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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

17.Nov.18

Conhecimento

Começamos a conhecer assim que abrimos os olhos, e com o tempo a apercebermo-nos de que o 'Eu',  cá dentro, são vários 'Nós'.

É de cada um decidir quem saciar, quando o desejo tão humano de querer nos envolve e se espalha. É de cada um escolher se o fará para si, ou se o quer fazer para se mostrar. 

O que pensamos, também algo tão humano de se fazer, fazemo-lo com outros, mesmo que isolados. Quem escreve, lê e fala nunca está sozinho, pois já consigo encontram-se centenas se não milhares de anos de vida...

Todo e qualquer tipo de conhecimento, se não for ele cientifico ou matemático, não existe, ou será ele temporário... Pois conhecimento revela-nos o passado, o que fomos, o que quisemos, para utilizar isso no futuro... Mas o tempo muda.

O mundo, ainda mais nos dias de hoje, foge ao homem ao segundo, sendo que o real e acertado conhecimento será o de não conhecer nada. Tudo sendo novidade, o homem é sempre parte de onde está inserido. Se lhe vem à mente as memórias, as histórias, o passado, a antiguidade.... Então o homem perdeu-se do presente, pois sentirá a saudade de viver num mundo a que não pertence... 

16.Nov.18

Vazio

Já não sei mais o que me dizer. Já nem me recordo do que realmente disse, pois a mente fez esquecer. 

Questionava-me acerca do ser, do querer e do fazer. De tudo isso deixei de querer saber...

Embriaguei-me num vazio e atravesso este limbo, acarretado pelas guias do meu saber, essas que perdi, fazendo-me vaguear onde nada reconheço. 

É estranho como tão atrativo se revela, como engodo na ponta de um anzol. Infelizmente vejo-me aprisionado, já ele me encantou e puxa forte... Porque quis eu isto? 

De todas as coisas cansei-me daquela que fazia-me eu... Agora? Não me conheço, nem sei o que conhecer... Tanto pedi, tanto nisso pensei que agora, quando o alcancei, esqueci-me do porquê de o querer... Já em nada penso, para quê ignorar agora o que não existe? Havia algo no pesar da mente que me fascinava, mas de tão pesado que se tornou que a deixei guardada e fechada, num qualquer baú que perdi, estando agora esse enterrado. 

Para mim, que me leio, memoriza isto: Não penses no que queres pensar, pois fi-lo... Sonhei alto demais, tão alto que me fiz ouvir, tão alto que fez-se ouvir... Um pensamento que tinha guardado para o final. Para que fiz eu o meu fim, na primeira linha na história que queria contar?

Os quantos nomes não me chamei, o quanto não me obriguei a lutar... Para no fim revelar-se a fraqueza que me percorre, fazendo-me nunca olhar para trás. Podia ter mudado certas coisas, podia ter feito tantas outras, mas preferi não perturbar o silêncio que em mim crescia, que me confortava quando à noite tremia... Agora abandonei a fraqueza... Deixei-me numa valeta funda, e percorro a estrada que a persegue, sozinho, pois nem comigo fiz companhia... Para quê isto, sabendo que no fim haverá outro buraco para mim... Para mim, como soubesse quem escreve isto... Conhecia-me, sabendo quem era e o que odiava, tudo isso sendo passado, desconheço o que há em mim, no momento. 

Pedi para esquecer, e já não me recordo do que queria ser, depois de esquecido. Pedi ao vento que me ensinasse, e voei como ele, perdido. Pedi às árvores que me aconselhassem, e estagnei, sentindo apenas a vida correndo em mim. Gritei às pedras que me ajudassem, e endureci, a dor que sinto, sinto-a para a sentir, depois esqueço-me do que é sofrer. Mergulhei no mar para me guiar, e lá me levou ele, atravessando as ruas batizadas, os afazeres da populaça, e uma figura estranha, sem nome, perdida da sua alma, ali transitava... Chamei-a, mas tornou-se sombra e por fim nada, já o mar a lavava, purificava e enviava para um sítio longe, onde não sei a morada.

Não me recordo do porquê, de pedir para não pensar... Sei que deixei de o fazer, pois não me lembro de nada. Sabia que queria começar de novo, que tinha abandonado a escuridão que me percorria, mas sem esse casaco que tão orgulhoso vestia, não encontro mais nada.

Talvez seja assim que um ciclo realmente funcione, e que todo este vazio não seja ele em vão para todo este emaranhado sentimento, de querer sentir sem sofrimento. Conheço agora o quão insignificante é o desejo, pois nunca o quereremos realizado, não como previmos ou tínhamos guardado. 

Sucumbi ao peso de pensar. Caí estendido no solo macio do vazio mas despertei desse sono cansado, com a dor que tão bem conheço, a dor que tanto admiro, a dor que sinto!

A minha, não a do vazio, que essa abominação nem dor oferece, quanto mais um sorriso! A passividade não me pertence, pois o homem nasceu para ser agressivo! Vive para dar voltas à mente, para se atirar dum abismo, para correr num lamacento trilho e se atirar num lodoso rio! Porquê? Para quê? Porque sempre soube que no final havia algo, não um vazio...

Quero ser homem... Não um ambulante deambulado, chega de não ter caminho...

Mas ceguei-me, e por mais que a mente pense, também adormece, entregando-se à facilidade que é descansar calada... Não encontro onde ir. Não sei onde começar e por mais que tateie ao meu redor, sinto apenas paredes negras, carregadas de ódio, geladas ao tato do tanto que ainda carregam de solidão... Para o centro delas não quero voltar... Essa entrada que permaneça fechada, e espero que selada, para nenhum erro se dar... Sei que há algo mais que isto dentro de mim... Mas não sei onde encontrar.

 

Sei bem o dia em que selei o lobo que me consumia... Mas também me recordo do momento em que lhe tive carinho, e não o abati, deixando-o apenas perdido. Não me conheço sendo vingativo, mas sei lá eu já o que sou ou o que faço... Sei lá eu o que me tornei, ignorando o que fosse que pensasse... 

Impressiona-me o quão bem fiz este trabalho... Pois será com experiência própria que saberei o que silêncio significa, o que o vazio revela, por detrás da cortina. Mas para que quero eu explorar estas coisas, ainda me intriga, como se o homem vivesse isolado... São indivíduos, cabecinha minha, mas cooperam, e fazem mais do que estar calados! Para quê descobrir o silêncio, ou aprofundar-me tanto nele, sendo que se revela descontextualizado? 

Não vivo num mundo silencioso, então que não faça a vida num silêncio! Tanto escondi e não revelei que fiquei sem nada! Onde estou eu, nesta história que deixo contada? Comecei a escrever quando, e que palavras me via a apresentar? 

- Sou o ¿? e fiz (             ).

Uau, fiquei impressionado. Incrivelmente apresentei aí o que sinto.

Voltou o cansaço mas esse ainda não se revela de rastos, pois nem sabe por onde começar. Voltar a pensar é fácil, recomeçar a caminhada é simples... Mas nunca me vi capaz de seguir o trilho que tinha delineado, ou acompanhar um pensamento por tempo ilimitado... Perco-me do caminho, abandono o que pensava... Caminho perdido, penso cansado. 

Mas no meio de tudo isso sentia algo, sabia que estava ali, que estava acordado... Agora, faço-me para abandonar este fardo, este vazio que quis meu mas que o quero apenas emprestado, cansei-me... Cansei-me de não estar cansado!

 

 

12.Nov.18

Eterno

Hoje observei as árvores,

As suas toscas formalidades

As suas folhas caídas, as mais resistentes num suspenso cansado,

E o pensamento que me atingiu foi o das suas idades.

 

Anciãs da natureza,  como as nascentes e as pedras,

Estas guardam sabedoria.

Nas árvores há vida, e há o tempo que a prolonga

E elucide que a existência só não predomina.

 

Num abraço ancestral o novo galho ramifica-se

E, das suas raízes, bebe o conhecimento da vida

Prologando assim o curso natural da própria natureza

Que é em existir plena.

 

O homem perdeu a sua linhagem

E o que perdurou foi a malícia...

Abandonou a sabedoria antiga por mera luxuria

Vendendo o passado pensando alcançar o futuro...

 

A árvore vive eterna nas mais antigas eternidades,

Pois o homem, assim como Júlio César, viu, veio e venceu...

Mas ficou sem nada.

Resta-nos uma vida assombrada, pelos fantasmas que deixámos ignorados...

 

O aperto que sentimos no peito

É a natureza a chamar-nos...

 

As árvores, são como a eterna saudade;

Ramificam-se, espalham-se, morrem e renascem

Tudo a partir das mesmas sementes

Em que foram criadas

 

05.Nov.18

Há mar

O quão aprendo que se torna em nada... Que quero fazer, onde quero ir? Pergunto-me tantas vezes que me esqueço de avançar. 

Dar tempo... Dar tempo... Pronto, já dei. Gostei, foi engraçado... Mas já estou cansado... 

Há aquela vontade de mudar, sem que se queira mudar nada. Cansei-me desse cansaço, que em todo lugar fez casa.

 

A música teve inicio, e o seu acorde musical prolonga-se e vibra, ainda!

Nunca fui bom a tocar nenhum instrumento, mas este cá dentro marca o ritmo, pulsa e grita e mostra-me que tenho vida! 

Já dancei desenfreado, já sorri do escárnio, saltei e rebolei e saí da chuva encharcado... Mas não chega. Nem eu quero que chegue... A chuva que caia e que eu a receba sempre, mas falto eu entre as gotículas que caiem, também eu preciso de fazer algo. 

O que quero? Não vou voltar ao erro de querer, simplesmente... Aprendi melhor... Ensinaram-me melhor... 

Sorrir do que me faz feliz. Abraçar o que me acolhe, mesmo que estando gelado e não querendo resfriar o calor acolhedor.

Abandonar as letras, um bocado, e molda-las nas palavras que nunca se fizeram som. Encontrar-me além do que penso ser, mas naquilo que faço. Mas tenho que fazer algo!

 

 - - - -

 

Deixei de contar os dias, e encontro-me próximo dos vinte anos... Por vezes brinco que me esqueço da data do meu aniversário, mas o quão não seria isso verdade? Hehehe

Não me interessa dela, nem da idade nem da data, as duas passam com o tempo, e o tempo sem mim não me faz nada... Sou eu que tenho que marcar esses dígitos, cá dentro, e realizar-me o que significam... Sou eu que tenho que agarrar o tempo, e não o contrário. Gostei muito dele, vendo-o a passar... Conheci uma pessoa fantástica, que vos está agora aqui a falar... 

E acreditem ou não, nem fui eu a me apresentar... Tanto tempo que dei ao tempo e nem um olá me soube dar, hahaha... Ah...

Agradeço muitas vezes, e esse agradecimento é sentindo da mesma forma como todas as outras, e não o vou esquecer, pois será sempre essa a base de onde me vi começar esta mudança, mudança essa que vejo clara.

Mas deixar-me das palavras... Essa necessidade é me sempre tão forte, pois com as palavras revelo o belo como o obscuro. Participo no jogo e mudo-lhe as peças, altero-lhe os sentidos... Chega! Calma... 

Não vou mudar o mundo. Posso nem vir a mudar nada. Mas se chegar ao ponto de conseguir viver com tudo como está, que tenho eu a reclamar? 

Começa por mim, agarrar isso e não desprezar... Largar o ceticismo e atirar-me ao mar... O nadar aprende-se com instinto, chega de teorias quando não as consigo na prática apresentar. A vida não se vive em teorias, e dessas fiz eu a minha.

Reconheci o fútil que todos acabam por revelar, as conveniências que todos se mostram agarrar... Mas sei que existe mais que isso; e porque haveria de desistir de o buscar, apenas porque nesta zona onde me acho encontro-lhe apenas pedras e corais mortos no solo, esse já seco do sal que se perdeu do mar?

Há mar. Tenho que largar a costa, e ir ao seu encontro. Ou estou à espera que um navio ancore na margem? Não... Não cabe lá, não foi feito para pisar o mesmo chão onde o falso paira. É necessário uma base profunda como o oceano para deixar a imensidão por conhecer ancorar.

 

 - - - - 

 

Deixando-me de metáforas... Um obrigado ,*

 

 

 

 

*(e a este não lhe dou um ponto final... Dar-lhe-ei seguimento, agradecerei o que sinto por inteiro! Há que mudar... Há mar!)

04.Nov.18

Far away

I whisper to the wind,

And it carries the words, far away.

 

I sit down on a rock,

And i feel how cold it is, there alone.

 

I hug a tree

And no matter how grasp it never leaves its way.

 

I'm so far away, from where nature is.

So far away from where my hearth was.

 

Been crossing bridges, and watching those rot, at distance.

Been finding myself, as lost for everyone else.

 

I travel light. I carry only myself since the river divided

What was mine of someone else.

 

The rain drops cold, and the skies turn dark.

The sun shines high, and the green gives its pastures light.

 

But i'm still so far, so far away of forgetting the thinking

And start living my life...

 

I can't abandon the walls that gave me shelter,

But i can't stand how dead i feel inside.

 

Maybe one day i stop whispering

And carry on, following the wind.

 

Maybe one day i sleep on that rock

And feel how warm and nice, solid stone reveals.

 

Maybe one day that tree hugs me back

And welcomes me below its branches.

 

A day that seems so far...

 

 

03.Nov.18

Dreamy child

Been dreaming even before i knew how to talk,

All simple things, as the comfort of family

Or that colorful light upon my crib.

My very own sunshine.

 

That simplicity never vanished,

I think i ask now less than i did before,

Is just that... Words, came along...

And life became more than smiling and crying over a minute alone.

 

I never cared less for what i was doing,

Somehow i felt that this wasn't my time,

This wasn't my life, this had nothing to do with dreams.

Life became a lie, and i never trusted myself since then.

 

I've hidden, words, feelings, everything that was mine

Cause i didn't wanted those in a world of lies,

And i became nothing but a dreamer in daylight,

Making lives of all different kinds.

 

I can't barely remember which one is now mine,

Or wich dream i had chosen to carry on.

My life became now a pile of broken thoughts,

My dreamy child is now a whisper of his former shout.

 

 

01.Nov.18

Segredo

Pernoito em pensamentos que faço fartos,

A lua ilumina-me os sonhos e as estrelas recolhem-nos

Para que possa rever-lhes uma outra vez,

Sempre que os recordo.

 

Para o mais grandioso sonho reservei-lhe a mais brilhante estrela,

E ilumina ela os dias que seriam negros, caso se abandonado me deixasse

Num qualquer beco escuro sem alegria.

Não, esta brilha e eu deixo a noite dar lugar ao dia.

 

O ser guarda-se no tempo, mas o tempo não tem lugar cá dentro.

Sentimo-nos envelhecer como as flores que esperam o outono friorento ou o inverno rigoroso

Para as suas pétalas largar,

O que temos sabemos um dia perder, o que pela frente nos depara revela-se sempre um mistério;

Tal como com que cores nascerá a nova flor, depois de magoada.

 

Eu... não cheguei a nascer para ter cor,

Nem pereci por não chegar a viver.

Recordo-me do silêncio, das palavras que só disse a mim mesmo.

Guardei um segredo meu para mim mesmo, e fiz um raio de um bom trabalho...

Para meu desalento.

 

Sei que me ouvias, apenas entre olhares.

Uma coisa é o silêncio outra é a mentira, e eu só fui bom num...

Fiz-me mudo às palavras e cego aos momentos...

E assim ficou o nosso segredo cumplicio.

 

Não soube fazer mais... Escondi-me entre o sonho e o real

E pouco fiz, se não sonhar cada vez mais baixo ou viver de rastos...

Quebrei um segredo que não soube guardar.

 

Um segredo que no fim, não soube contar...

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