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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

29.Nov.18

Furão (de sentimentos)

Alternei o sol pela lua.

O dia solarengo pelo ambiente frívolo;

A constante suposição de que por detrás da cortina nublada 

Estará algo incerto, mutável, coisa de pouco valor pois não se afirma...

 

Sei eu hoje o que tanto se escondia,

Não fosse eu quem se levanta de noite ao invés do dia,

Que à lua uiva e que o sol repudia;

Um jogo das escondidas, que faço sozinho para meu desalento e não divertimento.

(Por aí algures ando perdido).

 

Pensando não estar longe

Tanto percorri que cansei este caminho:

O solo desidratado, o trilho desgastado,

Várias depressões, tropeçando eu nalgumas,

Caindo mesmo noutras.

 

Habita a mente como cética de si mesma,

Nestes corredores estreitados pela escuridão.

Tanto já fiz eu, até do fundo fazer chão

Ou mesmo no seu interior conectar vários pensamentos como túneis

Conseguido interligar alguma informação.

Mas encontro-me como um furão desesperado pela toca de onde entrara,

Fazendo de saída a sua própria sepultura...

 

Enterro pensamentos e sentimentos,

Origino fantasmas que tão pouco já me oferecem medo...

Esqueceu-se a mente que eu sou gente

E vive demente, comigo adentro!

Tão pouco sei o que é viver, nada conheço da vida,

Leio páginas brancas do livro que o mundo me ofereceu

E tão pouco sei o que nele escrever, sendo eu um furão de sentimentos.

 

25.Nov.18

O meu lugar

Diversas vezes me questiono onde pertenço. Onde faço falta. Mas onde pertenço ainda não sei, e sou eu de quem falta sinto, não o contrário.

São raras as vezes que o faço, que penso em ti. O que o faz doloroso é o começo ser interminável. Imagino a minha solidão com companhia. Só eu e tu onde quer que o sol brilhe ou a lua ilumine.

Finge a minha mente os teus abraços, os teus lábios nos meus. Ilude-se o meu corpo de os sentir, os meus olhos de te ver. Mas tudo isso sei que não é real. Ao meu lado sei que não estás, à distância sei que não te encontras.

Mas como disso sei, também o deves questionar.

Não aprendi a amar (não se ensina nas escolas ou lê-se em livros), nem sentir o faço da forma que gostaria. Mas é a forma como assim se revela. É um sentimento que não altero, que o demonstro como assim se originou. Por ser (m)eu não sei se não (m)o queres... Mas ofereço-te a ti.

Nunca foi fácil para agora se mostrar dessa forma. Mas também nunca foi o desafio que se opôs entre nós. Se foi coisa do destino, não o acredito. Se foi coisa nossa, então que se dane e de novo se faça! A minha criança chora, como quando uma mãe não compra aquele brinquedo que se encontra nas montras, fazendo os olhos brilhar com o reflexo do vidro.

Assim brilham os meus olhos (de lágrimas), ao olhar para ti. Não que sejas um brinquedo (e muito menos meu), mas onde se deposita o amor e o carinho que se tem assim como nele.

Nunca pensei no fim. Mas para ser sincero, nunca realmente começou. A minha procura é insensata, as minhas escolhas descendentes dela... Ah! Se soubesse amar!

Se o fizesse tinha-te a ti no meu colo, partilhando caricias, trocando beijos... Tinha-te sempre presente sem a dor de pensar em ti, mas a paixão que o meu ser consegue apresentar.

Viveria-mos longe de tudo porque tudo éramos nós dois. Faríamos assim a vida. Imagino um grande lago rodeado das mais altas árvores para nem os céus nos olharem, um pequeno trilho que nos guiaria para a nossa pequena casa com o seu grande alpendre onde dormiria o nosso cão (que sim, tínhamos que ter um!), de vista só queria mesmo os teus olhos, os teus cabelos, o teu sorriso. Queria-te comigo, presente e na mente. Em ambos não queria pensar com dor, não queria te ver com lágrimas se não das mais puras de felicidade.

Faríamos longas caminhadas, saltando e cantarolado com os animais que connosco seguiriam. Viveríamos rodeados da natureza, da beleza dela e longe de todas as coisas artificiais, porque contigo só o mais puro e verdadeiro.

Abdicava de mim para me oferecer a ti. Pois a minha mente noutra coisa não vive se não contigo e em ti. E que fosses o meu pequeno diário onde tudo te contava, do menos ao mais profundo. E que de ti ouviria tudo! E juntos viveríamos, sozinhos e connosco, porque um são dois e dois são um.

O meu lugar é ao teu lado.

24.Nov.18

Sangue

Encontro-me em jardins esquecidos,

Emaranhando-me entre ervas e espinhos

Sujando as botas de lama e salpicando a rosa que levo branca

Encostada ao peito,

Ouvindo-me pulsar ao abraçar-me o coração.

 

Os trilhos por onde caminho apresentam-se abandonados,

Os canteiros circundantes tombados, as flores transparentes, sem cores...

Prevaleceu o selvagem, onde habitara outrora alguém muito próximo

A quem hoje me escuta. 

- Irei levar-te a casa!

 

Não te conheceria, flor minha, se não me tivesses sido oferecida.

És de um branco que não via, pois cego vivia

Esta minha vida, que começo agora a me arrepender.

O teu caule verde vivo, esperando encontrar o solo que te chama,

As tuas pétalas branco puro, como a ternura das folhas que em si recitam poesia.

 

Ah, vida... Que sempre quis dizer minha,

Onde estavas quando por ti perguntei?

Ignoraste-me o chamamento, tornando-te nómada em pensamentos,

Bárbara em relações...

Morta, por momentos...

 

Anda daí, minha rosa, estamos perto

De te encontrar um lar!

Tudo aqui são roseiras sem flor,

São canteiros sem amor,

São passados que não viram a luz do sol...

 

Bem, chegou o momento, minha pequena,

Aquele que por tanto tu e eu anseia!

Dormirei aqui contigo, pois não te abandonarei,

Mas serás a única que me terá por dentro...

Toma, faz-te vermelha com o sangue que te ofereço

E utiliza-o como semente, da vida que faremos!

 

24.Nov.18

Pulsar

Intriga-me a vida, do quão simplista se revela.

 

No colosso oceano, a vida que nele não habita?

São os cardumes, voando num céu só deles,

Os corais oferecendo cor aos seus habitantes, quais flores num jardim encantado

E as estrelas, qual mundo invertido, brilhando de baixo para cima!

 

Na superfície terrena os bosques, que pintados de verde foram pela vida

E preenchidos foram com ela!

São os esquilos criando abrigos,

Os veados elegantemente caminhando, erguendo os machos as suas hastes!

Os javalis chafurdando, quais crianças brincando.

Os pássaros orquestrando o hino da madrugada, dos seus ninhos,

Despertam os restantes.

 

As árvores pulsam dentro de si,

As suas raízes penetram-se no solo,

A sua seiva desperta-lhe e fornece-lhe a vida

Como sangue que lhe corre nas veias!

 

Nos céus pairam as aves de rapina,

Com os seus olhos aguçados mirando a terra.

Manobrando-se artisticamente entre as nuvens

Qual avioneta de provas.

 

No espaço, as estrelas flamejantes iluminando o céu!

O sol no seu tempo brilha, depois dele a lua.

Reflete-se a vida do infinito até ao mais profundo ser que na terra habita,

Das estrelas do céu às estrelas do mar,

Do espaço do universo ao céu marítimo,

Das nuvens condensadas ao nevoeiro denso entre as árvores,

Do pássaro que no seu voo se encontra, e naquele que aprende a utilizar as asas.

 

A vida pulsa! Desde o infinito ao desconhecido...

E no ciclo de pulsar, entre um e outro batimento,

Ambiciona o ser por mais um momento

Para poder ver o sol nascer!

 

23.Nov.18

Novo projeto

Tenho ultimamente me apercebido que as (minhas) palavras carecem de sentindo estando sempre eu fugido. Tudo o que apresento são inícios, por vezes apenas teorias, e vejo-me dizer tanto, sem terminar nada...

Em mim habita o medo do fim, do inútil... O receio de que se terminar nada igual irá começar, e emaranho-me em inícios qual arame farpado cortando-me a pele, aos poucos. Um novo inicio origina um novo golpe, mais uma ferida, mais um limbo que fiz existir ao não pertencer à minha criação, ao meu feito, deixando-o abandonado depois de lhe dar nome e feitio... Um fantasma que crio, ficando esse rodeando a minha mente.

Sinto que esta mentalidade, de nunca procurar um fim, que até acho um pouco contraditório sendo eu alguém que gosta de um desfecho, de um objetivo para a criação apresentada, mas por mais que me aprofunda, por mais que me entranhe, nunca lhe chego ao fundo, nunca sou o que me vi ser... 

Chega. Cansei-me de dizê-lo e não atuar... Eu sei que sou assim, o problema já o tenho revelado... As soluções também vão aparecendo, mas eu apenas caminho sobre as mesmas, escrevo e falo das mesmas, penso e sinto-as, mas não as agarro.

 

Como método para combater este mesmo defeito decidi, depois de novamente me ver a saltar entre este projeto, comprometer-me a, para além de para mim mesmo*, para quem me lê, escrever um conto/narrativa que tenho há algum tempo em mente.

Não vou referir prazos, até porque sendo um quase ''livro'', vou deixando a apresentação completa por capítulos, sendo que será com uma grande discrepância a publicação de um em relação ao outro (tendo assim optado não ir publicando consistentemente, mas com uma quantidade aceitável de história entre uma e outra publicação - como nas séries de TV hehe).

A informação deste projeto irá ser melhor apresentada no blogue que tenho especificado para o mesmo (que está privado no momento enquanto vou editando o mesmo, e esperarei abri-lo após a finalização do primeiro capítulo, como já o tinha afirmado).

 

*Em relação a fazê-lo mais por vocês do que por mim é de sempre me rever a ser mais prestável para os outros do que sou para mim mesmo... Revejo-me despender de mais tempo (e qualidade do mesmo) ajudando os outros, do que para mim, que esse estilo de mentalidade que apresentei lá em cima, se revela e está fundo em mim... O de continuar, o de começar algo (mesmo que mentalmente) e deixa-lo lá, vagueando, nunca lhe impondo um prazo para estar completo ou oferecendo-lhe um lugar concreto do que queria fabricar com isso... E é vendo-me ''fraquejar'' na realização deste projeto que decidi impor-me esta condição: Não estarei só eu envolvido... A ver se a mente decide dar-lhe um avanço!

 

Peço desculpa por não adiantar nada, até porque o que tenho realizado são uns quantos ficheiros descrevendo rumos e personagens, a história em si está no seu inicio, e é esse inicio que eu quero terminar! Este farei para isso... vim só cá vos pedir apoio, é isso... 

Hehehe.

 

Num post futuro irei falar acerca do tema do ''livro'' e em como este irá estar organizado no blogue para navegação dos seus usuários, mas como me tenho apercebido (e até ter sido mesmo daí esta minha ideia), já não é novidade alguns participantes do Sapo Blogs reservarem um blogue específico para a criação de uma narrativa, com uma história longa e contínua.

 

Agradeço desde já quem acompanha este meu cantinho, que me fazem sentir tão ou mais em casa de onde realmente habito... Tornou-se um lugar onde deixei o meu silêncio deambular, e consegui «ser-me», por mais distinto que por vezes me veja, sei que sou eu, aqui aos bocados, e que me vou revelando a mim mesmo, aos poucos... Mas isso foi devido a vocês, que ouvindo os meus silêncios me indicaram quais percorrer, qual deles fazer sonoro, qual ignorar... Obrigado! Mesmo a quem não comenta, acreditem, saber que alguém desse lado despendeu um pouco de tempo com interesse em algo que deixei apresentado, eu já fico maravilhado! 

 

 

22.Nov.18

...

Crava-me fundo as garras

O lobo que se escapou das suas amarras!

 

Os seus olhos vertem sangue

Quais lágrimas de dor pungente,

A sua boca saliva espuma

Qual mar bravio percorrendo a costa!

 

Por dentro percorre-me a bruma

De pensamentos, aos quais não os entendo

Pois tudo em mim fez-se nevoeiro;

Muralhas que construí, terrenos que plantei...

 

O lobo atravessa agora o solo singelo

Cravando-se em mim, rasgando ferozmente o nevoeiro,

Abocanhando-me de uma só vez

Deixando-me num total vazio, negro.

 

18.Nov.18

Just Myself

(áudio)

 

I am a man who walks alone,

In this roads i once called home.

 

I've seen the dark i've seen the light,

In my mind,

With my own eyes

 

And in darkness i see a face,

My own self,

Lost and forgot.

 

In the light i see a ghost,

A mere shadow of his true form.

 

All and all i'm just myself,

Just a man living in both worlds

 

All and all i'm just myself,

A lost soul living in two worlds.

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