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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

12.Jul.18

Ocultando a verdade, ou fugindo da mentira?

O homem. Uma caixinha de surpresas se este o fosse, mas é um ser - um ser misterioso. 

Ainda hoje desconhecemos muito dos nossos feitos. E, ao contrário de se fossemos uma caixa com segredos, que apesar dos seus truques e manhas sempre teriam um fim ou uma compreensão final, para o ser humano isso não existe. Não quando este não quer ou não deixou claramente explícito.

Li num livro uma frase que originou esta minha composição, dizia; um homem que escreve o seu pensamento não poderá contraria-lo futuramente - (frase adaptada por mim). Faz sentido. Aliás, faz muito sentido. 

Um homem que escreve sobre algo, está destinado a ser julgado em base desse escrito, e, quando este se contraria, há sempre uma prova a se recorrer. Ou seja, está prisioneiro das suas ideias.

Um homem que não afirma os seus pensamentos (os escreve), está ilibado de qualquer responsabilidade. Poderá se adaptar às situações sem receio, e chegará até mais longe, pois mentindo e contando a verdade é vário o leque de possibilidades. 

É uma forma também de evitar o erro, ora reflitam. Quantos pergaminhos/manuscritos não foram gozados e motivos de galhofa por serem tão absurdos ou incoerentes com a realidade? Os tempos mudam mas as ideias não mudam no tempo. Ao escrever, não só nos aprisionamos a essa linha de pensamento, como prendemos a realidade àquela ideologia, daí ''os tempos mudam, as ideias não''.

Claro que poderemos ter novas ideias, mas as que temos, e, mais que isso, as que apontamos, essas ficaram no tempo. Um pensamento nunca é prisioneiro, e isso faz dele o melhor juiz para julgar/estudar o tempo. Mas o pensamento também não é eterno, ao contrário da escrita... E um dilema é engraçado, é sempre engraçado. Nunca tem é muita graça (mas não lhe retiremos o mérito).

O que pudemos então retirar deste pequeno desaveio de ideias é que o estudo só é rigoroso se for realizado na altura. Muito se predita, muito se procura, mas no final, ou estudamos baseados num erro, ou fazemos nós um erro ao apontarmos o conhecimento adquirido.

Será que os verdadeiros sábios não serão aqueles que não apontaram o seu conhecimento? Que ao longo da sua vida encontraram-se em mutação ideológica e que estavam sempre com o seu pensamento à frente do tempo estagno, paralisado pelo papel? Pelo conhecimento vincado? Pois um ser com tanta sabedoria pode não a conseguir exprimir, ou controla-la fase às advertências da evolução. Seria menos sábio do que alguém que paralisou o tempo, para analisar o conhecimento «conhecido»?

Mas depois de que lhes valeu? Pensaram no futuro? Na sua finita vida? Seriam assim tão egoístas para não partilharem a sua sabedoria com os vindouros? Ou assim tão atenciosos para não afirmarem certezas que não as tinham?

Muitos conhecimentos estão perdidos devido a essa prática, mas um longo processo de tentativa erro foi também encurtado devido à facilitada triagem da informação (devido a ser menor).

Mas não chegaríamos mais longe ao aprofundar um pensamento mais amplo, com origens diferentes, ao invés dos que formaram o nosso mundo de hoje? Talvez sim, a figura de um pensador ambulante é muito romântica para os fazer excluir deste movimento da nossa evolução.

Um dia talvez se volte a descobrir o fogo grego, mas que neste presente, esse fogo que seja nas nossas mentes, e quem saiba não tenhamos também algo que valha uma ou duas folhas de papel de escrita.

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