Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

03.Mar.18

High Hopes

Pensar no passado pode ser sinónimo de arrependimento do presente. Ou não, e fazê-lo apenas para recordar a origem de tudo e conseguir-se observar onde se alcançou. Independentemente, é no passado onde está a vida. É lá onde se encontram as memórias, as razões de sermos quem somos, a inocência, e, também, onde nós mesmo estamos.

A mente não nos emite imagens do futuro, o mais que pode fazer é supô-lo, mas não vive lá. O presente é um dos tempos mais estranhos que se podem debater. O passado é a certeza, é tudo como foi e o é. 

O passado é a vida pois é onde se encontra o desgosto, a amizade, a alegria, os bons e os maus momentos, a nossa presença, tudo! Não se pode censurar alguém que viva a pensar nele, pois ele é a sua vida. O passado é tudo o que queremos ter. Um dia vai acabar e nós sabemos, mas nessa altura o medo não está no que se irá fazer amanhã, está no que se fez ao longo de todo o percurso. Quando se chega ao final e ficamos cientes que nada mais se pode acrescentar, refletimos na nossa vida. Se conseguimos acaba-la com um sorriso ou com uma lágrima de pena no canto do olho. As duas ocorrem, pois no final a tristeza e a alegria ficam vinculadas e ambas terminam os altos e baixos da existência daquele ser, assim como os batimentos cardíacos se observam estagnados nas máquinas hospitalares.

No fim corpo e mente são um só, pois não existe futuro para os alterar. Todo o passado será a vida de quem a realizou, completa, seja qual o término que ocorreu.

Querer viver no passado é querer sermos nós novamente, em todo o nosso esplendor de ser, com toda a magnitude do momento sem pensar no próximo. Batalhamos para nos mantermos originais a nós mesmos, sem as influências do tempo, sem as ocorrências da vida, e só no passado está o tempo conservado, ali, mostrando-nos nós mesmos a viver já sem a consciência de qualquer outro acontecimento se não um único.

É na beleza da conservação onde a nossa vida se manifesta, não no presente, onde não somos ainda ninguém, nem no futuro que não existe ainda, somos quem somos só no passado. É a história que retrata os feitos do mundo, que nos recorda quem foi quem e o que fez e porquê.

 

Pensar no futuro é uma perseverança. Pensar em alcançar o passado é uma grande esperança.