escondido, para não te assustar.

Pois a mais bela dança

Não quero eu te negar.

 

Como consegues,

O meu canto assim iluminar?

De tão grande que é o mundo

Como foi uma flor aqui parar?

 

Rodas as pétalas como tecido,

Abraças o vento consentido,

Danças em ti e sobre ti

E beleza nenhuma existe assim!

 

Mas tu estás aqui...

 

Só tu, minha flor,

Te apresentas assim.

Nada mais do que és

Te fazes ou aprazes

Pois a tua beleza não engana,

Nem mesmo a mim.

 

És tudo aquilo que te mostras,

És a verdade de ti mesma!

És onde pessoas como eu se refugiam,

De já tão negras que somos por dentro...

 

És a única verdade do meu olhar.