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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

17.Fev.19

Faleci nos teus braços

Francisco
Faleci nos teus braços Assim como quem se afoga no mar. Sucumbindo levemente à vida Até ao instante em que esta me decidiu levar.   Não lutei nem desesperei, mas ali fiquei Caído no teu colo, num abraço (para mim) eterno. Pudesse eu, reencarnado, não sei, Repetir esse abraço, desta vez sentindo-o com afago E não com esta frieza agora dos meus braços.   Fui eu mesmo que me matei. E foi no teu colo onde moribundo me esvaí Com o sangue que te manchou o vestido. O (...)
24.Nov.18

Sangue

Francisco
Encontro-me em jardins esquecidos, Emaranhando-me entre ervas e espinhos Sujando as botas de lama e salpicando a rosa que levo branca Encostada ao peito, Ouvindo-me pulsar ao abraçar-me o coração.   Os trilhos por onde caminho apresentam-se abandonados, Os canteiros circundantes tombados, as flores transparentes, sem cores... Prevaleceu o selvagem, onde habitara outrora alguém muito próximo A quem hoje me escuta.  - Irei levar-te a casa!   Não te conheceria, flor (...)
12.Nov.18

Eterno

Francisco
Hoje observei as árvores, As suas toscas formalidades As suas folhas caídas, as mais resistentes num suspenso cansado, E o pensamento que me atingiu foi o das suas idades.   Anciãs da natureza,  como as nascentes e as pedras, Estas guardam sabedoria. Nas árvores há vida, e há o tempo que a prolonga E elucide que a existência só não predomina.   Num abraço ancestral o novo galho ramifica-se E, das suas raízes, bebe o conhecimento da vida Prologando assim o curso (...)
14.Out.18

A poesia não me chega

Francisco
A poesia não me chega. Ou talvez seja eu, que não sirva para poeta. De tantas palavras me vejo sedento Mas de nenhuma tenho realmente orgulho em ser minha.   A poesia não me chega Pois não trago do licor da vida, Fico-me apenas com as palavras rotuladas na garrafa em que é servido, Causando-me náuseas o seu odor pujante, E não o travo forte e amargo de provar essa bebida.   A poesia não me chega Pois amo amores que não me pertencem. Sinto-lhes o aperto forte no peito,
30.Set.18

Vejo-te partir

Francisco
Oiço o ruído distante de uma locomotiva a vapor. Parece aproximar-se, com os seus fumos e coloração negra, para meu desalento. O nervosismo percorre-me, impaciente com o seu destino Mas algo fadado é como se já tivesse acontecido.   Antes de partires, permites-me uma última palavra? Bem sei que não me consegues ouvir, Mas eu tento. Sempre tentei, apesar que nunca o conseguisse ter dito...   Escondo o amor, com medo que ele deixe de o ser. Nunca to disse, que te amava...
28.Set.18

Um canto ancestral

Francisco
Não oiço mais que o vento Suspirando entre as árvores. Escuto, com atenção devida Um riacho à distância, O palrar das aves nos seus próprios dialetos, O mundo todo cantando!   Levo-me a passear em todos estes encantos; Nas flores que tendem a desabrochar revelando a sua beleza e cor, Na antiguidade das árvores e no seu louvor, Na sabedoria do tempo e nos seus contos e histórias. Em mim mesmo, também, Pois oiço-me percorrer esta terra musgosa Onde faço trilho, (...)
14.Set.18

Sou eu, mundo... Sou eu.

Francisco
Habito na penumbra, Nos recantos dos cantos do mundo, Pois a minha voz não se fez bela.   À minha volta são paredes, Todas elas histórias, e a própria história, Do que o mundo é e de como ele era...   Não encontro brechas, nesta muralha do tempo. Apresenta-se impenetrável a qualquer sentimento, Àquele passado que queríamos ter sentido ou feito.   Quem foi o engenheiro, que criou o sentimento? Soubesse ele hoje, o que ficou em erro E que concertasse as brechas (...)
24.Ago.18

Dor

Francisco
Rastejo na lama a que chamo chão. A que lhe apelido de apoio para o meu corpo. Entre gravilha e gravetos Rasgando-me a roupa, Alcançam a pele pecadora.   Cortes, Uns superficiais outros profundos, Mas é na mente que tudo dói. É para dentro que grito E é para fora que sai.   Ah dor! Que não te compreendo, Sofro por fora, Grito para dentro... Se me abraço a ela Sinto apenas um aperto, Se a ignoro, Sinto-a percorrer-me por dentro.   As braçadas tornam-se pesadas,
15.Ago.18

Como lidar com os sentimentos?

Francisco
Não sei se vieram aqui à procura de resposta, ou se já com a intenção de me massacrar pelo título aludir que eu a tenha. De qualquer forma, nunca realmente escrevi a saber seja o que fosse. Se, em algum texto meu em que requeria conhecimento acerca do assunto, esteja lá apresentado entendimento do mesmo, esse não era meu, mas sim de onde o fui buscar. O que sei eu? Realmente meu, que não aprendi nem que me ensinaram. Despindo o conhecimento, que sei eu? Bem... Saber não sei (...)
20.Jun.18

Um abraço diferente

Francisco
Levanto-me com uma enorme dor de cabeça; outra vez, lamento eu. Arrasto-me vagarosamente pela casa, com uma das mãos cobrindo a minha cara parcialmente, premindo suavemente na origem da dor com esperança que pare.  Estanco na frente de um espelho, sentindo um fogo abrasador na têmpora direita o que me obriga a lá encostar a mão novamente. É essa a imagem que vejo refletida diante de mim. Alcanço água à face, retirando aquela visão de fraqueza do meu subconsciente, lavando todo (...)