Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

10.Ago.18

Qual o meu propósito?

«In the landscape of spring,
There's nothing superior or nothing inferior,
The flowering branches grow naturally,
Some short, some long»

 

Dedicando-me um pouco a um tema mais específico do texto anterior, (Parte I), continuo a minha linha de pensamento onde a deixei um pouco vaga.

Dirigindo-me à origem, (da hierarquia), existe na natureza também o que existe na organização da nossa sociedade. Aliás, a necessidade com que a humanidade se desenvolveu, foi natural. Foi (e é) necessário esta coordenação que o homem criou, de haver uma organização, de haver regras, de alguma forma haver alguém que indique o rumo e haver quem o siga. Porquê? Porque é parte de nós sermos orientados para fazer algo. Mesmo que não sejamos influenciados diretamente, seremo-lo sempre de alguma forma que nos faz agir em conformidade com algo que nos afetou (negativa ou positivamente).

Mas como haver uma hierarquia pode representar a quadra apresentada? Bem, já o fez. É natural haver quem se destaque mais e quem se destaque menos. Não há nada de errado com nenhum, porque foi assim que aconteceu. Uma flor é tão bela quanto uma árvore, algumas até mais, e não é o que fez uma grande ou a outra pequena que inferiorizou ou ofereceu superioridade a nenhuma. Ouvem a natureza discutir como veio ao mundo? Uma flor queixa-se à árvore por ser pequena? No fundo ela vive como veio. Não se compara aos outros, e utiliza a beleza que lhe foi oferecida para encontrar o seu «uso» ou propósito.

O que poderia estar errado com uma pessoa por não se encontrar numa carreira de topo? Faz parte também. Está lá, faz as suas coisas. Não é tão recompensada por isso? Bem, esse é outro assunto. Aliás, o assunto é todo o mesmo, mas como falei de flores e árvores, comparando a pessoas e empregos, acho que dá para perceber que tudo no mundo fala, de uma forma ou de outra, em sintonia. 

O problema do mundo nem é como ele está feito. É o porquê de ele ter sido feito assim. A hierarquia é algo natural do ser humano, várias espécies de animais têm também um género de organização nos seus grupos (se vivem coletivamente), como por exemplo os lobos. O grande problema do homem é querer, de alguma forma, sentir-se superior a outrem. Mas que direito ou legitimidade uma pessoa diz a outra que lhe é superior? São dois seres humanos, ambos nasceram em semelhantes condições (biológicas), o que na natureza o dotou para ser algo mais que os outros? E o que fará para quem é repreendido por esse tipo de pessoas, sentir-se realmente inferior? Comparou as vidas de ambos? O estilo de vida diferenciado que apresentam? Vocês são quem nasceram e se tornaram. Não há nada de errado com o rumo da vossa vida, pois, se de alguma forma foram seguindo-o (mesmo sendo um considerado ''errado'') esse foi o vosso. Esse caminho faz parte do mundo, não inventaram nada, não fugiram à natureza humana, então porque se devem sentir inferiores a quem «grandes vidas» possui?

Sabem... É triste e ao mesmo tempo fantástico. Quem vive muito para si, não vive plenamente. Quem vive muito para os outros, não vive realmente. Conseguem ver como na natureza tudo acontece harmoniosamente? Ninguém questiona a sua função, simplesmente atuam para aquilo que foram esculpidos para ser.

Assim como nasce de uma pequena semente uma raiz, um caule, folhas, e ao fim de alguns anos uma árvore, essa com flor ou fruto, espalhando a sua semente, levada pelo vento, pássaros, insetos (...), e no final outra semente é plantada, no fim do fruto ser comido, ou do pólen da sua flor se ter espalhado. No fim há apenas o ciclo. O ciclo natural em que se baseia a natureza, e que de alguma forma o homem também o faz. É o que raramente os faz sentirem vivos (aos homens), a sua real razão de o estarem, e isso não faz sentido, não quando o que substituem pela sua natureza é a artificialidade da vida, pela ilusão dela.

Assim como na natureza um ser morre para outro ser viver no seu lugar, prolongando a sua espécie, mantendo a sua existência e propósito no mundo, o homem, esse também morre. No final não fica com nada, nunca nada foi realmente dele. Não é o propósito do homem, como ser natural, colecionar, nem mesmo memórias ou sentimentos. Para quê? Perde-as(os) todos no final, serviu de quê? Ah, mas enquanto os tivemos foi bom retê-los. Sim, é verdade, ou pensam que não sou humano? Mas é um pouco egoísta este sistema em que a vida se baseia.

Um ser vivo pode ser tudo o que ele quiser apenas limitado às suas condições. O homem não pode viver como deseja, mesmo que tenha nascido no mesmo mundo, que pense de semelhante forma, que tenha tido a sorte de ser pleno como ser, porque as condições do homem não são naturais, são parte da ilusão da vida, artificial, controlada por ele mesmo, num mundo controverso em relação à natureza.

 

 

(Parte 2/2)