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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

05.Out.18

Engenho que não me pertence

Vou escrevendo, e lá escrito surge.

Com o tempo as palavras embelezam-se,

Fazem-se mais próximas, mais coerentes,

Mas as minhas sinto-as sempre idênticas

Mesmo se agora com enfeites.

 

Partem de mãos trémulas e fazem-se em rico engenho

Numa caligrafia impercetível mas em cada rabisco sentida. 

Quem lhes apelida de arte, não sou eu, são as próprias palavras.

Têm elas em si mesmas requinte, onde até o negro fazem belo.

 

Não lhes sinto o esbelto, não aquele que eu lhes ofereço

Nestes tantos nadas que em tudo faço.

A eloquência esvai-se, pois a mente não pensa sofisticadamente,

A rima não rima, pois a mente não faz jogos coerentes.

O dom são das próprias palavras

Em descreverem o ser tão bem por dentro.

 

Nesse jeito, deixo tudo ser varrido

Sobre esta folha suja em que faço o pensamento.

A poeira assenta, descendo levemente depois de estimulada,

As palavras preenchem os contornos, fazendo de pó frases completas

Pausando e organizando a vultuosa camada de sentimentos

Esses que fazem uma página cheia.

 

Agradeço às palavras sempre que se mostram belas,

E, quando até a elas lhes falta engenho, suspiro-lhes, em tom alegre

Pois se me coubesse a mim, escrever no pó o belo, apenas poeira seria

Pois cá por dentro é tudo tão diferente; nem pontuação faço

Se não um ponto final entre um e outro pensamento.