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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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07.Mai.18

A vida corre mal

Sobre a vida sabemos muito pouco. E do reduzido conhecimento, a única certeza é que esta tem o seu fim. 

Quando se nasce encaramos o nosso percurso pela primeira vez. Mal ainda abrimos os olhos e o primeiro ato da nossa vitalidade é calçar já as suas sapatilhas e lançar-se por esse trilho desconhecido. É a força jovem de viver, de se manter vivo e não perder nem um segundo da sua caminhada.

O recém nascido é que não acompanha a fugacidade do movimento da vida. É lhe apresentado logo muitas escolhas no seu caminho e a inocência ou o poder de escolha não lhe permite alcançar nenhuma. Mal se sabe gatinhar e já a vida corre, perdida entre tanta beleza e escolhas, cheia de sentidos não podendo nós ainda escolher nenhum.

É então que o nosso passo se torna lento, a vida corre, o tempo passa, mas não se acompanha a vida. Esta começa também por desacelerar, ficando mais cómoda, sonhando a baixo das nuvens e não depois delas. E a vida começa, devagar e estável. Com poucos propósitos, com pequenas ambições. Gatinha ainda pelo seu percurso assim como a quem esta lhe oferece vitalidade.

Com o crescimento erguemo-nos agora perante toda a correria que foi anteriormente. Toda a vontade de experimentar, toda a vontade de sentir, essas tanto da vida como da nossa pessoa fazem agora parte do caminho que se percorre. Ainda não corremos, mas a vida neste ponto empurra-nos tanto que por vezes nem o que queríamos fazer acaba por acontecer. Sentimos uma pressão para não perder nada, para manter o trilho sempre atrativo e a cada passo dado algo novo nos ser revelado. É a ansiedade da vida que tanto esperou pelo momento de se conseguir erguer, que agora em pé não foge de nós, mas influencia-nos para todos os lugares a que esta quer alcançar.

Outras pessoas irão fazer parte do nosso rumo. Umas nos acompanharão durante mais tempo, outras fazem os seus devidos desvios. E a vida abraça todos os que a ajudam a chegar mais longe, a alcançar mais experiências.

Não há realmente um propósito fixo nesta etapa da vida. Quer ela ser muito grande, queremos nós a acompanhar. Vivemos rodeados das escolhas que outrora eram tão distantes, agora estão a um passo de distância. Basta rumar para o sentido desejado. 

É nesta altura que nos tornamos a vida jovem, a vida ambiciosa, a vida curiosa que ronda tudo ao seu redor querendo ser ou fazer todas as sensações e visões que esta abrange. A vida, ela mesmo, começa agora a recear toda a juventude que outrora ela mesmo sentia. Oferece responsabilidades, impõe impossibilidades, tudo faz para não sermos um espírito vagante mas sim um ser físico errante. Ela mesmo sabe a limitação a que está imposta estando no nosso corpo, então serão apenas em sonhos que a vida se desenrola, assim para nós não sentirmos a pressão ou a necessidade de ser algo mais que o que conseguimos realmente alcançar.

Crescendo, adultos agora, as limitações estão bem vinculadas no nosso cérebro. Toda a juventude da vida nos abandonou, mas não todas as escolhas que provieram dela. É assim que se começa a viver o famoso «um dia de cada vez». A vida agora, ciente da responsabilidade a quem a ela mesmo se oferece, procura escolhas que não tornam o trilho atrativo a cada passo, mas a cada conquista. Torna-se ela mesmo responsável, agradece a nossa preocupação de não a submeter a limites que só a vontade de viver consegue; assim como era em jovem. Trata-nos razoavelmente. O prazer de a possuirmos começa a desvanecer-se. Tornamo-nos impacientes para tais metas se revelarem e tornamos o nosso trilho atrativo uma vez mais, para assim ter um sentido de continuar a procurar o seu fim.

A vida agora ocupa-se em nos fazer cumprir os processos para tais conquistas se revelarem. O tempo existe ele todo, mas nenhum é realmente nosso. A própria idade retrai-se das aventuras a que ainda nos debatemos em fazer quando mais jovens, e já se torna apenas um sorriso forçado toda essa lembrança, aquando os nossos olhos lacrimejam esperando pela nova atração da vida.

Agora idosos, e a vida se sente em perfeita sintonia, todas as responsabilidades, todas as aventuras, tudo fez parte dela e de nós. É aqui que ela se expande e tenta ser tudo novamente. Sabe que consegue, chegou tão longe e fez tantas coisas que agora todas as visões são a realidade. Atira-se ela para todas as escolhas já sem questionar pois todas são viáveis para o trilho se tornar novamente apelativo. Quer ela agora nos recompensar com todas as promessas que a vida fez em jovem. Quer ela nos oferecer toda a juventude que tanto nos omitiu com receio de não nos tornamo-nos infelizes por não a conseguir acompanhar. Agora ela confia em nós, agora ela nos oferece tudo...

Agora não conseguimos nos mexer. O tempo é nenhum e todo ele é nosso. 

 

 

Quando jovem tropeça em todos os obstáculos. Em adulta escolhe os caminhos que percorre não caindo tanta vez. Idosa conhece o caminho a percorrer, mas já a correr não consegue ir, e devagar vai, encontrando-se com o seu fim.

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