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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

18.Mar.20

Tornou-se desgastante a busca por palavras

Tornou-se desgastante a busca por palavras.

Por mais sentidos, sinónimos ou significados

Nenhuma me serve de nada.

O que quero dito não se fala.

 

De anciãs respeito-lhes a idade,

O poder que embutido no homem

Ofereceu-lhes, há tempos, dignidade. 

Hoje sujam estes o nome com as palavras que os elevaram.

 

Não preciso das palavras.

O mundo lá fora é-me o mesmo sem elas,

O brilho do sol não enfraquece

Ou a natureza desaparece.

 

Pelo contrário, 

Enaltecem-se por deixarem de ser comparados

Em poesias francas e cansadas

A tudo o que brilha e é sossegado.

 

Para as coisas mundanas,

Rurais ou citadinas,

Dizem-me pouco ou nada.

O pensamento é a prisão da alma.

 

A ausência comunica mais do que a presença,

Sendo na ignorância onde brilha o infinito

E no conhecimento a limitação do que é verdade.

Abraço uma montanha como quem abraça uma árvore!

 

Quanto menos homem for

Mais próximo me encontro do que estou a procurar.

É na primitividade da existência onde a pureza se encontra,

O resto são fabricações, poluentes, ilusões e falsidades.

 

 

08.Mar.20

Zarpar

Vão-se tempos embora,

Fechando de rompante a porta

Atrás de si.

 

Seguem de passo apressado,

Não pela chuva, vento ou nada

Pois observo-os pela janela escondido pelo cortinado;

Esqueceram-se de mim.

 

O quanto estremece aquela casa com a brusquidão das suas partidas,

Deixando todos os presentes encolhidos, sem saber de si.

- Vou-me embora? Perguntam-se.

Todos ficam quando na despedida de alguém

Fazendo as malas no dia seguinte, indo-se também.

 

As aguarelas dos meus olhos dispersam-se-me

P'la face, escorrendo a tinta com que pintei o mundo vinte vezes

Em apenas numa tarde.

Oferecem-me nas palmas das mãos o vislumbre do mundo

Enquanto seco as lágrimas

Pedaços de mim caem!

 

Vão-se tempos embora,

Perdidos na demora do sabor do vento

Soprando velas para longe

Dos navios sonhadores que ancorei em portos

Como a tesouros.

 

Para quê um farol já sem chama

Oculto no nevoeiro do tempo

Aguardando o retorno dos marinheiros que partiram;

Ninguém me vê naufragado em casa...

 

Vão-se tempos embora,

Tempos que não voltam

Pois já vão em mar alto.

Mil raios para a reles canoa com que tento cruzar o rio

Que faz de fronteira com a realidade.

 

Quem diria que o maior sonho de adulto 

Seria voltar a ser petiz.