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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

23.Dez.17

A vida que não vivemos

Todos nós sonhamos. Seja sobre alguém, sobre algum lugar, sobre algum pensamento que levámos connosco para um outro mundo que não o real. ‘Simplesmente’ sonhamos.

Sonhamos livres, livres de nós mesmos que não escolhemos os sonhos. São coisas incontroláveis e instáveis, uns perdem-se com o tempo, outros gravam-se na memória como algo vivido. Vivemos os nossos sonhos?

Não que queira destruir a perspetiva de ninguém mas nem a nossa vida vivemos sendo nós mesmos quanto mais viver os nossos sonhos. São coisas da nossa mente, tão vasta que é mais que uma. Olha esta. Estarei doido agora? Mais que uma mente? Então e se assim o for... Não temos então mais que um pensamento?

Os sonhos são memórias que não tivemos, acontecimentos que não presenciámos, vidas que não levamos e histórias que não contámos. Sonhos são outros nós, outras presenças manifestando-se na nossa mente que é onde têm lugar, ficando assim nós com o corpo para controlar. O que eu invejo esses seres que não conheço, essas pessoas que não se apresentam, vivem na minha mente e são elas livres de serem e eu aprisionado num corpo que no final é descartável. Viver sabendo que acaba e nem livre o fui para o fazer.

Liberdade essa que pensamos que não existe. Oh! Mas ela está lá. Lá e cá para a fazer nossa. O que nos faz ser fracos não é ser possuidores de um ''objeto'' descartável, é não pensar além dele. A mente é magnifica, o corpo só a retém como se fosse ele grandioso como a sua companheira que o ordena. Na mente não somos livres por não ser nossa, e no nosso corpo não somos livres por ser limitado.

A liberdade está no facto de ultrapassarmos barreiras que nós mesmo criámos. Limitamos a mente e aprisionamo-nos no corpo, fazemos jogos com ela e no final perdemos pois esta alcança sempre onde nós nunca chegaremos. Se não quisermos.

Temos uma mente, das várias que se encontram nela, mesmo assim uma delas é nossa. Uma porção de toda esta vida na nossa cabeça é nossa! A liberdade que vemos os «outros» viverem é nossa se o fizermos também! Se «eles» o mostram como se faz porque criamos uma barreira mental de que aquilo não é real e apenas só um sonho? Porque não ser talvez uma mensagem para atravessarmos essa repreensão que criamos no corpo de não poder viver como na mente.

               

A nossa vida é uma ilusão. Nada é nosso nem de ninguém pois não há nada para ser alguma coisa quanto mais ter dono. Se não houver quem haja, então nada há. Se não houver olhos, não há luz para se ver. Se não houver ouvidos, não há som para se ouvir. Se não houver mente, então não há mundo para viver.

A mente é o nosso mundo. Ou a visão dele. Tudo é criado para nós, ouvimos sem querer, vemos cores sem as ver, temos um mundo nosso que é tão vasto quanto o universo e mesmo assim somos ''prisioneiros'' do nosso corpo. O corpo é tudo onde essas reflexões são passadas e oferecidas, e na mente, essa quem as envia e nos mostra não o que queremos ver, mas o que ela nos quer mostrar.

Somos então controlados por ela. Prisioneiros de nós mesmos. Somos prisioneiros da liberdade.