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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

19.Jan.20

Dor

Quanta dor habita no vazio.

Prolonga-se por parte nenhuma

Abraçando o vácuo 

E é em não sentindo nada que se sofre.

 

Propagam-se silêncios

Ecoando nas paredes do nosso ser,

Sons tão obscuros que nos horrorizam de os (não) ouvir.

 

O corpo estremece não sabendo do quê

E a mente retorce-se, apunhalando tudo

O que não vê. Pois morre a sanidade do homem

Sangrando esta nas suas próprias mãos.

 

Pertence-lhe lágrimas escondidas,

Dor de cicatrizes que não foram feridas ainda;

Que figura de ser...

Morre não vivendo.

 

Quanta dor habita no vazio.

12.Jan.20

Raízes temporais

Entrelaçam-se e abraçam-se braços nus e mãos gélidas

Às próprias raízes do tempo, desafiando o infinito depois de presente.

No ancestral seio onde outrora fora vida

Seguram uma chama extinta,

Um calor de outro tempo.

 

Não obstante, fagulha ainda nas cinzas a alma dessa gente

Remexendo-se e chispando a cada apreço ou desprezo.

Fez o homem o feito e marcou esse o homem

Mas que memória perdura tanto?

 

Lembrados num dia, são heróis e possantes

Sentados no trono das audiências para depois serem transportados em braços nas línguas do povo.

No seguinte, são murmúrios, histórias de lendas da plebe e mitos para as crianças.

Perece no terceiro, tornando-se o solo, as águas, as árvores;

Alcança a vida plena - Nascença e morte - Na sua existência.

 

Não se iludam, num mundo sem sombras as luzes não brilham.

E quem mais se não nós, caminhantes nesse mesmo solo

Bebedouros dessas mesmas águas

Contadores dessas lendas e fascinados por esses mitos,

Para reiterar ou superar o feito que tende a viver mais que o próprio tempo?