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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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15.Ago.18

Como lidar com os sentimentos?

Não sei se vieram aqui à procura de resposta, ou se já com a intenção de me massacrar pelo título aludir que eu a tenha.

De qualquer forma, nunca realmente escrevi a saber seja o que fosse. Se, em algum texto meu em que requeria conhecimento acerca do assunto, esteja lá apresentado entendimento do mesmo, esse não era meu, mas sim de onde o fui buscar.

O que sei eu? Realmente meu, que não aprendi nem que me ensinaram. Despindo o conhecimento, que sei eu? Bem... Saber não sei se o sei, mas sentir faço-o. Sinto as coisas, como todos fazemos. Cada um à sua maneira, como todos sabemos.

Então que texto é este? Vá lá, não me façam perguntas dessas... Se eu um dia chegar a saber o que estou para aqui a escrever neste blogue, acredito ser já velho nessa altura.

Mas porquê arriscar fazer este texto? Querem saber? Estou a arriscar o quê? Que mentiras se pode dizer a algo que ainda não tem imposto uma verdade? E porque é que há o certo e o errado neste caso? Porquê isto, porquê aquilo... e porque não simplesmente?

Esta é a minha visão. Estas são as palavras que me emprestaram para a escrever. E isto sou apenas eu a dizer...

 

Algo que me deixa a pensar, primeiro que tudo, é que ninguém leu o título aludindo-o a sentimentos «positivos»; a pensamentos alegres que nos deixam de bom humor. Não, quem o leu fê-lo a pensar nos que os sente negros, retirando-lhes vida ou a vontade de a viver. Mas claro que ninguém se quer sentir em baixo, a vida está à nossa frente, não em baixo, nos nossos pés - onde tanto olhamos quando caminhamos.

Eu sou um péssimo motivador. Comigo falho miseravelmente, mesmo sabendo o que está errado. É que, mais do que saber o que está errado também sei porque fiquei assim. Depois discuto se quero continuar neste meu estado deprimente aos olhos da sociedade (sendo eu parte dela, vejo-me com os mesmos olhos...) ou se junto-me à ilusão que evito, e troco a lágrima real que deixo escorrer-me pela face, por um sorriso falso que teria que forçar...

Admiro quem sorri à vida, sem sequer questionar se é uma ilusão ou realmente o que está a acontecer. Não questionar o sorriso fá-lo puro. Quando se o faz (questiona-se), aí nem sabemos se as lágrimas derramadas o são (puras). Será apenas a felicidade uma ilusão? E a tristeza a ''triste'' realidade, que muitos apelidam, é a única «realidade»? Mas quem é que inventou estas coisas? 

O infeliz é aquele que conhece a felicidade. Aquele que por tão bem a conhecer que sabe que nunca a terá plena, como ele a deseja. É um homem de ambições, é o escritor do belo! Infelizmente aquele que não existe, é o que ele procura...

Feliz é aquele que não conhece a tristeza. Que nunca recebeu um abraço negro, iludindo-o na escuridão que aquilo que está a sentir lhe oferece conforto, sendo que é um aperto malicioso e não de carinho. Aquele que por não se ter enterrado nas profundezas do seu ser, vive na superfície como todos desejávamos poder.

Mas, não faz a infelicidade parte de um homem? Como é que alguém consegue sempre apresentar um só lado? Não o faz. Conhecem alguém que não conheça a tristeza? Não existe ninguém incompleto, pelo menos não em sentimentos. Por mais fundos que se encontrem, estão lá todos.

Então vamos recapitular - Quem é o homem feliz e quem é o homem infeliz? A resposta já a disseram, é o mesmo.

Então depois de tanta lengalenga é isto a minha conclusão? Ainda não acabei, mas em relação ao homem, sim, é este o meu ponto.

Pronto, vamos lá falar de sentimentos. Como se este texto precisasse de fazer menos sentido do que já está a fazer...

Vou falar naqueles que mais sentimos. Isto porque vou supor que é aqueles que mais queremos evitar.

Brincando com as palavras, como tanto faço, sem saber já quando o faço ou onde... Vou oferecer ao ser humano a capacidade de ver esses sentimentos.

Bem, agora estou aqui, neste limbo sem cor, e reparo em estranhos vultos negros, destacando-se neste espaço cinza. Apresentam-se hostis, são estes vultos quem à superfície querem prevalecer, e eu, bem, tenho poucas, mas algumas formas de lidar com a situação. Da mais primária, temos a violência. Atiro pedras a quem se atreve a avançar, eliminando a ameaça aos poucos. Mas até que ponto iríamos? Exterminamos aquele sentimento ali? Deixava-mo-lo ali, a esvair-se em sangue e contorcendo-se no chão? Não. No final da asneira compreendíamos que sem eles não valeria a pena viver. Então deixa-mo-lo para ali, com uns quantos resistentes que aguentaram a salva de (pedras) fúria a cuidar dos feridos. 

E então? Estava resolvido? Só depois de algo muito deprimente nos poderia fazer novamente passar pelo estado da depressão? Acham? Nem neste mundo de fantasia as coisas são inteiramente fantásticas. Para uma ação há uma reação. A nossa batalha não nos venceu a guerra, só nos arranjou novos inimigos. Para além daqueles sentimentos, que agora receosos de se expressarem mostram-se com menos frequência, ainda temos o sentimento que deixa-mos recuperar da nossa ofensiva.

Estes reproduziram-se, estudaram o método com que eram atacados e tornaram-se imunes - assim como os vírus.

E agora? Apresentam uma força superior que a que tinham, e defletem-se dos nossos meios de defesa, pois quem se adapta para um acontecimento, começa a considerar umas quantas probabilidades de algo semelhante se desenrolar.

Venceu, e nós perdemos. Somos nós agora quem se esvai em sangue, e eles só se riem, subindo à superfície, controlando o nosso corpo... Um ciclo se iniciaria, um que prevaleceria sempre o descontentamento, uma luta interna entre o mal e... já nem saberíamos por que lutávamos, depois do esforço em vão de alcançar algo que nem no inicio sabíamos ao certo o que era.

Bem, ignorar o sentimento, ou mesmo iludirmo-nos que ele não existe, faz com que este mais presença ainda tenha, assim como vimos. Ao lutar contra ele (nós mesmos) não se vence nem se perde, é um ciclo interno de desgaste e de mais sofrimento ainda, sendo que, mesmo ninguém vencendo, ainda apostaria que seríamos mais aquilo que lutávamos contra do que realmente aquilo que tínhamos em vista de ser.

Pronto. Devemos aceitar tudo o que cá dentro sentimos... Que perda de tempo, ler isto.

Não, se foi essa a conclusão do texto que passei, então ofereceram-me as palavras erradas para apresentar este tópico. Agora que o referi outra vez, devem-se questionar o que raio estou eu a dizer de emprestarem-me palavras. A resposta é simples, o que se entenderá dela é que talvez não.

Escrevi o que não existe. Pedi emprestado à mente palavras que só ela escreveria e leria, e por tanto, mesmo que consigamos utilizar um método que nos retire as ilusões, e que conseguissem sentir o que o momento vos oferecia, e não o que desejavam sentir, essa mudança estaria apenas e só, na mente. Assim como o acabei de escrever, lá também é assim tudo, simples. «Não devemos fazer isto», obrigado, cabecinha! E não fazer isso? Pois, aí é que se torna complicado.

Então agora escrevo por mim... Um desabafo de quem sou e do que faço.

Sou uma lástima. E quem diz que nós somos os nosso piores inimigos, a eles digo que é como tudo na vida, tanto é como não é.

Eu não sei dizer quando estou numa fase deprimente ou não. Quando sim, encontro-me ''nela'', não a vejo como muitos poderão retrata-la - um buraco negro, um triste ser que se afunda cada vez mais e que só transmite negatividade. Isso é apenas a superfície de um sentimento; sim, até mesmo eles se afundam...

É quando estou mal que questiono mais as coisas. É quando estou deprimido que sinto o pulsar nas veias aumentar, e que dou por mim a amar. É ilusão, eu sei disso, mas não deixa de ser amor. Por alguém nunca houve «realidade» suficiente que me fizesse amar assim, isto porque se tivesse ocorrido sentiria a mesma sensação no corpo, que sinto quando amo sozinho. E porquê assim? Não sei... Mas esta foi também uma pergunta para mim mesmo, e, ao contrário de, diria uma grande maioria, preciso de ajuda a lidar com os sentimentos ''bons'', também.

Conhecem Pessoa? Claro que conhecem.

 

« O poeta é um fingidor

  Finge tão completamente

  Que chega a fingir que é dor

  A dor que deveras sente.

 

  E os que lêem o que escreve,

  Na dor lida sentem bem,

  Não as duas que ele teve,

  Mas só a que eles não têm.

 

  E assim nas calhas de roda

  Gira, a entreter a razão,

  Esse comboio de corda

  Que se chama coração. »

 

Acho que é assim, quem eu sou. Vivo num fingimento, tão profundo que só esse acredito ser o que desejo - não o ténue toque, mas sim um grande aperto.

Não amo demais para não chegar a amar, acho que se contrariava um pouco esta análise. O que suspeito é que não ame nada, realmente, e crie esse sentimento em mim, tão como ele é que mais nenhum me faz sentir assim, nem os que surgem quando estamos numa situação que os requerem...

 

Não vos sei responder, pois a pergunta não tem resposta... Eu é que me perco sempre nestas, e não nas que realmente me levam a algum lado...

 

 

 

 

 

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