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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

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Pensamentos do (meu) mundo.

09.Ago.18

Quem sou?

«You cant control your thoughts, and you cant control your feelings, because there isn't one controller; you are your thoughts and your feelings» - Alan Watts

 

Não é ao acaso o post de hoje. Nunca é realmente ao acaso o tema, a data, ou até mesmo a hora que publico, seja o que for. São quase como diria o Mago Gandalf - A wizard is never late, nor is he early, he arrives precisely when he means to.

A frase lá em cima encontrei eu, ouvindo uma palestra (de há muitos anos) de Alan Watts (1915 - 1973), falando de algum tema que agora não me recordo tão bem, pois, para ser sincero, fui ouvindo oração atrás de oração (para quem está interessado, é muito fácil de encontra-las no youtube). Mas hoje será esta frase que irei explorar um pouco, para mim mesmo, até.

Há dias em que escrevo ambicionando ser alguém totalmente diferente do que realmente sou. Muito provavelmente vou continuar a fazê-lo. Nesses dias sou eu à mesma, escrevendo sendo outra coisa. E assim como tão bem a frase descreve, serei sempre eu nessas alturas; mesmo que seja uma que me «afaste de mim mesmo».

Esse sentimento é meu, e, por mais que o abomine nas fases em que não o desejo, estará sempre presente. Porquê então a necessidade de nos vermos livres de certos pensamentos, ideias ou mesmo ilusões, que são parte de nós? 

Eu foco-me no pensamento singular, no ''estudo'' de um só individuo, porque é assim que descubro fascinantes formas de ver o mundo. Por vezes abstraio-me até do bom senso, para viajar além das palavras que oiço ou leio, alcançado mundos que não existem nem que me pertencem.

Coletivamente a mente humana trabalha de uma forma totalmente diferente. Se um ser se encontra isolado do mundo, sem nada que lhe comprometa o pensamento, viverá a sua vida com o objetivo de alcançar a sua compreensão, um estudo de si mesmo, em meditações profundas sobre o que sente ou como viver com o que pensa. Com o ser humano agindo coletivamente, não existe este extremismo de compreensão individual. Há sim um todo de comparações sem sentido, de ações despropositadas em relação à vida. Tudo é uma competição que para se vencer há que apresentar, (honestamente ou não), ao próximo o seu ''sucesso''. Existe ao invés da compreensão de nós mesmos, um misto de inveja e raiva pelos outros, com objetivos de querer alcançar a vida dos outros, o sucesso dos outros, o estilo de vida, pensar até mesmo como os outros pensam. Há uma assimilação estranha na vida que diz que não nos podemos excluir, de ser um pouco mais nós mesmos, pois ninguém como nós está no topo (por assim dizer). Sobre esse assunto guardo para outro texto.

To be is to deceive, é um grande ponto final a todo esse pensamento. A compreensão que nada passa mais do que um simples jogo, e que quem participa nele alcança o ''sucesso'', assim dito da vida. Mas, mesmo cumprindo com as regras do mesmo, aquele que dispõe as suas peças em jogadas calculadas, explorando abordagens diferentes que não as que o levem ao ''sucesso'', deparam-se com toda a ilusão da vida. 

Nós só nos sentimos inferiores, porque há algo superior sempre a ser apresentado, a ser-nos exigido. Não há nada de errado connosco, as nossas desilusões, se formos bem a ver, nem são nossas. São de quem está lá no topo, que jogaram o jogo da vida de uma forma diferente, que nos faz arrepender das escolhas que fizemos nas nossas jogadas. Porque estamos nós errados? Não movimentámos a peça em conformidade com as regras? Porque falhamos só porque apenas não movimentámos a peça numa outra direção? Não estamos ainda presentes no tabuleiro? Não estamos ainda presentes no jogo?

Somos nós mesmos. Somos o que acontece entre um neurónio e outro, cada sinpase, cada sensação pertence-nos e somos nós ela. Não há ninguém que as tem por ti, porque quererias tu pensar como os outros pensam? Viver como os outros vivem? Ser controlado por alguém, sendo que não existe ninguém capaz de te controlar a ti, nem tu mesmo. Porquê querer viver iludido numa já ilusão? Para sentir um pouco o real? Mas que realidade...

 

 

(Parte 1/2)

(Parte 2)

 

 

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