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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

23.Dez.17

A nossa história

Num pensamento profundo ofusca-se o negro sobre uma luz esperançosa, naquela que mostra, que ilumina, que se encontra presente mas não presencia, que não existe por outras palavras. O que não se vê não existe por outras mais.

O que pode existir não o fazendo? Bem, não é a resposta tudo?

               

Vivemos numa época, era, civilização (o que bem entenderem) diferente. Somos, incrivelmente, a mais antiga. Os anos contam-se em ordem crescente, e, não me recordo de haver alguma mais idosa que a presente. Mas não é a idade que nos faz envelhecer, é a sabedoria. Podendo excluir o indivíduo da história, e chamá-la de «História» (porque na verdade posso, sendo eu tão livre nas palavras como de pensamento), somos nós (civilização) que nascemos (já), amadurecemos (entretanto) e envelhecemos (sempre a cada dia).

Somos um sendo todos, e, não há todos sem haver um.

Fomos progredindo, aprendendo, e (no meu caso) falando no plural. No plural porque eu sou antigo. Tenho (vivo) (n)a idade do mundo, estou presente numa antiguidade moderna, o nosso tempo. Sou história, não o faço para ser nem a faço acontecer, ‘simplesmente’ sou.

Somos.

Pisamos hoje o solo de tudo o que foi jovem e conhecemos como velho. Mas somos nós os antigos, os que possuem o conhecimento conhecido, a sabedoria adquirida, e é por isso que envelhecemos, e o mundo connosco. A idade do mundo faz a nossa, e nós envelhecemos o mundo ao viver nele.

Mais velhos agora, somos (nós e o mundo) como anciões nascidos no futuro. O conhecimento escrito ou pintado está presente onde já havia, nascemos com o conhecimento para doutrinar os ‘’vindouros’’ (neste caso brincando com o tempo e mostrar que nós ensinámos quem soube, e aprendemos de quem ainda não o sabe). Como um pai que cria um filho, (sendo nós o pai do mundo), ao ver o filho crescer, viver e perecer.

Como a História não morre, sendo nós ela, nós também não. Criamos os nossos filhos, educamo-los, imortalizamo-los na história, e estes vivem no seu tempo, que agora não mais vivido por estarmos nós no futuro e eles no passado, somos nós os antigos e eles a juventude que não conhecia e que foi aprendendo até ao ponto que houve. Foram envelhecendo tornando-se em nós, e nós, (outrora eles, jovens e sem saber), agora idosos. Quer isso dizer que fomos ensinando o passado a ser «nós» ( - A História: por palavras coerentes neste texto). Temos o papel de fazermo-nos a nós mesmos. Esta partida importante começou no final. Partimos da meta, e vamos vivendo o passado (memórias de um velho).

Estudamos o antigo. Cria-se o moderno. Ao criar envelhecemos, ao realizar o novo é esse o mais antigo. É todo e toda a sabedoria e o conhecimento que foi aprendido e depositado na construção que ficou no ‘’novo’’.

Não querendo quebrar o pensamento e a construção do mesmo até agora, gostaria de explicar primeiro a confusão que estão a ler. A história que hoje conhecemos é a nossa, mas para ser nossa é preciso sermos parte e ter parte nela. É assim (ou foi e será mais profundamente) que baseei-me no que escrevo (porque sim, recorro ao pensamento e não ao estudo ao falar de tanta ‘’barbaridade’’ linguística e histórica como apresento neste texto). Temos a idade do mundo e não é complicado entender tamanha verdade. A nossa história tem a idade do mundo.

               

Começou com tudo. Começámos. Desde o nosso ser primário, da construção do mundo e da história dele. Fomos aprendendo – ensinados. O conhecimento havia para conhecer, a sabedoria existia para ser conhecida, e nós, história, fomos aprendendo com quem nos ensinava. Foi-nos transmitido o pensamento. A alma. E por último, mais limitado, o corpo. O pensamento, a nossa mente, com o conhecimento da vida. A alma, esta deu-nos a vontade de a viver (a vida). O corpo, o mais frágil mas o mais realista, aquele que nos possibilitava viver. Tudo havia.

Os anos passam, a história é escrita - o conhecimento descoberto, a sabedoria apresentada. Com a idade, a mudança, o remoto conhecimento de outrora foi-se perdendo, a sabedoria foi aplicada, a mente aprisionada, a alma esvaecendo-se do corpo apodrecido... E encontramo-nos, não nele, mas muito próximos do princípio.

É isto? Criámos tanto para sermos nós (do futuro para o passado, observámos - «criámos» as formas para a história ser realizada – Brincar de Deus para o bem entender e ofender) e no final... É o inicio que não esperávamos? Queríamos tanto que a história chegasse aqui hoje, fizemos de tudo para tal acontecer, e aqui estamos.

Aqui andamos num mundo, rastejando nele de tanta idade que já nos carrega, perdendo conhecimento ao esvanecer-se a razão de conhecer (sabedoria). Perdemos muito do conhecimento para conhecer pois não há sabedoria (gente a querer saber) suficiente para o tornar relevante. ‘’Para haver conhecimento tem que haver sabedoria, para haver sabedoria, tem que haver o que conhecer’’. Não se cria conhecimento como pensamos, o que existe sempre existiu, à nossa frente está o nosso criador, a história, o resto dela, mais sábia, mas dependente de nós para a fazer relevante e dar uso à sua sabedoria. O resto de nós é a vontade que temos de nos tornamo-nos nós mesmos. Corrermos atrás da nossa pessoa, do nosso ser.

Num pequeno espaço de tempo temos então o ser único – eu – que pensa no futuro para alcançar aquilo que é, temos o futuro (que somos nós contando ao passado) mostrando a direção. As nossas escolhas estão escolhidas, mas como elas não aconteceram pensamos que temos controlo sobre. É a mente que nos engana mas que nos mostra a verdade, é ela que nos mostra os sonhos mas é ela que os vive. Chegou lá, vive lá e é ela. É a vida. O conhecimento dela.

Somos todos então «deuses» do nosso ser? Carregamos a história para a contar aos nossos ‘’filhos’’ do passado? Que somos nós? Porque conseguimos chegar a um ponto, à velocidade que o alcançámos, contando o que sabíamos? Mas que sabemos nós para ensinar que nem sabemos o que estamos a aprender.

Com isto vemos a degradação no tempo, a sua propagação é o seu próprio retrocesso. O conhecimento deste mundo chegará a um ponto que não existe, a sabedoria não terá significado, a vida não terá vontade de viver, e o mundo acabará... Começando de novo.

               

Estamos aqui hoje, alcançando o nosso ser, querendo chegar a nós mesmos, viver as visões, ser a nossa mente que nos mostra já o futuro longínquo que atravessa este mundo e talvez o outro. Somos a mente. Somos o conhecimento, os criadores da vida, da história, os portadores da sabedoria, somos o completo, somos História!