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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

06.Jun.18

O tempo passa e eu aqui...

...vendo tudo com ele passar. Nada me cumprimenta, nem mesmo num simples aceno ao atravessar. 

Sentado num banco de jardim, solitário como uma folha perdida do seu pouso natural da sua árvore, observo a vida e as coisas. Tudo de forma abstrata de mim mesmo, sempre evitando o julgamento com base em princípios pessoais e aproximando tal a fundamentos sociais.

No meu redor encontro toda uma abundância de informação dispersa de si mesma realizando esforços abismais em se mostrar única aos demais olhares. As cores vibram e movem-se entre elas. Os verdes naturais fluem entre azuis artificiais, o vermelho vivo funde-se com o marrom cansado e o negro das almas revela-se persistente.

Todas as cores revelam as formas que vagueiam. Umas mais esperançosas, outras claramente devastadas. Próximas de mim fazem-se vultos, seres inexplicavelmente esguios, e que pouco lhes retiro alguma naturalidade ou espontaneidade.

Basta uma observação profunda que no instante em que é apresentada a realidade todo o universo transmuta. Todo o conhecido deforma-se e toda a ficção se torna abismal de tal forma que oculta novamente o certo e o errado, a existência da ilusão.

À minha frente encontro toda uma forma abstrata de sensações e cores, um mundo tão diverso e aberto a interpretações. Nele reparo em todos os maus representantes da vida humana, quais atores que perderam o seu discurso algures e improvisam com a pouca informação que têm, falas acerca do seu papel. Ao dizer que não reconheço bons artistas mentiria, assim como não diferenciar meros apontadores de críticos profundos. Mas eu não interesso, não estou presente na minha observação, estou por detrás dela.

Levanto-me e percorro agora um trilho pacífico, longe de miragens, próximo da realidade. Vejo árvores dançando sincronizadamente ao ritmo do vento, oiço toda uma comunicação entre a vida, simples, mas recheada de todos os mais profundos e honestos sentimentos. Observo, acima, todo um voo conjunto e acrobático das aves, aguardando o momento desejado para partir, reagrupando-se para uma provável longa viagem. Entre árvores e arbustos os milhares de sussurros ecoam entre os meus passos, tão opiniosos quanto ao meu destino, assim como eu.

Quanto mais percorro menos escuto, mais sinto. As árvores continuam vibrando, levando-me a mim a juntar a elas para dançar ao sabor do vento, com o meu corpo aceitando de forma quase mágica, deixando-me levar na direção que ele me leva. Os pássaros já partiram, não os vi mais, e os burburinhos tão poucos ficaram para me ver partir.

Ao caminhar não olho para trás, estão lá todas as dúvidas que tanto me aprisionam, que tanto me fazem questionar.