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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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09.Out.18

Não é necessário guerra para haver paz

Não sei de onde surgiu a conhecida frase «Para haver paz é necessária a guerra», mas pensei nela durante muito tempo. Tempo suficiente para concordar, discordar, achar deplorável ou encontrar-lhe o sentido. 

É fácil achar-lhe a razão, deve ser até por isso que nos dias de hoje é realmente assim que se desenvolve a paz praticando a guerra. Bem, o mundo é este, e mesmo aqueles que batalham contra ele - a favor de um melhor - fazem todos parte do mesmo; Onde um tira a vida e outro previne a aniquilação, são indivíduos que fazem parte de mundos diferentes, mas o mundo é só este para os dois...

Quais são as razões da guerra? Poder, monetário e territorial. Religião. Revoltas civis, provenientes do descontentamento em que vivem com o partido/ideologia do seu país, em que utilizam o extremismo (guerra civil) para alcançar a solução desejada para o bem estar do povo. Ambição, em desejar algo que não lhe pertence utilizando a força das armas para o adquirir. E mesmo devido à etnia, o racismo e afins.

Agora pergunto-vos, onde, nos motivos principais de ocorrer uma guerra, se encontra paz na sua concretização? Talvez a guerra civil? Mas é necessário o povo levantar-se ao ponto de empunhar uma arma para se fazer ouvir perante o descontentamento geral em que vive, para o estado ouvi-lo? Ou melhor, para o mandar abaixo, já que foi por não ouvir que o povo cansou-se e rebelou-se, pois nenhuma guerra civil começou com armas, mas sim com ideologias, sendo essas ignoradas e sendo tão necessárias para viver, o povo sobreviveu à crise como podia. Sobreviveu como se sobrevive. Com guerra. 

Sabem porque razão a guerra não traz paz? Depois de resolvida e teoricamente terminada? Porque depois de uma, a nação prepara-se para travar outra. Depois da guerra ativa vem a guerra fria, e depois de não se conseguirem resfriar mais, as armas voltam a estrondear violentamente até necessitarem de arrefecer de novo... Reconhecem o ciclo? Não é ele de paz, pois terminar uma guerra e no fim limpar as armas para uma outra, não há gente tão ingénua para não ver aqui o padrão. 

É triste, pois é mesmo a isso que se chama paz, e continua-se a praticar a guerra para essa ilusão se manter. Enquanto por detrás dela há mortes desnecessárias, enriquecimento do lado vencedor pela aquisição dos bens da terra em que batalhou e, (utilizando um termo bárbaro mas sendo praticamente esse o ocorrido) saqueou, os subornos, as intimidações... Por detrás das linhas da frente há a verdadeira guerra, não as mortes já tão desastrosas, mas o motivo delas!

A paz numa guerra só existe para o vencedor da mesma, e, para aqueles que lhe ficaram atrás, há a necessidade de se provarem suficientemente capazes de travar uma outra com o vencedor, para não serem os próximos a serem atacados. Temos o exemplo mais próximo e conhecido, entre os Estados Unidos e a Rússia, na corrida às armas nucleares... Também temos a destruída Alemanha, que demorou anos a se recompor dos erros passados pois os mesmos que a libertaram do nazismo batalharam para a sua governação, sendo que o povo viveu como tinha vivido nos mesmos anos da segunda grande guerra; Prisão de idealistas, censura exterior (em parte da divisão da Alemanha no setor soviético com os demais), torturas, violações, pobreza - assim como estavam na decadência do terceiro Reich... A paz não é alcançada naqueles que perdem a guerra, e se é isso algo vantajoso para os vencedores de não terem que travar uma próxima batalha cedo, que paz então é esta?

Evoluímos muito pouco, em relação aos outros isto é - em relação com os outros. O homem em si é a cada dia mais um mistério, mas o homem em nós, como comunidade, é algo estranho que depois de tanto tempo não existe como devia existir. Paz. Temos o seu significado, temos as palavras, temos mentalidades (mesmo que poucas), temos o mundo, temos tudo! Falta-nos nós mesmos, trabalhando em conjunto...

Não é com a guerra que o homem cria a paz. Seria nos atos mais mundanos, no amor, na partilha de histórias sobre terras distantes por onde cada um passou, em viagens pelo mundo e no conhecimento dos outros... Nunca vi ninguém falar na rua apontando cada um uma arma ao outro, mas sim com sorrisos, atenção, até desdém - quem sou eu para gostar também de toda a gente... Mas é nessa compreensão que se vive naturalmente, não disparando primeiro...

A paz deveria ser adquirida pelo o ato humano de se viver, não o desumano que tão cingindo se fez no homem, que é matar.

 

 

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