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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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19.Fev.18

O nosso ensino...

Ah, escola, escola... Saudades? Muitas. Gostava imenso daqueles dias em que não se tinha uma aula. Das disciplinas que, uma ou outra vez, nos ofereciam liberdade para abordar os temas e criava-se uma discussão em que o assunto não remetesse para o futebol, (mas que lá de vês em quando esse também surgia). Das notas. Adorava notas. Era como os traficantes, só de 5 e de 10 trocadas, que os meus pais me davam por semana. Não era por gostar de andar com notas facilmente falsificadas, como os dealers, era só mesmo porque não dava para mais. Ah, pensavam que era notas dos testes? As classificações das disciplinas? Não, isso não dava para um lanche no bar. Também gostava muito das férias, imenso. Sentia-me livre, nem que fosse por um dia que realmente o fizesse, mas assim me encontrava.

Quando se começa a observar a escola como uma prisão, alguma coisa certa deu errado.

Sentia-me oprimido entre as quatro paredes da sala de aula, como a que uma cela se assemelhasse. Duas horas fechados, e lá se tinha uns valiosos minutos em que se podia ir para o pátio, onde se trocava informações com os outros reclusos sobre as novas. ''Olha, este professor não veio, mas vão ter aula na mesma pois têm substituto'' ''Estou a ver...''. E assim lá se planeava as melhores formas de depois daqueles míseros minutos, passar duas horas novamente trancado. Quando à saída, e agora almoço, lá se fazia uma fila, (para aqueles que a respeitavam), e esperava-se naquela fugaz hora pela nossa refeição. Havia sempre os famosos gangues no interior. Ao entrar com o tabuleiro lá me conformava a sentar perto do meu grupo, não que fossem os únicos para uma pessoa socializar, mas na escola, não sei se só eu era assim, mas não tinha muita vontade de conhecer nova gente quando tudo me simbolizava negatividade. ''Então, e como é que vieste dentro?'' Não seria propriamente a melhor forma de abordar alguém num estabelecimento educativo, ainda levava alguma xinada. Estou a gozar, não seria tão dramático assim, simplesmente me chamariam uns quantos nomes, e, por não me conhecerem, não acertarem com nenhum, e com isso destruírem um bocadinho mais da minha auto-estima. Nem tudo é mau, podia estar agora com dois umbigos.

 

Depois de entrarmos na escola, aí só depois de cumprida a pena podemos sair. Qual tribunal que nos reduz a pena; O tanas! E, se pensarem fugir, são perseguidos pela policia e vão mesmo ter a vossa casa. Podia ser para beber um copo ou jogar uma cartada, mas não. Lá seriamos capturados e agora postos em solitária, com maior supervisão e uma maior restrição de liberdade.

Depois de começarem a trabalhar é que vão saber como era boa a escola!

Quando finalmente termina a pena, e refletimos acerca do ocorrido (que a bem ver, é com essa a intenção que se aprisiona um recluso), vem-me isto à superfície:

O sistema de ensino, não digo que esteja desatualizado (porque isso têm eles em muita conta, mudando de livros quase todos os anos, lá nos fazendo gastar mais...), mas que não é coerente com a sociedade em que vivemos, não é.

Não culpo os professores, que, a bem ver, não têm algemas mas também não têm a chave para nos libertar das nossas. É o sistema que está incorreto. E não digo nada de novo, mas por ser mais um a fazê-lo pode ser que mais pessoas reparem no que está a ocorrer e que simplesmente se varre para debaixo do tapete!

Nem que seja a minha avó que está ler a consciencializar-se disto, mas é mais uma! (Mentira, só escrevo para mim, mesmo...)

A escola cansou-me, de tal maneira que ZzzzZZZzzzZZ! Oi!? A dormir senhor/a leitor/a? Não está a gostar do que está a ler? Pois bem, aguente-se! Ah, forçar-nos à bruta a aprendizagem, bons temos esses!

Pois é, nem tudo o que nos é apresentado na escola é o mais interessante, não digo matérias que realmente são necessárias, como... Hum. Mas ao estar para ali a ouvir aquilo muitas das vezes penso, nem é que podia estar a aprender algo mais útil (que podia), mas que aquele assunto teria tantas e mais formas de ser apresentado que pelo menos me manteriam cativado de certeza! Aí não sei se culpe os professores, que apesar de terem que apresentar o que está no «¿plano?» podiam certamente aborda-lo de uma forma que se revela-se em conformidade com quem está a aprender.

Isso e não nos tratarem como adultos que não somos!

É que eu sou uma pessoa que gosta pouco de futilidades, e, apesar de prezar muito o respeito pelo próximo, não compreendo esta forma de nos tratarem no ensino. - Falo de secundário, não fiz universidade, que aí, (espero não estar enganado), é diferente.

Sim que só somos tratados como o fazemos aos outros, mas nunca vi nenhum educador meu me chamar de professor ou doutor! Porque é que somos tratados como crianças? ''Ah, mas o vosso comportamento é como se fossem'', claro! De tanto termos a fama já agora que tenhamos também o proveito! Se mimar-se muito um animal, mesmo sendo já velho, será sempre um bebézinho lá no fundo, que gosta muito de miminhos e festas; Especialmente aquela dos dezoito anos em que se bebe muito porque agora é legal, e no caso dos cães por exemplo, só têm mesmo que ter 3 anos humanos para poderem beber! Estou a gozar, é festas de caricias mesmo...

Se, por alguma razão, cometermos alguma situação que não é bem vista (digamos grave) porque é que os nossos pais recebem um recadinho na caderneta? Digam-nos para mudar mas é a nós! Estamos ali à vossa frente, e por muito que queiramos não conseguimos deixar de ouvir. ''Ah, mas não adianta de nada porque nem é preciso passar uma hora e já cometeram novamente o mesmo erro ou um mais grave'', hum... É? E qual foi a circunstância? É que acontecer o mesmo, e logo uma hora mais tarde, não deve ter sido grande coincidência. E que tal ouvir o visado? Depois admiram-se de tantos jovens com problemas de comportamento, ou mesmo psicológicos. Onde está o aluno neste processo todo de ensino? Onde está a sua opinião? Os seus gostos? (...)

Tiveste notas suficientes para passar? Parabéns, agora dá espaço para o próximo...