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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

09.Abr.18

Força de (pouca) vontade

Algo que sinto muita raiva de mim mesmo é da minha falta de motivação para praticamente tudo. Não sei explicar porque sou assim, nem como me tornei; mas não sei mesmo se fiquei assim ao longo do tempo ou se já nasci com este defeito. Penso ser mais a segunda hipótese porque mesmo em pequeno não me lembro de ser assim tão extraviado e social para considerar que agora seja menos. Sempre fui pouco, essa é que é essa. E não vejo grandes alterações nesse feito para o futuro (até porque não o prevejo, por isso não vejo mesmo é nada). É algo que irá ficar na minha pessoa e que o costume de ser assim já foi conseguido e deambula aqui dentro com tudo o resto.

Mas estar acostumado com a dor não faz ela parar de causar sofrimento. Esta minha situação é igual. Se gosto de ser pacato? Até que sim. Paz e sossego são duas palavras maravilindas e que aprecio muito os seus significados. Sinto-me um monge com uma mistura de hippie (mas sem as drogas) que aprecio melhor o silêncio ou os sons ambientais que muitas vezes conversas ou mesmo músicas. Mas até aí tudo bem, personalidades todos temos uma diferente e até que não desgosto da minha (isso porque não escolhemos a nossa personalidade, claro que lhe mudaríamos alguma coisa, mas somos assim porque nos tornámos assim). A nossa posição natural para com as coisas nos moldou para sermos o que somos agora. Se alguma decisão foi tomada com base em influências (não confundir com escolhas) então não fomos nós a fazê-la.

Para ser sincero, se não vivesse em sociedade acho que não iria sentir a falta, ou mesmo a necessidade dela. Isto porque sociedade hoje em dia já não é nada do que seria de se esperar do significado dessa palavra. Tribos indígenas, ou aborígenes, chamando-lhes nós de retrogradas, são eles que sim trabalham para um bem comum. Que socializam e se interligam de uma forma mais pura ao significado real das palavras. A proximidade que têm em relação à natureza reflete-se no estilo de vida mais primitivo, mais natural, mais real em que vivem.

O que me cansa de ser quem sou é isso mesmo. Ter que viver às leis da sociedade e não com as da vida. Sonhar com a simplicidade e esse pensamento se tornar complexo, não aguento! Na vida pouca coisa quero, mas para ter o tão pouco que ambiciono terei que passar por muito. O mundo de alguma forma começou a rodar ao contrário. Não se montam mais peças de um puzzle, encaixando uma a uma, mas sim encontramo-lo inteiro e a nossa função é retirar-lhe a sua composição. Não existe mais muita liberdade para sermos nós a escolher que peças utilizar, que estratégia escolher, que planos tomar. Não. Tiramos peça a peça, e no final estará completa a nossa tarefa. Sem originalidade, sem ambições, sem progresso ou conquista. Simplesmente seguindo o imposto pela sociedade.

Não me motivo com a vida. Não sonho muito alto, até que não é ambições no sentido desfigurado da palavra em que baseio os meus sonhos. Chamo-lhe ambição pois é algo que não vejo acontecer e que quero muito. Ambição porque significa chegar a algum lado, não que seja uma posição famosa ou sinónimo de riqueza, mas sim algo que desejo. 

Não consigo me mover sabendo que não conseguirei alcançar tal façanha. O meu cérebro foge para o seu refugio, o meu corpo não o deixo eu ainda fazer. Tenho uma outra vida em sonhos. Pouco mais da minha pessoa vejo neles, que vivo neles. É tudo tão nada, tão surreal que acredito que se comparasse ao estilo de vida atual consideraria que os meus sonhos são mais reais que a realidade. Mais puros nos significados. Onde felicidade não requer sofrer primeiro. Onde sonhar não requer estar inconsciente. Onde paz não envolve haver guerra primeiro. Onde viver não nos faz pensar na morte.

Como conseguirei alcançar tal ambição se o mundo em que vivo é este? Porque sou julgado por pensar assim sendo que mais nada me ocorre para ainda ter esperança? (...)

O que ainda consigo fazer é sonhar que um dia poderá ser diferente. Não vou desistir da vida sabendo que ainda faço parte dela. Não me oferecerei à morte enquanto tiver forças, nem que sejam apenas para sonhar!

Uma pessoa não consegue andar mais que o seu sonho, mas definitivamente cada passo que der será real.

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