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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

20.Mar.18

Noites iluminadas

Penso em escrever, não interessa o quê, todas as noites. E até o faço muito, mas só na minha mente. Quando me chego perto de alguma forma de guardar aquela composição, simplesmente se evapora.

São palavras que surgem, ideias que nascem, músicas que se ouvem e sentimentos que se retraem. Tudo isso escreve por si só, nada faço nem consigo fazer para serem realmente os meus textos. Um plágio mal feito; não lhas caracterizava de outra forma se me perguntassem o que apelidaria às minhas composições. Não lhes consigo representar a sua mestria com as letras, são eles eles mesmos e eu sou apenas quem os tem. Um sentimento escreve-se a si mesmo, eu apenas espreito pelo canto do olho o que lhe ocorre no seu caderno, sempre atento para não o fazer entender que o faço para não o perder. Pois é assim que os sentimentos se vão, quando se pensam neles. Ninguém feliz o é se o disser. A felicidade o abandona por a ter revelado, e agora não há forma de voltar atrás, esse momento se perdeu, e, por mais que se o queira representar novamente não será digno ao ocorrido.

É essa a minha luta interior. Não posso ser nada se o quero realmente ser. Se quero ser feliz não posso me encontrar nesse estado. Se quero amar não o posso estar a fazer. Se quero escrever não devo, porque essa é a forma das palavras me abandonarem, e não serem elas a se apresentarem aqui, pelo menos não da forma que as queria deixar.

A minha escrita é delicada pois as minhas ideias são sentimentos e deles pouco lhes consigo retirar. São tantos e tão variados que até a sua escolha se torna difícil para os apresentar, quando algum se revela mais suscetível, aí não há forma de o descrever. Pairam no céu da minha mente, essa longínqua e livre à sua maneira. São os sentimentos que me fazem escrever, quase instintivamente, como se apoderassem-se de mim e fossem eles a rabiscar aqui, puros, e tão orgulhosos para se mostrarem a outros, isso quando escrevo por palavras e não por sinapses.

Por agora encontram-se todos escondidos, cobrindo as suas folhas de papel para eu não lhes poder copiar, penso que mesmo eles têm dificuldades em conhecer a sua identidade, não podendo ser outra coisa se não aquilo que são.

São tão eles indecisos quanto eu, com medo das luzes, com medo de ser algo mais do que lhes foi atribuído e por isso decidem não ser nada mas cada um apenas mais uma estrela nesta noite iluminada.