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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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26.Fev.18

Educação, sim ou não?

Li algures que, ''Sem educação os homens vão-se matar uns aos outros'', frase proferida por António Damásio, levando-me a refletir.

Sou uma pessoa que, por defeito, gosta de contrariar. Não abertamente (salvo seja) e ignorando o óbvio. Mas fica na minha cabeça se aquilo não fosse assim, como seria? É então com esse princípio que vou apresentar este tema numa visão diferente.

Para realmente contrariar, e aplicando o uso correto da palavra, parto por remediar o título: ''Com educação os homens estão-se a matar uns aos outros.''

Não é a primeira vez que abordo o tema ensino (escolar) aqui no blogue, e, por mais divagada que seja a opinião apresentada, nas muitas entrelinhas podem encontrar a mensagem principal, que remete para o caso de não se estar a educar um ser, com princípios próprios ou crenças voluntárias, mas sim o que está regulamentado no plano. Logo assim estão a educar munição para utilizar nas armas dos princípios daquele país! É um assunto que se irá mostrar traiçoeiro ao ser apresentado, mas vou tentar explica-lo da melhor forma que conseguir.

Apesar de toda uma partilha de ideologias e cultura provenientes da «expansão do mundo» (maior interação com os diferentes povos), todos os países têm os seus princípios, necessidades e religião próprios. O ensino, seja ele religioso, cultural ou escolar, é influenciado pela nação que se provém. Ou seja, tens que ser quem eles querem ou precisam, pois provavelmente o que tu queres não dá muito jeito. E o que mais precisa um país se não de carne para canhão? Quem diz país diz religião, ou cruzadas e jihads seriam mitos? 

O mundo sempre esteve em guerra, mas outrora essa tinha um propósito. Hoje em dia é só mais um outro negócio que quem sai a ganhar ainda são os que morrem, porque esses não estão cá para ver o depois desta miséria toda, que bonito não será certamente o resultado final. Então e porque é que a guerra outrora pode ser considerada bem vista? Porque essa era pelo conhecimento. Não digo a carnificina, mas a guerra do desafio, dos obstáculos que cientistas, filósofos, matemáticos (etc.) mesmo com a carência de recursos lutavam pelo conhecimento contra todas as probabilidades de sucesso. Hoje com esse conhecimento, a sábia utilização dele é em como fabricar a maior e mais letal bomba nuclear. Porque todos sabemos que ao fim de uns anos são precisos de abater uns quantos, só porque sim, e que dá sempre jeito os botões vermelhos estarem do nosso lado. Isso porque os que morrem à fome já o fazem por si só, e não precisam de ajuda... Às vezes ainda penso que o mundo é bom, mas depois acordo.

Nem vou referir os milhões que estão investidos por detrás de todas as organizações militares, só penso que haja necessidades que ninguém se importaria de serem atendidas primeiro. Ou não, porque guerra até é uma cena porreira e fome e doenças são o trunfo utilizado para uma maior aniquilação. 

Não perdendo o foco. A educação está a ser utilizada para estes fins, para os grandes alcançarem a supremacia e os pequenos que pouco podem fazer (pequenos não de tamanho, mas de minoria daqueles que ainda têm um pouco de amor próprio, ou mais ainda que isso, amor pelo próximo) são engolidos no meio desta ganância por poder infindável!

Não estou só a abordar a educação escolar, mas sim ela num todo. Pois até a que recebemos em casa, é influenciada pelos pais dos nossos pais e por aí fora. Quem governa é quem decide, e, por mais iludidos de pensarmos que é o povo a fazê-lo, não vejo nas ruas todos de fato e gravata e com grandes carros. Porque isso é que é ser político, de resto não se apresenta grandes resultados de diferença entre eles e o povo.  Ah, podem aparecer mais vezes na televisão que um cidadão comum porque de alguma forma o nada que eles têm para apresentar dá audiências e ilude novamente o povo que se está a evoluir ou «a tratar do assunto». Eu que não ligava a televisão há um ano quando o fiz fiquei a pensar se a tinha deixado em pausa, porque não vi nada de novo! Isto porque até os países independentes estão dependentes de outros. Não se pode, mas não se pode mesmo, ficar atrás nas posições de ranking mundiais ou continentais. Não podem abordar mais um tema que outro porque depois não seria compatível com os requisitos que têm que ser preenchidos.

A arte, por exemplo, é posta de parte porque o que é necessário são profissões que gerem lucro. O estilo de vida livre é um grande desafio porque poucos são os que ainda conseguem viver exclusivamente do que os deixa satisfeitos. A minha pergunta é se não poderíamos todos fazê-lo? E para os mais céticos fiquem a saber que muitas das profissões que existem hoje são derivadas do capitalismo e do grande consumo da população. Se também forem perguntar a muitas dessas pessoas se desejariam estar a trabalhar num ramo diferente, diriam que sim. Ah, mas podem não ser tão competentes como os que lá se encontram - dirão muitos de vós. E é verdade, aliás, eu gostava de ser pintor, músico, escritor, bonito, simpático, engraçado (etc.) e não consigo, e outros que são melhores que eu nessas áreas provavelmente se safem melhor. Mas isso não me retira o gosto ou o objetivo de lá chegar (isso de ser bonito é uma realidade que já tenho presente de não se concretizar, mas as outras poderia ter mais esperança!). É que a arte é uma das formas de nos conhecermos a nós mesmos, e de os outros o fazerem também. Arte é expressão, e como ela é oprimida na sociedade encontramo-nos todos incompreendidos. O valor ser a educação é o mesmo que a morte ser a solução. Não faz sentido, porque a morte sim resolve, mas não da forma que queríamos que o fizesse. Se a educação que está em prática não se demonstra minimamente interessada na opinião do aprendiz, porque o que está regulamentado é a única e definitiva (the one and only – porque em inglês faz mais sentido) e a crítica do discípulo é ignorada.

O mundo está em guerra porque os valores que estão impostos pela sociedade não condizem com uma realidade pacífica. O mundo está em guerra porque a religião depois de tanto estudo e avanço cientifico continua a impor um grau de autoridade enorme que nem deveria ter nenhum! Pois, é inútil nos dias de hoje haver religião, mas isto sou eu, que apenas queria que as pessoas tivessem bom senso com todas as outras e não apenas com um grupo restrito delas.

A segunda maior causa de mortes e guerras, depois da dos lucros que ela arrecada, é pela religião. E quem a segue mais radicalmente (nem todos os religiosos são culpados do ocorrido, obviamente) está a comprometer o bem estar dos outros cidadãos que não a seguem no mesmo extremismo que ele o faz à sua ideologia, ou que não sigam a mesma religião.

Eu, por interesse, um dia gostaria de ler a Tora, a Bíblia e o Corão. Porquê? Porque gostava de observar os princípios daquelas religiões (as três maiores) e observar as discordâncias entre elas. Uma que remete para a paz e o perdão e que faz exatamente o oposto. Outra que se impõe contra os opositores e declara guerra nos infiéis, até que o cumpre. A bem ver, quem é mais religioso ainda são os extremistas, porque esses seguem a palavra do seu Deus, literalmente. Pois porque até foi o seu Deus que escreveu aquilo, e não uns quantos Zés da esquina que decidiram que gostariam de governar o mundo, e para isso moldar uma religião que fizesse os seus crentes lutarem por uma guerra de supremacia global.

Enquanto for apelada a religião, e a sua devoção, estão só a limitar as mentes das pessoas que irão observar os restantes como incorretos porque não seguem as mesmas ideologias que eles. Enquanto for apelada a religião, a guerra ‘’santa’’ irá ser sempre apoiada pelos seus seguidores, cada um no seu lado do ringue com o público a observar quem vai ao tapete primeiro.

E para quando acabar isto tudo? E refiro-me mesmo ao fim do mundo. Podiam organizarem-se todos e terminar isto de uma vez!

Como refiro a religião também abordo a política. Que até ainda há uns quantos cidadãos com bom senso e remetem para o facto de não se realizar um duelo à antiga entre os dois presidentes que se contrariam, ao invés de enviar gente inocente (ninguém o é...) para lutarem a guerra dos outros!

E se ao invés de acabar com o mundo, fizermos dele um melhor?

Retroceder aos estilos de vida do passado (mas sem a escravidão claro) e sermos todos mais simples, com tudo ao nosso dispor devido a todas as novas ciências e tecnologias. Poucos ou nenhuns teriam que trabalhar em algo que não se sentissem valorizados ou concretizados, pois não seria com salários que se viveria mas com senso comum e partilha de bens. Seria um mundo solidário e nada egoísta. Poderia-se viver num estilo de hitchhiking, em que não se teria receio em dormitar em casas de estranhos, ou de vaguear sem destino conhecendo o mundo e a si. Seriam as ruas cheias de música daqueles que dela quereriam viver, e ao invés da solidária moeda para ajudar, seria uma taça de sopa e uma cama para passar a noite, uma vez de um outra vez de outro cidadão. As paredes seriam a tela dos artistas, onde todas as casas seriam personalizadas à escolha do habitante. As escolas seriam para ensinar a escrever e a ler. Apresentar as diferentes artes do mundo, deixando à escolha do petiz seguir a sua. Transporte próprio não seria necessário, pois todos utilizariam unicamente transportes públicos, partilhando experiências com os seus ocupantes. Hospitais em cada vila e cidade para uma maior atenção ao que realmente interessa que é o bem estar das pessoas, e não o lucro com a saúde (ou a falta dela) por parte dessas instituições. Não haver policia, militares e seguranças, pois não faria realmente sentido um mundo em que necessitasse de controlo. Não haveria assaltos, pois ninguém quereria mais que o bem estar de todos, não haveria competições pois essas não têm sentido hoje quanto mais num mundo assim. Sermos todos livres de escolhas, vivermos das necessidades e não do consumismo, reduzindo drasticamente a poluição e mesmo a necessidade de tantas fábricas. A moda não deveria existir nem a produção em massa já que muito remete para o desperdício quando tantos noutros países carecem da falta de recursos. O mundo seria limpo, e auto-suficiente para funcionar pelo menos uns quantos milhares de anos a mais dos que se observam hoje! (...)

É pedir muito que as pessoas pudessem viver livremente? Ou num mundo bom? É que a meu ver, é tudo muito simples, mas a complicação deve estar no nosso ADN, e não conseguirmos parar um segundo que seja, e refletir ‘’Ah, que mundo de merda! E mudar isto?’’ Han? O mundo parar um segundo? Conseguem? Seja em que língua a vossa for, reflitam isso.

 

Acabem lá com isto... Por favor.