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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

14.Dez.19

A beleza da morte

Na força de um sopro

Despe-se a última flor das suas pétalas,

Ascendendo estas pelos ares, como se almas possuíssem,

Abandonando o seu caule. 

 

O céu esconde o rosto, qual criança que tropeça e se magoa,

Choramingando.

E a lua cobre-se com um véu de nuvens negro

Reconhecendo que de tão distante é impotente para com o acontecimento.

 

As almas retornam, como espíritos insatisfeitos pelo seu desfecho,

Acolhendo o enlameado solo as frágeis pétalas

Sentindo-se acarinhado por um manto de cores

Que depressa se desvanecem.

 

Silêncio.

 

Surge, como se o paraíso alcançassem depois da sua viagem,

Um raio luminoso ofuscando a própria escuridão

Forçando o céu a limpar o seu rosto, deixando de lacrimejar.

Levando os ténues caules a erguerem-se, envergonhados, para assistir ao esplendor de luz.

 

Como caminhantes de outros mundos, retornam as pétalas

Às suas casas, voltando-se a ouvir as suas canções por onde assentam,

Retornando a colorir as suas obras por onde passam,

Rescrevendo o mundo como surge, uma vez mais, da beleza da morte!