Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

20.Fev.19

...

Na sua mente um limbo surgiu

Onde os oceanos estagnaram,

As rochas quebraram,

E o mundo sucumbiu.

 

As árvores incendiaram

As aves emigraram

Os edifícios colapsaram,

A vida sumiu.

 

Nos seus olhos, tudo isso,

O retrato do fim do mundo,

Emoldurado nas lágrimas

Daquele que tudo perdeu... 

17.Fev.19

Sinto-me caminhar ao lado do mundo, e não nele

Sinto-me caminhar ao lado do mundo, e não nele.
Os rios que correm, vejo-lhes eu o fundo, a sua eterna queda num abismo de nada:
Cascatas infindas de desgostos e vidas.
Ah, fosse eu sentir as águas!

 

Os ventos e as árvores desprezam-me
Nas suas danças celestes.
Toda a vida acolhem e abraçam
E eu nos seus tornados ou espinhos me embaraço.
Não me quer a terra!

 

Aos céus praguejo, e os corvos oiço.
- Levem-me daqui! Grito eu.
E um chilrear negro ecoa, como resposta.
Amedrontam-se as aves de lhes roubar eu a liberdade!

 

Pertence ao homem o caos.
A chama que destrói
E o calor que as feridas sara,
Possuindo nas mãos o dom de dizer bem
E na língua das mais venenosas palavras!
Irra! Que vida...
Fossem chamas e labaredas de paixão,
Que viveriam todos mais descansados!

 
17.Fev.19

Faleci nos teus braços

Faleci nos teus braços

Assim como quem se afoga no mar.

Sucumbindo levemente à vida

Até ao instante em que esta me decidiu levar.

 

Não lutei nem desesperei, mas ali fiquei

Caído no teu colo, num abraço (para mim) eterno.

Pudesse eu, reencarnado, não sei,

Repetir esse abraço, desta vez sentindo-o com afago

E não com esta frieza agora dos meus braços.

 

Fui eu mesmo que me matei.

E foi no teu colo onde moribundo me esvaí

Com o sangue que te manchou o vestido.

O amor, esse ficou cá dentro...

Aquele que nesta eternidade sinto.

 

Morri.

 

 

11.Fev.19

Ser diferente...

Vivo um dia inteiro pensando na vida do próximo dia,

Em como abordarei alguém na rua, oferecendo um aceno de cumprimento ou um braço estendido.

Que direção tomar para alcançar o mesmo local, aquela rua refundida ou entre a algazarra matinal das pessoas pelos cafés, cheios de sorrisos e vozes altas.

Pouco realmente muda o dia, mas penso sempre que mudo eu, de algum jeito...

Mas sou sempre eu.

 

Seguro em livros que não leio, imaginando que leria se não fosse eu.

Escrevo palavras que não me pertencem, na esperança vã de alguma fazer-se minha...

Procuro em mim o que não se encontra

E deparo-me com um grande vazio, um mundo enorme de nada, que todos os dias em mim revejo.

 

Não há muito tempo relembro-me de sentir uma sinestesia em relação à liberdade,

Quase que a sua definição, em apenas uma imagem:

Observei um pássaro empoleirado entre um e outro arame farpado,

Ficando ele no do meio.

 

Penso que assim me revejo, nos meus dias...

Os céus inalcançáveis, 

O fundo um fim doloroso

E o momento, um local pouco amistoso...

 

Como se altera algo que está em constante mutação?

Que dia acordarei e escolherei ser-me eu, para sempre?

Para quê tantas perguntas...

Sou eu.