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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

26.Jan.19

...

(Só existe um silêncio capaz de perturbar a continuidade de uma onda de som...)

 

Calem-se os barulhentos,

Cessem os circos, os palcos e os espetáculos,

Acabem com a raça daqueles que se dizem nascer iluminados

Pois esses de nada sabem!

E escutem... Oiçam... Mas não a mim; isso! Esse mesmo...

Esse silêncio que a leitura provoca, pois a voz que se ouve ao ler é a nossa!

 

Não há andorinhas no mar

Assim como não há peixes nos beirais dos telhados.

A Natureza dentro de si mesma, é Natureza.

O Homem, o Homem nada é e sabe ser,

Desfigurando-se e apodrecendo lentamente 

Tudo isso na tentativa de desvendar se viver vale a pena.

 

Escrevem poesia como quais ciganas que leem a sina,

Correndo atrás do que pensam ser destino,

Ou esmagando e afunilando sentimentos

Tudo isso para se escreverem - Como nem sequer são!

 

Conhece lá o Homem o que sente,

Sabe lá o Homem sofrer ou regozijar-se,

O que tão bem provoca, (e isso não o nego),

É o sentimento que consegue criar; de que não vale nada...

 

Eu já cansado ando, de escrever tanto sobre quem nem sequer conheço.

E se, depois de entregar as minhas escritas, essa pessoa nem sequer se reconhecer?

E se, depois de tantos sonhos fabricar, essa pessoa nem goste de sonhar?

E se, mesmo que conhecendo todas as palavras, das mais ordinárias às formais, essa pessoa preferir ouvir o vento rasgando todos os papeis que carrego das mais belas histórias que o homem poderia contar?

 

Prolongamos o inevitável a cada segundo que a vida se arrasta...

Carregamos um silêncio negro, esse que receamos por obra de algum feitiço iluminar.

Julgando de priori a sua própria existência, assim vive o homem:

Morrendo...

 

16.Jan.19

Mundo de nadas

Corram.

Fujam das palavras como quem evade-se do tempo, e sejam mais que tempo nas palavras.

Germinem-se gente por dentro e evitem às palavras atribuir sentimentos:

Somos mais que isso; o nosso peito assim o sente.

 

Quantos manuscritos não estão perdidos, quantas cartas não estarão rasgadas,

O quê senão puro amor de um canto escuro viu-se libertado?

 

O constante equívoco entre sentimentos e pensamentos origina a prisão da mente

Não reconhecendo mais essa a criação da espontaneidade.

Música revela-se como engrenagens emocionais para o lado sentimentalista da mente;

Essa descodifica vibrações, e oferece-nos aquilo que supostamente deveríamos sentir:

Quem sou? Criação de mim mesmo? 

 

Demasiado em nada penso, pois no vazio perco-me facilmente e eu gosto de vaguear perdido.

Deparo-me regularmente nas minhas viagens em destroços irreconhecíveis; fragmentos de ideias e sentimentos que um dia talvez tive.

Provavelmente mais uma imaginação minha, pois caminhava num mundo de nadas.

 

 

12.Jan.19

A ciência da terra, o Deus do homem

(...) «A medicina, as comunicações eletrónicas, as viagens espaciais, a manipulação genética... são estes os milagres que hoje contamos aos nossos filhos. São estes os milagres que apresentamos como prova de que a ciência nos trará respostas. As antigas histórias de imaculadas conceições, de sarças ardentes e de mares a abrirem-se deixaram de ser relevantes. Deus tornou-se obsoleto. A ciência venceu a batalha. (...) 

«Mas a vitória da ciência costou-nos a todos. E custou-nos caro.

«A ciência pode ter aliviado as misérias da doença e do trabalho penoso e criado uma panóplia de artefactos para nosso entretenimento e conveniência, mas deixou-nos num mundo sem encanto. O pôr do Sol foi reduzido a comprimentos de onda e a frequências. As complexidades do Universo foram dissecadas em equações matemáticas. Até o nosso valor como seres humanos foi destruído. A ciência proclama que o planeta Terra e os seus habitantes são apenas um ponto insignificante num grandioso esquema. Um acidente cósmico. Até a tecnologia que promete unir-nos nos divide. Cada um de nós está agora eletronicamente ligado ao mundo inteiro, e, no entanto, sentimo-nos irremediavelmente sozinhos. Somos bombardeados com violência, divisão, fratura e traição. O ceticismo tornou-se uma virtude. O cinismo e a exigência de prova tornaram-se pensamento esclarecido. Será de espantar que os seres humanos se sentiam hoje mais deprimidos e derrotados do que em qualquer outro momento da sua história? Haverá algo, seja o que for, que a ciência considere sagrado? A ciência procura respostas investigando os nossos fetos ainda não nascidos. A ciência presume, até, rearranjar o nosso próprio ADN. Retalha o mundo de Deus em peças cada vez mais pequenas em busca de significados... e tudo o que encontra é mais perguntas. (...)

«A guerra antiga entre a ciência e religião terminou. E vós ganhastes. Mas não ganhastes lealmente. Não ganhastes trazendo respostas. Ganhaste reorientando tão drasticamente a nossa sociedade que as verdades que antigamente víamos como sinais indicadores parecem agora inaplicáveis. A religião não conseguiu manter-se a par. O crescimento da ciência é exponencial. Alimenta-se de si mesma, como um vírus. Cada descoberta abre a porta a novas descobertas. A humanidade demorou milhares de anos a progredir da roda até ao automóvel, e umas escassas décadas para chegar do automóvel à nave espacial. Hoje, medimos os progressos científicos em termos de semanas. Rolamos em roda livre. O abismo que nos separa alarga-se cada vez mais, e à medida que a religião vai ficando para trás, as pessoas dão por si num vazio espiritual. Gritamos por um significado. E, acreditem no que vos digo, gritamos mesmo. Vemos OVNIS, praticamos o channeling, o contacto com os espíritos, as experiências extra-corporais, sondamos a mente... e todas estas ideias excêntricas têm um verniz científico, mas são despudoradamente irracionais. São o grito desesperado da alma moderna, solitária e atormentada, estropiada pelo seu próprio esclarecimento e pela sua incapacidade de aceitar significado em qualquer coisa que se afaste da tecnologia. (...)

«A ciência, dizeis vós, salvar-nos-á. A ciência, digo eu, já nos destruiu. Desde os tempos de Galileu que a Igreja tem tentando abrandar o inexorável avanço da ciência, por vezes recorrendo a meios errados, mas sempre com uma intenção benévola. Mesmo assim, as tentações são demasiado grandes para que o homem possa resistir-lhes. Digo-vos, olhai à vossa volta. A ciência não cumpriu as suas promessas. Onde prometia eficiência e simplicidade, criou a poluição e o caos. Somos uma espécie dividida e assustada... e o caminho que seguimos conduz à destruição.

«Quem é este Deus-ciência? Quem é este Deus que oferece ao seu povo poder mas nenhum enquadramento moral que lhes diga como usar esse poder? Que espécie de Deus dá fogo a uma criança mas não a avisa dos seus perigos? A linguagem da ciência não traz instruções a respeito do bem e do mal. Os compêndios da ciência dizem-nos como criar uma reação nuclear, mas não incluem qualquer capítulo a perguntar-nos se é uma boa ou má ideia.

«A ciência, digo o seguinte: A igreja está cansada. Estamos exaustos de tentarmos ser os vossos sinais indicadores. Os nossos recursos esgotam-se no esforço de ser a voz do equilíbrio enquanto vós avançais às cegas na vossa procura de chips mais pequenos e lucros maiores. Não perguntamos por que não vos governais a vós mesmos, e sim como poderíeis fazê-lo. O vosso mundo move-se tão depressa que se um de vós parar, por um instante que seja, para ponderar as consequências das suas ações, um outro mais eficiente ultrapassá-lo-á num ápice. Espalhais por todo o lado as vossas armas de destruição maciça, mas é o Papa que percorre o mundo a pedir aos líderes que usem de prudência. Clonais criaturas vivas, mas é a Igreja que nos recorda que devemos considerar as implicações morais das nossas ações. Encorajais as pessoas a interagir através de telefones, ecrãs e monitores de computadores, mas é a Igreja que nos abre as suas portas e nos lembra que devemos comungar pessoalmente, como fomos destinados a fazer. Chegais até a matar crianças ainda não nascidas em nome da pesquisa que há-de salvar vidas. Mais uma vez, é a Igreja que denuncia a falácia deste argumento.

«E no meio de tudo isto,  não vos cansais de proclamar que a Igreja é ignorante. Mas, qual é mais ignorante? O homem que não é capaz de definir o relâmpago, ou aquele que não respeita o seu terrível poder? Esta igreja estende-vos a mão. Estende a mão a toda a gente. E no entanto, quanto mais estendemos as nossas mãos, mais nos repelis. Mostrai-nos provas de que Deus existe, dizeis vós. E eu digo-vos: usai os vossos telescópios para olhar para o céu e dizei-me como pode não existir um Deus!

«Perguntais como é Deus? E eu digo, de onde veio essa pergunta? A resposta a ambas é a mesma. Não vedes Deus na vossa ciência? Como é possível que não O vejais? Afirmais que a mais ínfima mudança na força de gravidade ou no peso de um átomo teria feito que o Universo fosse uma névoa sem vida em vez do nosso magnífico mar de corpos celestes, e mesmo assim não sois capazes de ver a mão de Deus nisto?

«Será verdadeiramente assim tão mais fácil acreditar que escolhemos a carta certa de um baralho de biliões? Estaremos na realidade tão espiritualmente falidos que preferimos acreditar numa impossibilidade matemática a acreditar num poder maior do que nós?

«Quer acrediteis ou não em Deus, tendes de acreditar nisto. Quando nós, como espécie, abandonamos a crença num poder superior, abandonamos também a nossa noção de responsabilidade... Com a fé, respondemos uns perante os outros, perante nós mesmos e perante uma verdade mais alta. A religião é imperfeita, mas só porque a Humanidade é imperfeita. Se o mundo exterior pudesse ver esta Igreja como eu a vejo... olhando para lá do ritual destas paredes... assistiria a um milagre moderno... uma Irmandade de almas simples e imperfeitas que desejam apenas ser a voz da compaixão num mundo que perdeu o controlo de si mesmo.

«Somos obsoletos? Estes homens são dinossauros? Eu sou um dinossauro? Precisará verdadeiramente o mundo de uma voz que fale em nome dos pobres, dos fracos, dos oprimidos, das crianças que ainda não nasceram? Precisaremos nós verdadeiramente de almas como estas que, apesar de imperfeitas, passam a vida a implorar a todos nós que atentemos nos sinais indicadores da moralidade e não nos extraviemos no nosso caminho?

(...)«Encontramo-nos à beira de um precipício. Nenhum de nós pode dar-se ao luxo de ficar à margem. Quer vejamos este mal como Satanás, corrupção ou imoralidade... as forças da escuridão estão vivas e crescem de dia para dia. Não as ignoremos.»

 

Excerto retirado do livro Anjos e Demónios, de Dan Brown

11.Jan.19

O futuro pertence ao passado

«Estamos todos controlados pelo passado, embora ninguém o consiga compreender. Ninguém reconhece o poder do passado» (...) «Mas se pensarmos bem nisso, chegamos à conclusão de que o passado sempre foi mais importante do que o presente. O presente é como uma ilha de coral que se mantém à tona da água, mas é composta por milhões de corais mortos que se encontram abaixo da superfície, que ninguém vê. De modo análogo, o nosso mundo de todos os dias é composto por milhões de acontecimentos e decisões que ocorreram no passado. E aquilo que acrescentamos no presente é trivial.

«Um adolescente toma o pequeno-almoço e em seguida vai à loja para comprar o último CD de uma nova banda. O miúdo julga que vive num momento moderno. Mas quem é que definiu o que é uma ''banda''? Quem é que definiu o que é um ''adolescente''? Ou até o ''pequeno-almoço''? Isto já para não falar em tudo aquilo que compõe o ambiente social do miúdo - família, escola, vestuário, transportes e governo.

«Nada disto foi decidido no presente. A maior parte foi decidida há centenas de anos. Quinhentos anos, mil anos. Este miúdo está sentando no topo de uma montanha que é o passado. E nunca se apercebe disso. É governado por aquilo que nunca vê, por aquilo em que não pensa, por aquilo que não conhece. É uma forma de coerção que é aceite sem ser questionada. Este mesmo miúdo é cético a respeito de outras formas de controlo - restrições dos pais, mensagens comerciais, leis do governo. Mas a invisível regra do passado, que continua a não ser questionada, governa quase tudo na sua vida. Trata-se de um poder real. Poder que pode ser tomado e usado. Porque, do mesmo modo que o presente é governado pelo passado, o mesmo acontece com o futuro. É por isso que afirmo, o futuro pertence ao passado.»

 

Excerto retirado do livro - Resgate no Tempo, de Michael Crichton