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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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01.Jun.18

Eutanásia: Sim? ou ... o que é que se passa?

O título vai já ao encontro da minha opinião, mas como a minha indignação não se contenta com meia dúzia de palavras gostaria de falar um pouco do porquê dela.

Vale a pena escrever mais? Não. Porquê? Porque provavelmente poucos são os que irão ler este texto, e menos ainda ou nenhuns são quem irá estar contra o tema abordado; não podendo estes refletir um pouco mais num tema tão diverso que não poderá nunca ser levado numa opinião individualista. Tendo pois, sido assim que prevaleceu no dia da sua reprovação.

Eu só me faz confusão não ter sido aprovada, não as pessoas que estão contra.

As pessoas que estão contra são só seres que ainda lhes falta humanidade, ou talvez um pouco mais de estudo porque o significado de eutanásia está quase para homicídio na cabeça de alguns.

A vida tem que ser estimada? Claro. Temos que lutar por ela? Claro. Temos que sofrer por ela? Não sei, temos? Mas claro que sim, não estou aqui a dizer que não é por aparecer uma barreira mais difícil de se atravessar que desistimos completamente. É até uma forma de nos apegarmos mais a ela, de lhe darmos mais valor ao ultrapassa-la.

Mas e para quem o fez (desistiu) e continua a olhar para cima, bem alto, onde não alcança nem onde começar a subir o seu obstáculo quanto mais atravessa-lo? E quando não há uma forma de o evitar e estagnamos num estado de sofrimento e infelicidade? Esperemos passar? Aguentamos até ao fim pois é uma forma honrosa de partir, sofrendo durante os últimos momentos por uma causa perdida?

Ah, mas é quem é que te diz que é uma causa perdida? Pode alguém perguntar. A mim ninguém, só quem atravessa por essa dificuldade é que vos poderia responder a essa pergunta.

Desde a doenças crónicas a problemas psicológicos, uma variedade de sintomas poderá levar alguém a não querer acabar a sua vida sofrendo e criando sofrimento aos outros. Poderá levar a alguém ponderar se quer passar os últimos meses lutando pela vida que sabe que nunca viverá como os outros para no fim ter um final ainda mais triste.

Eu não quero nem vou dar exemplos de situações extremas em que o caso da eutanásia seria uma fuga para escapar de todo esse sofrimento, mas as pessoas que estão contra a sua aprovação poderiam ler bem e refletir neste meu próximo parágrafo.

A eutanásia é uma escolha, não é nenhum medicamento que se receita ao paciente. Não é uma solução indicada pelos médicos, nem pondero que será alguma vez indicada por algum, é uma escolha pessoal (ou familiar) da pessoa em questão. Não lhe irá ser tirada a vida por estar num estado crítico, mas sim dada a escolha se quer continuar a lutar contra tal doença ou eutanasiar-se de forma pacífica num estado de aceitação com a morte. 

 

Não querendo ponderar os contra argumentos apresentados pela religião, vou ponderar um argumento social.

Eutanásia é suicídio.  Sendo sincero, e sem lengalengas, sim. Eutanásia é a escolha de querer viver ou morrer, assim como o suicídio. Então o suicídio é uma coisa boa? Não. E se levam isso como argumento, pergunto: A eutanásia é uma coisa boa? É que também não. Olha, assim estou a dar razão à sua reprovação, não? Não.

Mas ser necessário retirar a vida a alguém (por sua ou escolha familiar) devido a uma doença irreversível ou outros problemas seria considerado uma coisa boa? Óbvio que não. Mas se querem culpar alguma coisa façam-no na doença que a pessoa teve que atravessar na sua vida. 

Se um paciente estiver a sofrer num hospital não poderá ter em conta o suicídio, pois está a ser vigiado e em (provável) incapacidade para tal ato. Acham prazeroso manter uma pessoa em sofrimento só porque se tem que preservar uma vida? Mesmo que essa pessoa já tenha aceitado a ideia de terminar a sua?

Conseguem imaginar o que é estar-se preso numa vida que vos consumirá toda a felicidade que alguma vez tiveram por passarem-na nos últimos meses sofrendo sem poder termina-la? 

Conseguem imaginar o estado emocional que é não conseguir acabar com todo esse sofrimento pelas próprias mãos tendo que observar tudo à sua volta como os últimos momentos da sua vida?

E para as pessoas que estão capacitadas para realizar o suicídio? Não acham triste uma pessoa ter que se refugiar de todos os que estão ao seu lado para tomar certa escolha sozinho e espontaneamente pois não consegue aguentar mais? Ao invés de ser algo decidido como uma escolha pessoal, sem medo de a realizar pois é aceite entre familiares e até ele mesmo? Não acham que os últimos momentos poderiam acabar sem a dor de pensar no que se deixou para trás mas sim de conseguir retirar tudo o que lá ficou para aquele último minuto?

Que ignorância é a vossa para retirar o direito de alguém decidir acabar com a vida que nada mais lhe consegue oferecer se não sofrimento e desgostos? 

O que vos passa na cabeça quando a palavra eutanásia é levada quase como sinónimo de homicídio?

É UMA ESCOLHA! Não é algo que todos os que estão em estado grave de saúde podem até ponderar fazer, mas para os que a escolheriam tinham essa escapatória!

Com a reprovação da eutanásia o paciente poderá escolher continuar a sua vida, mesmo no estado que infelizmente se encontra, ou... ou nada. É que nem é bem uma escolha, ou estou errado? Se é mantido vivo, pelo seu desejo, é uma escolha. Mas se é mantido vivo contra a sua vontade, não será algo mais grave, como tortura?

Já pensaram um pouco no contrário que é escolher viver contra a doença que atravessa, sendo ela incapacitante ou mesmo letal? Acham que se chama a isso viver?

 

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