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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

19.Out.19

...

Vindas de mãos cansadas, pesam-me as palavras como me pesa a alma.

A grafite expõe-se em papel borrado, já de tanto erro nele fincado;

Não encontra repouso, nunca fazendo eu dela palavras.

 

Se de teimosia se de zelo, guardo o que escrevo na mente nela mesmo

Receando algo ou alguém mexer naquilo que nunca me atrevi a ser eu a fazer.

Não escondo o que não sou nem o que apresento: sou nada cá dentro.

Inequivocamente me compreendo, quando a todos os cantos do meu ser pergunto-me

Se «já posso ser eu», ou se terei que aguardar sendo mais gente?

 

Que identidade se esconde, naquele que para todos à luz se mostra e à gente?

Que revelarão as palavras que não têm peso?

Que escreverá uma mão ágil numa mente velha?

Quem sou eu, escrevendo... 

 

 

 

 

06.Out.19

Silêncio

Idolatrais deuses, ritos, magnânimas figuras e esperanças. 

Pois eu fico-me pelo silêncio

Sendo que em tudo o que não diz não mente.

 

Toda a existência contraria-se,

Retorce-se, adapta-se à verdade e à mentira.

É o Homem quem a cria, egocentrista.

 

Deu ao parto da natureza a mente,

Rotulando aquele que livre nasceu, sem saber.

Teve o Homem que pensar, para aprisionar o ser.

 

É no silêncio que viajo, içando as velas num mar de pensamentos

Num veleiro feito não de madeira mas de desejos.

Nada me diz o que é correto ou errado, tudo o é, apenas e só.

 

Pois contrariam-se as próprias palavras

Sendo que me expressando minto.

A própria liberdade está aprisionada.

 

No silêncio, que todos o veem negro,

Já lhe coloram de uma cor para aquilo que não se vê,

Originam sons para aquilo que não se escuta...

 

''Deu ao parto da natureza a mente,

Rotulando aquele que livre nasceu, sem saber.''