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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

24.Dez.18

Chuva

Faço-me de palavras, perdendo-as assim que proferidas;
Não sou nada.

 

Eterna queda, como a da chuva que não cessa, 
Sou mais uma gotícula que se perdeu dos céus
E que caiu na terra;
Não sou nada

 

Transbordo e faço cheias, com os quantos eu's de que me vi separado
Observando-me cair por inteiro, aos bocados... Na terra ficando manchado.
Parte de mim acompanha pequenos riachos, outra encontra simples poças.
Encharco quintais, prados, atiro-me dos céus negros ao encontro do azul do mar ou o verde dos vales
E deixo-me estar, sossegado, ouvindo aquele que me empurra para longe
Mesmo estando quedado no mesmo lugar.
Caio sempre, por mais vezes que me erga... O sonho sempre cede e lá vou eu, das nuvens abaixo...
Não sou nada.

 

De noite sinto conforto, de dia transtorno,
No fim a noite desperta ou o dia adormece,
Levando-me a pensar se a queda é fatal ou um mero tropeço de criança;
Ambos magoados, mas um sorridente e um pouco envergonhado
O outro num silêncio só dele, num mundo de grafite e papel embrulhado.
Sei no fim que me ergo, seja do lamaçal que provoquei ou do mar que encontrei, 
Tudo isso abandono pois as nuvens me chamam, retiram-me o que tenho
Deixando-me sem nada, apenas a garantida queda que uma vez mais aponta.
Escorrego, tropeço, caio e ergo-me... Tudo isto para quê?
Se no fim não sou nada...

3 comentários

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    Francisco 25.12.2018 21:34

    Ser alguém podemos ser, mas muito, muito insignificantes.


    Penso que é devido a isso mesmo, à nossa presença neste mundo ser tão irrelevante, que nos esforçamos em demasia para tornar as nossas ações ''visíveis'', em fazê-las de um modo que nos retire desse estatuto de insignificantes. 
    O homem vive demasiado tempo sendo-se a si mesmo, e muito pouco tempo para além disso. Quando se morre, o tempo que foi nosso desaparece, e aqueles momentos em que fomos além de nós, esses são escritos na história.
    Seremos sempre irrelevantes se tudo se basear ao nosso redor; Não irá desencadear um ciclo muito largo, e quando se corta uma das secções, perdemos tudo. 
    O «Eu» é insignificante, não interessa. Não há objetivos, planos, sonhos, hobbies... Pois tudo isso deriva à causa dos outros.
    Viagens? Para onde iria o homem, se sozinho habitasse na terra?
    Sonhos? Que vida quereria o homem, se já em sociedade se sente sozinho?
    Trabalho? Que função seria necessária, sendo que para sobreviver basta saciar a sede do corpo, limitando a mente.


    Não vivo por mim, nem para mim. Nasci sem o pedir e morrerei ficando sem nada no fim. Eu, eu não sou ninguém... Mas acredito num mundo em que falando em uníssono diga «Nós!».
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    P. P. 26.12.2018 13:05

    "Nasci sem o pedir e morrerei ficando sem nada no fim" - eis-me, de novo, a pensar: quem somos nós? para onde vamos? Será a morte a nossa única certeza.
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