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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

17.Jan.18

Que vida vivemos se não a nossa ou a que fazemos?

Gostava de o ser... Digo que sou livre nas palavras como de pensamentos mas alguma coisa faço para as revelar, para as fazer. Sim, sou livre na escolha delas, mas não escrevo com a liberdade do pensamento, mas com a das palavras. Essa, liberdade que é restrita por não fazer sentido ser livre - como conhecemos as palavras: só funcionam juntas e com coerência. Então que liberdade é esta? Talvez não haja, e seja tão ou maior ilusão como a nossa liberdade social (como pessoas).

Sempre me diverti com o pensamento, sempre desde que me lembro. Fascina-me as conversas que tenho com ele, um sábio sem sabedoria! É espantoso como e quantos nós somos no nosso interior. Cada um com a sua ideologia, ambição, personalidade... A complexidade do nosso ser – eu – é nada mais que a simplicidade de todos os seres simplificados que se encontram dentro de nós. É com eles que passo muito do meu tempo. Quando me esforço muito, tento restringir o pensamento a ser só um, ficando eu assim acompanhado de um só. Faço-o pelo gozo, pela atrevidez, mas no final digo que é pelo resultado. Digo e é esse o objetivo. Não com o de tornar o complexo em simples, mas sim de utilizar o simples para compreender o complexo.

A complexidade é formada pela simplicidade acrescida, ou pelas suas camadas. A forma de compreende-la é então não começar por questiona-la, mas o de compreender cada uma. A ciência fá-lo todos os dias. Estuda (atualmente com toda a tecnologia possibilitando-a assim) o ser (animado ou não) pela sua mais ligeira composição, e, compreendendo essa, avança até formar então o ser observado. Dessa forma não o questiona, mas compreende-o; fá-lo porque observou a sua criação, a necessidade de todas as camadas para o fazer inteiro... Assim o é também o pensamento e a forma de pensar.

É então, com toda a dificuldade que se reflete nisso, que habito num corpo e vivo numa mente. Digo-o assim porque – viver duas vidas – poderia se tornar mais confuso. Tentado então apontar para a explicação: Tenho a minha vida, a que todos veem. E tenho a minha vida, a que eu crio e trabalho todos os dias (a minha vida mental). Pode se demonstrar estranho, que gosto muito de dizer coisas sem nexo, mas todos o fazemos...

Quem nunca se arrependeu de uma escolha? Se a resposta for positiva então foi isso mesmo que aconteceu: A vida (física) realizou o ato, a vida (mental) reprimiu-o. A vida mental é aquela que vive no seu tempo, seja ele o que ela quiser. É a mais real a nós, mais verdadeira e a que mais vivemos. Porquê? Porque essa nossa vida só nos abandona quando nós a abandonarmos a ela. Com a vida física, essa fica com ela mesmo, a física. Perdida no passado (no tempo físico), diferente de nós todos os dias pois é a vida que não nos acompanha e a que está à nossa frente, atrevia-me a dizer que de modo involuntário/inconsciente.

Não é nem um pouco complicado compreender, é só triste de reconhecermos como é a vida e como nós a vivemos. Uma das razões de eu escrever é por essa mesmo, porque quando escrevo, por mais que as palavras se retenham no passado, foi no presente que conscientemente as escrevi (e que continuo a escrever), é então «a linha que separa» (piada velha já?) a vida física da mental. Ou melhor, a transição visível e voluntária de uma para a outra. Com o pensamento escrevo, com as palavras gravo o meu pensamento. Esse que é meu, pelo menos até agora que ainda o tenho... Ah! Sempre esta dificuldade de nos mantermos atuais, vivemos no passado no tempo do presente, atuais à vida e atrás dela. Nunca somos quem somos, nem quem queremos ser. Somos apenas o que (o que) nos rodeia nos faz, e o pouco que pensamos fazer.