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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

05.Abr.18

Escrever

Aqui mais uma vez me encontro, entre o lápis e a folha de papel.

Não peço para estar nesta situação, mas, francamente, não encontro nenhuma melhor para ficar. Sinto um desconforto confortável, um peso suportável, a vida e a morte.

Este peso que carrego é apenas o do lápis com que aqui rabisco. O desconforto que sinto é apenas força-lo (o lápis) a escrever o que me vai por dentro. Sobre a vida e a morte ainda nada sei, mas que o anote quando fizer pois estou ansioso por conhecer tamanha contradição que guia tudo o que vai no mundo. 

Até agora tenho percorrido esse rumo, sem ambição, sem desejos. Concluí que tal coisa é um atalho, mas é apenas um atalho para deixar de viver.

Observar me mostrou muita coisa, ler me ensinou outras quantas, escrever, isso me mostrou o quanto já aprendi.

Nunca me envolvi o suficiente com a vida para a achar apetecível, por mais que o diga a mim mesmo, as palavras não têm voz para me fazer mudar de opinião. Muito menos músculos para me forçar a segui-las. Não, isso não conseguem. Tenho que escrever noutro tipo, de outra forma. Não são palavras que me conseguem mudar, sei isso da pior forma, porque, na verdade nunca consegui aconcelhar ninguém, muito menos a mim mesmo.

Observo os meus erros e escrevo-os. Iludo-me nas minhas questões e aponto-as. Tudo isso para no fim conhecer-me.

É verdade que falo pouco, nada algumas vezes, mas também de nada adianta se não me oiço a mim mesmo. Grito, bem alto, para me fazer ouvir, mas de nada serve. Não sou surdo mas sim egoísta. Quero a minha voz para mim. Selei-a para não conseguir sair, para me pertencer e ser pura desse jeito.

Tantos erros que cometi por não quebrar tal selo. Pensei que a voz me chegaria mesmo assim, mas nem eu a consigo ouvir. Nem me lembro da última vez que o fiz.

Agora receio que tipo de pessoa falará, como reagirá depois de tanto tempo presa. Como receberá a vida que percorreu de olhos vendados. Até de mim tenho medo quando conseguir novamente me ouvir, a voz que tenho ignorado. Tanta raiva, tanto ódio, por vezes senti-o a apoderarem-se de mim, mas depois consigo esquecer tudo e nem palavras se revelam escritas nessa altura.

Nesses momentos vagueio num limbo, calmamente, adepto da escuridão que ele oferece. Pois assim não tem nada para me mostrar ou dizer, apenas solidão. Não preciso de fechar os olhos, nem tapar os ouvidos, porque, até agora, tudo o que faço é escrever.