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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

28.Out.18

Mente atribulada

Vim ao mundo isento de certezas, de pensamentos e sentimentos.

Como única prioridade tive a de respirar.

Tão pouco que a vida nos oferece no inicio,

Uma caixa de mistérios - que é o nosso ser.

 

Haverá, certamente, impacientes, 

Que a tentarão revelar mesmo antes de conhecer onde é sua a abertura.

Precoces para viver, abrem às machadadas o seu ser

E no chão se esvaíam sem saberem o que é o quê e o que lhes realmente pertence.

 

Eu compreendo o receio de nunca se revelar aquilo que nos foi oferecido,

A vida não é eterna e o fim é nos uma incógnita

E com isso o nosso ser é um desconhecido aos olhos daquele que até o vê por dentro...

Dizem que se conhecem, esses observadores do seu interior

Mas eu nunca vi na penumbra da noite mais que uma sombra daquilo que realmente o é.

 

Não sou crente naqueles que se apresentam como se nascessem com um sol interior

E que se regem por essa chama eterna, iluminando todo o seu ser.

Esses ofuscam o negro com fogo e ardem por dentro, hoje de vida, amanhã de dúvidas,

E nenhuma questão lhes é respondida, pois queimaram a caixa que lhes era a vida...

 

A fraqueza do homem é ser-se homem, pois a sua mais poderosa ferramenta

É o que lhe rouba a vida lentamente...

A serenidade oferece a vida, mas o homem oferece-se a si mesmo como tributo

E sorri, sofre, salta e cai, ama e odeia; vive... a vida que se propôs a viver...

 

Aproximar-se-á uma altura em que utilizamos a caixa como suporte, 

Carregamo-la com experiências, ofuscamos o mistério do ser de já tanto lhe cobrirmos,

E assim continuamos, e assim nos vamos conhecendo enganando o sistema... 

Sabem, que mistério temos por dentro antes mesmo de termos vida?

Quem nos disse que nos ofereciam uma caixa, e não um largo tampo onde guardar as nossas recordações?

Que de outra forma realmente nos conhecemos, a não ser ao criarmos aquilo que queremos ser?

 

Ah, este é o homem, bicho de especulações pois certezas só possui uma.

Um dia acaba, alguém nos agarra por dentro, sacode os momentos da vida

E por fim retiram-nos aquilo que nos ofereceram no inicio, o ar que se respira...

Isso e a ferramenta com que regemos a vida, que é esta nossa mente atribulada.

 

 

 

26.Out.18

Lost

 (audio)

 

I've been wandering, for quite some time
'Ve'been lost, cold, alone...
Been dying a slowly death, and a phantom pain always felt.
Its all inside me, and is not willing to disappear.

 

The sun for me is not warm no more,
The moon even freezes my bones, almost my soul.
The day is shallow, seems illusion.
The night is lifeless, always dark.

 

My tears don't drop for me no more, they accepted the pain that is living like this.
Today, a smile on my face is rarer than gold.
I've lost compassion for people, and i never really loved...
But i know, im all miserable on my own.

 

What do i do? I don't know, never done anything
Just carried on, like time does for us all.
I know im not time, i don't even own a dam watch...

 

Who am i, then? I don't know... I'm lost...

24.Out.18

Os milionários

Como andam eles, a correr pelos passeios,

Evitando as importunas poças de água

E guiando-se pelo seu estimado relógio

Que lhes apresenta os horários com que regem a vida.

 

Fosse lá eu, no meu perfeito juízo

Ligar os sentimentos ao tempo

Vivendo momentos calculados

E não a vida em si! 

 

Como vivem eles, na mão um dedo de afeto

Nos restantes a habilidade da contabilidade;

Regendo a vida no tempo, e o tempo que têm de vida.

Eu vivo apenas, e o meu tempo é o tempo que o mundo tem para mim...

 

Como pensam eles, na mão oferecida, uma flor,

Na das costas um punhal desafiador

Prontos a derrubar um infortunado que decidiu esse ter um bolso.

A vida leva-se em malas, não connosco, meu bom sonhador.

 

Como vagueia o sonho, penetrando-se na podridão do ser

Revelando a réstia de sucesso que abrange

Naqueles que da degradação elevam-se,

Fazendo a bondade no mundo descer.

 

Como caminha o pobre sonhador...

Chapinhando tristemente nas poças que encontra,

Sorrindo aos demais que passam, esses de cabeça baixa

Evitando desperdiçar o tempo de um sorriso.

 

Fossem milionários de ideias, mas acredito que todos o sejam;

Apenas como todo bom conservador 

O mundo que caia primeiro,

Que perderem esses um cêntimo.

 

21.Out.18

...

Deixei o homem na rua.

Abandonei tal ser para ser-me, então,

Sem desejos ou ambições, apenas eu

E a criança curiosa a quem dei a mão.

 

O quanto ele puxa, o petiz!

De uma energia inesgotável faz-me cansado,

E lá me solta e brinca e salta no prado

Enquanto eu descanso e lavo a cara num riacho.

 

Ah, o quanto não nos fomos iludindo

Que a juventude seria eterna, pois a vontade de a ter se igualava a tal.

O quanto da vida não fiz, para fazer mais tarde

E que agora é tarde de mais.

 

O rapaz corre e eu reparo que se afasta.

Grito mas ele não me ouve, rindo-se quando se vira,

Mas não deixando de se separar.

A chuva surge, o frio aperta e o riacho congela. 

 

Não há casaco que nos aconchegue

Quando o frio que sentimos é por dentro.

Então, parti, e abriguei-me no vento

Aliado ao ancião do tempo... E assim velejo.

 

 

 

 

18.Out.18

O tempo que passe...

Abandonei a esperança num lugar escuro

E não tenho agora forças ou vontade de a encontrar.

Deixei o pensamento esvair-se da mente

Como o uísque da garrafa por onde bebo,

E já não me faz esse agora tormento

Pois já não me recordo do que estava a pensar.

A garrafa encontro-a a meio e talvez ainda a sobriedade do pensamento

Se revele de tal forma, pois começo e abandono esse qual processo de encher e tragar um copo.

Olho o tempo mas não encontro nada nele

Mas vê ele em mim a obra que rabiscou, desenhou, e por fim deitou fora.

Em mim tudo ficou, mas nada me deu o tempo e nada quis eu dele

Pois não me fiz para acabar (n)um dia, como ele que termina histórias por completar.

Não quero saber do tempo, quero apenas o momento que a vida dá!

O tempo que passe, e que termine um dia com tudo o que foi criado

Que eu cá me arranjo. Que eu cá rabisco, escrevo, e termino a história que quero contar...

 

 

 

 

17.Out.18

Odi et amo, excrucior

Não sou pleno.

Sou, dividido em pensamentos,

Hoje algo, amanhã o oposto.

Não me compreendo...

 

Um ser tanto ama, como odeia.

Tanto constrói, como destrói.

Tanto escreve e tanto apaga

E a nada realmente se apega como larga.

 

Somos vazios, procurando sentidos.

Somos sedentos, procurando a saciação.

Somos incompletos, dizendo-nos plenos

Pois tudo disjunte somos nós inteiros.

 

Assim dizem, os embriagados da vida.

Os sóbrios observam, nos seus silêncios melancólicos,

O trilho desfeito de sonhos e desejos

Alcançando o final encontrando-lhe o desfecho.

 

Vazio. O caminho depois de percorrido.

Sombras atravessam-lhe depois de conhecido,

Mas o primeiro perdeu-se nele mesmo

E o sentindo, o sentindo pouco suscito se revelou.

 

Sentir é dor, seja ódio ou amor.

Trilhos são embustes, revelando finais incompletos.

A vida não tem sentido, a um jogo se assemelha

E o ser não é pleno, pois chora e sorri ao mesmo tempo.

 

Odi et amo. Quare id faciam, fortasse requiris. 
Nescio, sed fieri sentio et excrucior. 

 

 

14.Out.18

A poesia não me chega

A poesia não me chega.

Ou talvez seja eu, que não sirva para poeta.

De tantas palavras me vejo sedento

Mas de nenhuma tenho realmente orgulho em ser minha.

 

A poesia não me chega

Pois não trago do licor da vida,

Fico-me apenas com as palavras rotuladas na garrafa em que é servido,

Causando-me náuseas o seu odor pujante,

E não o travo forte e amargo de provar essa bebida.

 

A poesia não me chega

Pois amo amores que não me pertencem.

Sinto-lhes o aperto forte no peito,

Mas apenas nele, e não como seria com o amor,

Percorrendo-nos esse sentimento o corpo inteiro.

 

Dou laços em pensamentos,

Entorno sentimentos,

Deixo-me quedado ao sol

Dando comigo dançando com o vento.

 

Não encontro calor nas coisas

Se não naquelas que foram criadas para nos aquecer.

Não me identifico como par com tantas outras

Se não naquelas que, abandonadas como eu,

Abraçam-me a solidão cansada.

 

Não me chega a poesia

Pois com ela invento a escrita.

Faço amores que não existem,

Sinto as gotículas de maresia que não me percorrem,

Escrevo acerca dos ventos,

Das noites escuras

E nelas, também, a luz da lua.

 

(Mas não vou eu lá fora

Explorar esse alarido todo, que se chama vida...)

 

E como brilha ela, lá tão distante!

E eu aqui, guardando-a no bolso

Para dar brilho à minha noite;

Só assim, roubando-a para mim

Que posso também ter a negritude iluminada.

 

É isso que sou, quando afastado das palavras.

Furtador do brilho alheio,

Propagador de pensamentos quebrados...

 

Fosse a poesia a minha vida

Que desejaria-a mais que a própria eternidade.

Para quê ser eterno, ainda penso,

Quando já esta vida levo carregada.

 

Nas palavras edifico casas

Onde me abrigo nas tempestades fortes,

Ou que me sento aconchegado nos dias solarengos

Ouvindo as longas conversas dos vizinhos,

Esses que também dei voz e alento...

 

Quero eu fazer o quê?

Viver na poesia?

A poesia não me chega.

Ou talvez seja eu, que não sirva para ser poeta.

 

 

 

12.Out.18

Os silêncios que deixo escritos...

Tal como o vento se exibe

Também eu me assemelho com ele.

Absorvo tudo por onde passo

Mas em lado algum realmente pouso...

 

Assim como o vento sussurra

Também eu me mudo,

Levando para longe os gemidos de amargura

Ficando-me num silêncio que faço prolongado.

 

Na quietude devassa da noite,

Altura essa em que revejo a vida,

Faço eu do pensamento a minha

Julgando culpados e inocentes;

Abro ao silêncio esta boca minha.

 

Gostaria de ser mais que vento.

Mais do que apenas passar sem nunca me sentir inteiro.

De ocultar mais do que o pensamento por fora, ele por dentro.

Mas faço do meu silêncio palavras,

Essas que não faço existir porque não as profiro.

 

É assim que me deixo desvanecer numa folha de papel,

Onde sinto que já sabe ela tanto de mim.

Onde me acolhe todos os silêncios que deixo por aqui...

 

São em poemas onde os silêncios deixo escritos.

 

 

 

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