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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

30.Dez.18

Gostava de saber (que título dar a isto...)

Escrevo em papel envelhecido pelo tempo

Aquilo que mais vivo sinto, por dentro.

 

Contradigo o sentimento, fazendo-o de pensamento.

Prolongo e antecipo a vida, mas tudo isso apenas na mente.

 

Esguio, entranho-me dentro da ampulheta que rege a vida e o momento

E assim caio, eternamente, em todas as situações e acontecimentos empurrados pelas areias do tempo.

 

Penso muito no passado, no que poderia ter feito.

Mas aquilo que não disse ontem é o que penso ao escrever hoje, que não irei ver proferido, amanhã...

 

Não escondo o que sinto no silêncio, apenas não o sei dizer...

Dos momentos faço a vida, mas todos eles de natureza descendentes.

 

Prisioneiro da ampulheta do tempo

Sinto que nem a eterna queda me pertence

Mas sim um único dos seus grãos de areia,

O único a que tenho controlo, que na minha palma repousa depois de todos os outros:

A decisão de continuar a cair e ficar estendido, ou erguer-me todas as vezes que encontro o fundo,

E virar a ampulheta, não caindo sempre rasteiro, mas, por breves momentos, lá bem de cima.

 

(Aquilo que mais quero erguer, só será alto se assim o fizer. Da vida recear apenas o que se poderia ter feito, e não se fez, não é viver...)

 

Que medo sinto em ver-me perder o que a ainda nem tenho direito?

Sinto-me capaz de carregar em mim o tempo, o silêncio, mas sobrevalorizo a paciência.

Não é nada como a vejo.

O tempo não tem mente, e passar hoje como há milhões de anos passou, ele passa, e passará, nos próximos milhões. 

Eu, fraco como todos os homens, cedo, é por isso que como, é por isso que bebo; assim me pede a mente.

 

Um dia pediu algo que não conseguiu, e amuou. 

Numa melancolia se perdeu, e me arrastou, e diria que tornou-me naquilo que sou hoje, mas que na realidade nem sou.

Embriagada em si mesma, luta e exaspera por algo que não deseja.

Medica-se e mutila-se e nada faz para controlar toda a euforia.

Atrás de significados fico à procura... Mas corro atrás de mim mesmo há tanto tempo, tanto... Que não me apercebi que nem sequer tinha fugido.

 

(Sou toda esta confusão, sou tudo isto que sinto, esta mente que em nada realmente pensa, pertence-me... Este sou eu, fugindo de um tempo a que não pertence, a que não quer pertencer, e por isso vejo-me correr incansavelmente atrás dos segredos da mente, pois da vida esqueci-me, e, lá nem tão fundo, não acredito que valha a pena viver, se será isso para sentir um momento bom e no fim (saber) o perder. Procuro algo mais, mas entristece-me, sim, que não consiga viver com a simplicidade do sentir e fazer - Há que haver algo que nos dê prazer em amar, como em sofrer. Há certamente algo que se encontra numa criação, que revela um ser...)

Estou genuinamente cansado, e preocupado deste cansaço não me estar a afetar... Quantos silêncios tenho por dentro? Quantos mais breves sim(s) e não(s) ainda consigo dizer?

Cansa-me, mas não me sinto cansado. Quase que abraço esta ideia, de não dizer nada, de não querer nada... De não possuir nada. Mas sinto que a busca por isso, a realidade dessa minha mentalidade, não existe nem na minha própria mente, por mais que recriada. Quero algo que não consigo acreditar que realmente o quero. Que não consigo querer, pois conheço a realidade e o que seria saciar este desejo. 

Quão mais tempo serei criança - reclamando, alegando, julgando, insinuando, fazendo do mundo um sítio horrível, onde apenas habita o fútil e o cruel? Não conseguirei eu ver além disso? Não conseguirei eu fazer algo, além disso?

Mas para quê viver para o mundo todo, ou porquê o penso fazer... Se nem para mim consigo? ...