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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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Pensamentos do (meu) mundo.

24.Jul.18

O céu é um lugar frio

Sempre me questionei com o equilíbrio natural das coisas. Com a forma como se adaptam para se tornarem novamente no que foram, ou numa outra qualquer versão que faça juízo à sua essência. E o espiritual vem-me sempre à mente, também. Pois esse é utópico, inalcançável, e as questões são sempre maiores para aquilo que não compreendemos ou vemos acontecer.

É grandiosa a visão extremista do ser humano, da sua mentalidade. Acredito que seja mais ainda o pensamento dessa situação, quando estamos impossibilitados de a vislumbrar em pleno. É o nosso comportamento incompleto mexendo-nos no interior, quebrando o sistema e oferecendo-nos a perfeição, a plenitude existencial, e completando o movimento; levando o corpo a um certo ponto, continuando a mente até ao infinito.

Questionamos o comportamento humano, e como ele é desequilibrado. Mas tal desequilíbrio não nos pode abandonar, ou seríamos incompletos, sem propósito. «Há muita maldade no mundo» | «Há muita bondade no mundo»

Haveria algum sem o outro? Existiria bondade se o maléfico não existisse?

Não há muito tempo li num livro um pequeno devaneio do personagem que narrava a história, dizia ele que, questionando a vida pós-morte, o céu seria um lugar frio, pois sendo o lugar inverso do inferno, não poderia apresentar as mesmas características. E fiquei a pensar muito em relação ao assunto. O pensamento tornou-se num azul pouco focado se lhe tivesse que atribuir uma cor, e a visão que teria dela.

Talvez fosse por pensar em frio que atribuísse a cor azul, ou por ser do céu a que se estava a referir o personagem, ou mesmo da cor em si, o azul, aquela cor que nos remete para a passividade, a harmonia. Depois juntei todos os significados, e foi assim que ficou a tinta pouco esclarecedora, perdendo muito do seu brilho, sendo um azul fosco, mesmo todo ele preenchendo a tela do meu pensamento. 

São quem não praticou o pecado em vida que entra nos portões do céu, na morte. Um local merecedor a uma alma bondosa. Mas até que ponto seria assim? Que bondade existe num local onde não habita o maldoso? Oh, mas ele existe, e nunca nos abandonou.

Se numa visão, hipotética, a bondade (no céu) reinasse como está escrita, sendo um local de sossego e descanso eterno, que vida haveria realmente depois da morte? Que vivência existiria se não a mera sobrevivência das necessidades humanas? Um mundo que não girasse, a eterna plenitude do nada. A morte é sempre um fim, e neste caso seria aquele que conhecemos...

Se numa outra perspetiva, também ela hipotética, a bondade é apenas parte do nosso ser, que a bem dizer é como realmente se encontra? Seria o céu um outro mundo, uma outra oportunidade? Teríamos vivido com princípios bondosos, e assim enraizado uma passividade em relação aos demais, mas as várias questões continuam no nosso interior, as dúvidas, o mal lá guardado. Estaríamos na plenitude do nosso entendimento, pois a vida estava concluída, e que nos trás a morte se não uma infinidade de possibilidades? Que punição teria realmente um ser cuja vida já não lhe pertence, e todas as suas questões e preocupações fossem a vontade deste para desvendar ao longo da sua eternidade?

Seríamos outro ser ao partir para o céu? Se seríamos nós, plenos, seria tudo o que constitui o nosso ser, plenamente, habitando em tal local. Quem pratica a bondade reconhece o erro, conhece a maldade, a crueldade, a frieza humana, pois é disso tudo que se está a afastar, mas tudo isso faz parte dele também. O médico cura o seu paciente pois está ciente do ferimento. E a visão do seu paciente estará presente em si, no estado a que foi apresentado e no que recuperou. O famoso ditado de que o mal vence sempre, é correto. 

Não existe bondade plena, pois sem nada para corrigir, não existe ninguém a praticar o correto. O céu seria um lugar muito distante em termos de relações e as pessoas deambulariam no eterno sem propósito.

Porque é que a maldade venceria esta luta? Pois essa não precisa do outro para existir ,e, mesmo apesar de se auto-destruir, um novo ciclo de caos avançaria novamente.

O mundo é este lugar maravilhoso, que apesar de equilibrado pela natureza é perturbado pelo ser humano, o que o torna um mundo perverso. Nascemos em pura maldade, como teste à nossa resiliência, e somos atirados às responsabilidades de tornar este um lugar melhor. Há quem a consuma (a maldade), e há quem se deixe consumir. Mas em nenhuma das hipóteses o homem realmente vence, pois é o ciclo da vida de que estamos a falar, e no dia em que o fizer, não haverá propósito de prosseguir com a vida, ou um novo ciclo se iniciaria, retomando o ser humano à procura da bondade.

É me mais próxima a visão da mitologia nórdica, em relação ao ciclo da vida, do fim levando ao inicio, de morrer para outra coisa nascer. Ragnarok é um acontecimento onde o mal reinará no mundo, onde será combatido pela sanidade e esta falhará. É também o fim de um ciclo onde a maldade reinou, originando um novo mundo para se habitar novamente.

 

O céu seria um fim, uma eternidade sôfrega e sem propósito, um local de profunda melancolia existencial...

 

 

 

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