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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

22.Jan.18

Se a minha mente escrevesse...

 

Hoje só me apetece escrever por escrever. Sem assunto nenhum (se alguma vez o houve), sem compromisso algum (se alguma vez o fiz). Só eu. Eu e as palavras.

São criaturas interessantes, as palavras. Fazem-se de quem as apresenta, juntam-se a quem as ouve. São fieis, a quem as utiliza honestamente. São impostoras, a quem delas as manipula. Mas no final as palavras são cruas. Não são elas realmente que carregam os sentimentos, as subliminaridades, os nomes e as mensagens. Somos nós. Nós com elas.

O sentido da palavra muda com o sentido a que a atribuímos. No seu campo de sinónimos possuímos a escolha delas, não se pode utilizar por exemplo um «não» para expressar um «sim», mas sim por exemplo um «negativo» ou «nunca». A crueza da palavra não carrega sentido, somos nós que a ``cozinhamos´´ para a integrar na obra a que a empregamos. E é sobre isso mesmo que me queria basear neste texto, mas como referi em cima que não teria assunto, vou alterar o meu pensamento para o referir na escrita.

É aqui a falha. Pelo menos a que eu sinto. Quando escrevo não sou eu a escrever, são as palavras. São nos sentidos delas a que eu estou limitado para expressar os meus. A mente é muito maior que as palavras para assim o fazer. Maior e mais espontânea. Por mais que escreva como um curso de água a percorrer a sua corrente, a mente é já o oceano inteiro a procurar os céus. Isso não consigo acompanhar, nem sonhando quando nem os sonhos são meus.

Gostava que a minha mente tivesse a sua própria escrita, o seu próprio caderninho com a sua grafia. Gostava que todo o meu pensamento se refletisse nesse livro, todos os sentimentos nele, fieis e atuais. Que todos os meus atos aparecessem nele escritos também, pois a mente só - não existe se não se basear numa vida. Ao invés de escrever no corpo o que dita, coisa tal que dele não se lê, poderia ser num caderno onde tudo ficava. Se fosse assim, escreveria por fim o que realmente «tinha em mente». Pois era nela mesmo que foi realizado e não pelas palavras que não me pertencem por serem de todos.

Dava por mim muitas vezes de noite a levantar-me depois de uma conversa comigo mesmo, e escrever o resultado dela numa folha que tinha por perto. Fazia-o com medo de o perder, aquele pensamento meu, aquela ideia que se a deixa-se partir pertenceria a tudo menos a mim.

Não sei se estarei a ser muito egocêntrico, de querer tudo o que me pertence, mas não poderei ser ninguém que não sou. Quero sim, tudo o que é meu! É meu porque não haveria de o ter. Quero o meu pensamento todo, ambiciono em descreve-lo com tudo. Mas nunca é o meu pensamento se não se revela ele por si mesmo em palavras. Baseio-me nele, quase como uma biografia que realizo. Nunca uma auto-biografia mesmo sendo ele meu. Escrevo afastado dele, descrevo o que vejo e não o que vivo. Opino sobre as nossas conversas mas não venho com os temas delas. Ando perdido na mente, como perdido em vida. Gostava.... Sim... Gostava de ter tudo o que me pertence, tudo a que tenho direito... Ah! Se a minha mente escrevesse...