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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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23.Dez.17

A mente (mente)?

Hoje é diferente. Não escrevo para mim, nem para o leitor, nem para nada nem ninguém. Nem muito menos escrevo. Só por serem palavras e por se revelarem pela minha mão não as faz minhas. Hoje, hoje não escrevo... Deixo escrito o que a mente faz e o corpo não quer.

O que não se revela material o quer ser. O que não se revela omnipotente o quer fazer. Quer um ser o outro e nós só um. Ser só um...

A complexidade da mentalidade humana foi evoluindo a um ponto que nem sozinhos estamos quando nessa situação. A mente fala como pessoa, pensa numa vida fazendo do pensamento a vida em si, sonha, e, admitindo que o faz, vive. A mente vive, em nós, entre nós, connosco, e, mais que nós, vive! Vive como se tem de viver, sonha com o que se tem de sonhar, ambiciona com o que se tem de fazer, comunica com quem tem que comunicar.

Eu invejo a mente. Sério que sim. Pode esta viver sem vida, pensar sendo ela mesma (a mente – Criadora do pensamento), sonhar e ser o sonho, pode ser feliz. Mas nós não.

Por ser ela independente, somos nós dependentes dela. Controlamos sim, o que ela deixa controlar. Vivemos, sim... O que o corpo vive e deixa viver. Este é nosso. Oh! Que orgulhosa conquista que nos foi apresentada, um corpo (uma vida) que não se pode usar (que não se pode viver). Pelo menos da forma que queríamos.

Seremos demasiado exigentes e pouco agradecidos para o que já temos? Deveremos então aceitar a limitação que nos foi oferecida? Por ser muita não a faz ser se nossa não for. A mente mostra o que é, o corpo mostra o que vive, e nós?

Há dois querendo um ser o outro, mas temos a mente e o corpo. Onde está o espírito que nos faz viver nos dois? Onde está a alma que usamos para percorrer o caminho (vida – corpo e mente)? Perdida num? Perdida nos dois? Não existe?

Muitas vezes penso que sim. Abstraio-me da vida, (corpo e mente) e com esses dois ignorados a alma assim o é também (o corpo e a mente juntos - o eu) e o que fica são visões. Visões que a mente deixa, acontecimentos que o corpo mostra, vontades que a alma tem. Mas quem sou eu nessa altura? Serei a vida? Serei a vontade de viver? Não serei?

A arte de pensar faz a vontade do ser querer viver o que pensa. A mente é demasiado perigosa para se possuir, o seu pensamento demasiado infiel, a sua vontade demasiado assombrosa... Querer viver sendo a vida em si, querer pensar acordada, dormir vivendo. O sonho não existindo porque a realidade é a vida e o sonho a realidade. Quer a mente ser alma, querer ter vontade de viver e não só ter o conhecimento da vida. Quer a mente ser o corpo e ter a capacidade de viver e não só observá-la. Quer a mente ser tudo.

Queremos nós assim ser tudo. Fazer tudo. Mas nós - eu - temos os três. Somos os três. Temos a mente mostrando a vida. A alma oferecendo a sua vontade de viver. O corpo possibilitanto a habilidade de o fazer. O que nos falta? Porque quer a mente ser os três sendo uma? Porque queremos ser a mente se somos os três? Porque quer o corpo a alma para ter vontade de viver...

Porque é que o mundo é ao contrário? ... Ou seremos nós que o vemos de pernas para o ar?