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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

06.Jul.18

Bebo para lembrar

Bebo para me lembrar. Não do que esqueci, mas do que estou para conhecer. 

É a minha mente que embriagada se encontra. Perdida de si mesma, deambulando por terras desconhecidas. Tropeça no seu torto trajeto, sem forças ou ideias para seguir direita. Muitas vezes para, admirando a paisagem que fabrica; que repulsa ganho, pois está ela adormecida!

Perde-se, e sou eu que a tenho que procurar. Que criança ingénua que está cá a habitar. Corre desvairada e deixa-me para trás. Mais perdido que ela fico, pois são dois caminhos agora que percorro; atrás dela, atrás de mim mesmo.

Fico sempre aliviado de a encontrar, resmunga e esperneia ela por ser encontrada qual jogo das escondidas que acabou por perder. Porque tanto quer andar ela por aí, sem segurança ou sentido, se em mim habita e vive, e sem mim nada mais é que eu sem ela.

Quando a consigo acompanhar mostra-se passiva. Um ser de agradável companhia. Nessa altura sou eu que brinco com ela, apresento-lhe pensamentos, cria ela cenários inteiros. Ah mas que bela que consegue se mostrar. Também traiçoeira, pois depois do brilho que me vem aos olhos, vem a lágrima do real, lágrima que não habita nesse mundo, lágrima que a mente absorve, lágrima que a mente escreve... O cenário que ela cria.

Foge novamente ela, com raiva de mim por não lhe apresentar pensamentos bonitos, por não ser capaz de viver dos seus maravilhosos cenários. Mais triste fico, mais se afasta ela. Ainda à distância observo um arco íris imenso, grandes planaltos verdejantes, o som do vento entre as árvores. Tudo observo do meu cubículo negro, onde não quer ela habitar. 

 

Bebo para me lembrar. Lembrar-me que estou vivo e que o que bebo é real...

 

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