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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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28.Dez.17

As palavras

Não sei escrever utilizando palavras bonitas, agradáveis ou coerentes. Não sei nem consigo. Não as controlo. Elas aparecem quando assim invocadas, livres de como e quando o fazer, eu só espero. Aguardo a chegada delas, a sua fluência natural e não forçada. 
É na natureza que se encontra a beleza. Na natureza das coisas. E as palavras, mesmo sendo coisas criadas pelos homens, têm sim a sua essência, o seu propósito e o seu encanto. Têm porque são vida como as coisas naturais. São como os lobos que trilham em alcateia, unidos e seguindo a razão (o Alfa). Assim como as palavras menos experientes se recolhem nas mais sábias, e juntas chegam longe porque nenhuma faz a sua palavra a composição em si, mas todas. São como um urso solitário que vive aprendendo e que no inverno hiberna e reflete todo o conhecimento. Assim como as palavras menos conhecidas, com sentidos disformes, desentendidas pelo mundo por se refugiarem em si mesmas. São essas as que batalham por se manterem relevantes, com um propósito maior do que «falar», mas com o de refletir. São como as árvores conversando entre si, oferecendo apoio a outros seres que assim o requerem com os seus ramos e proteção. Assim como as palavras, interligando-se com as presentes, juntando-se criando um propósito, dialogando entre si numa língua só delas e que no final, ao se revelarem pela mão daquele que as ordena, traduzem assim a sua mensagem: 
Somos quem vos conta e quem vos faz contar. Somos livres aprisionadas no papel (assim como vós humanos, aprisionados no vosso próprio corpo – a vossa razão e modo de viver vos aprisionam, assim como a nós). Tentamos ser sábias e mostrando só a verdade, assim como acredito que vós se esforceis por tenta-lo. Lutamos também pelo nosso direito e diversidade linguística, assim como vós os fazes com as diferentes culturas. Somos criação assim como vós sois criados. Com rigor, disciplina e no final um destino.

Somos então um ser. São vós um ser. Somos iguais. Tendo sido a nossa razão de existência a vossa, somos maiores. Somos quem vos espalha, quem vos idolatra nos vossos êxitos. Quem vos escreve e faz escrever, tornando-vos inesquecíveis pelo mundo, mesmo gravando-vos nele. Mas no final tudo perece. Muita da nossa razão, muito do vosso ser. Como se tréguas fossem feitas entre nós. Sem a blasfémia da vossa parte nos utilizando, e sem a nossa arrogância vos menosprezando... No fim tudo perece... Mas nós... Nós somos imortais!