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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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14.Out.18

A poesia não me chega

A poesia não me chega.

Ou talvez seja eu, que não sirva para poeta.

De tantas palavras me vejo sedento

Mas de nenhuma tenho realmente orgulho em ser minha.

 

A poesia não me chega

Pois não trago do licor da vida,

Fico-me apenas com as palavras rotuladas na garrafa em que é servido,

Causando-me náuseas o seu odor pujante,

E não o travo forte e amargo de provar essa bebida.

 

A poesia não me chega

Pois amo amores que não me pertencem.

Sinto-lhes o aperto forte no peito,

Mas apenas nele, e não como seria com o amor,

Percorrendo-nos esse sentimento o corpo inteiro.

 

Dou laços em pensamentos,

Entorno sentimentos,

Deixo-me quedado ao sol

Dando comigo dançando com o vento.

 

Não encontro calor nas coisas

Se não naquelas que foram criadas para nos aquecer.

Não me identifico como par com tantas outras

Se não naquelas que, abandonadas como eu,

Abraçam-me a solidão cansada.

 

Não me chega a poesia

Pois com ela invento a escrita.

Faço amores que não existem,

Sinto as gotículas de maresia que não me percorrem,

Escrevo acerca dos ventos,

Das noites escuras

E nelas, também, a luz da lua.

 

(Mas não vou eu lá fora

Explorar esse alarido todo, que se chama vida...)

 

E como brilha ela, lá tão distante!

E eu aqui, guardando-a no bolso

Para dar brilho à minha noite;

Só assim, roubando-a para mim

Que posso também ter a negritude iluminada.

 

É isso que sou, quando afastado das palavras.

Furtador do brilho alheio,

Propagador de pensamentos quebrados...

 

Fosse a poesia a minha vida

Que desejaria-a mais que a própria eternidade.

Para quê ser eterno, ainda penso,

Quando já esta vida levo carregada.

 

Nas palavras edifico casas

Onde me abrigo nas tempestades fortes,

Ou que me sento aconchegado nos dias solarengos

Ouvindo as longas conversas dos vizinhos,

Esses que também dei voz e alento...

 

Quero eu fazer o quê?

Viver na poesia?

A poesia não me chega.

Ou talvez seja eu, que não sirva para ser poeta.

 

 

 

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