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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

04.Out.18

Nasci para ser nada

Nasci para ser nada.

Nada fui até aqui.

 

Assim como as estações do ano

Eu passo, sendo algo diferente a cada momento.

Assim como as estações do ano,

Não paro, vivo em eterno movimento.

 

Não há dia que passe

Que eu seja o mesmo.

 

Nos sonhos tenros faço-me criança

Correndo perdido entre tanto entretenimento

Como no baloiço de infância, elevando-me ao encontro do sonho

Ou o escorrega de cor da esperança, fazendo-me deslizar dos céus à terra.

 

Sonhos, nada mais se fizeram.

Não paro ou descanso, neste melancólico relógio tique-tando.

 

O tempo passa, envelhece-me o corpo

Mas mais que isso, a alma.

O pensamento turva-se e o corpo contorce-se

Nesta mesma reflexão; que nascemos para ser nada.

 

Ontem, quem diz ontem diz um dia, pensei ter vida.

Hoje sinto apenas que percorro a sua estrada.

 

Da nascente percorri o seio que me acolheu.

Fiz-me rio, num dia, e lá fui eu.

Sonho com o mar vasto, mas esse não é meu

Pois é isso mesmo que é ter vida, ser-se um rio eterno.

 

Só nos abrimos à vida, quando já vida não temos.

Só realmente temos uma vida quando essa se torna existência.

 

Agarro algo incompleto, sempre que quero viver a minha

Mas escapa-se entre os dedos aquilo que queria

Manchando-me as mãos da pútrida existência

Daquilo que nunca chegou a ser, e só será um dia.

 

Não há dia que passe

Que eu tenha o mesmo.

 

Saberei, se no fim me oferecerem esse prazer,

Que um dia vivi, sendo esse dia a minha vida.

Farei parte da existência, a completa, sem enganos,

Daquilo tudo que incompleto fui um dia.

 

Hoje avanço, nesta correnteza em que me faço rio.

Um dia desaguarei no mar, nessa existência perdida que é a vida.

 

 

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