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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

24.Dez.18

Chuva

Francisco
Faço-me de palavras, perdendo-as assim que proferidas; Não sou nada.   Eterna queda, como a da chuva que não cessa,  Sou mais uma gotícula que se perdeu dos céus E que caiu na terra; Não sou nada   Transbordo e faço cheias, com os quantos eu's de que me vi separado Observando-me cair por inteiro, aos bocados... Na terra ficando manchado. Parte de mim acompanha pequenos riachos, outra encontra simples poças. Encharco quintais, prados, atiro-me dos céus negros ao encontro do (...)
23.Dez.18

Uma estrela para pensar

Francisco
Nasce, entre as montanhas tão altas como os céus, Os sonhos de crianças.   Nos seus olhares encontra-se a beleza da juventude, Um brilho que ofusca o pensamento, nele apenas se sente.   Num céu soturno, são eles que dos sonhos criam as suas estrelas Viajando entre elas, qual transporte celestial.   Com o tempo, o brilho vai-se perdendo. Os pensamentos turvam-se com os sentimentos e fazemos aquilo que nunca deveríamos ter feito: Questionar o que sentimos.   Os cumes (...)
17.Nov.18

Conhecimento

Francisco
Começamos a conhecer assim que abrimos os olhos, e com o tempo a apercebermo-nos de que o 'Eu',  cá dentro, são vários 'Nós'. É de cada um decidir quem saciar, quando o desejo tão humano de querer nos envolve e se espalha. É de cada um escolher se o fará para si, ou se o quer fazer para se mostrar.  O que pensamos, também algo tão humano de se fazer, fazemo-lo com outros, mesmo que isolados. Quem escreve, lê e fala nunca está sozinho, pois já consigo encontram-se (...)
24.Out.18

Os milionários

Francisco
Como andam eles, a correr pelos passeios, Evitando as importunas poças de água E guiando-se pelo seu estimado relógio Que lhes apresenta os horários com que regem a vida.   Fosse lá eu, no meu perfeito juízo Ligar os sentimentos ao tempo Vivendo momentos calculados E não a vida em si!    Como vivem eles, na mão um dedo de afeto Nos restantes a habilidade da contabilidade; Regendo a vida no tempo, e o tempo que têm de vida. Eu vivo apenas, e o meu tempo é o tempo (...)
21.Out.18

...

Francisco
Deixei o homem na rua. Abandonei tal ser para ser-me, então, Sem desejos ou ambições, apenas eu E a criança curiosa a quem dei a mão.   O quanto ele puxa, o petiz! De uma energia inesgotável faz-me cansado, E lá me solta e brinca e salta no prado Enquanto eu descanso e lavo a cara num riacho.   Ah, o quanto não nos fomos iludindo Que a juventude seria eterna, pois a vontade de a ter se igualava a tal. O quanto da vida não fiz, para fazer mais tarde E que agora é (...)
17.Out.18

Odi et amo, excrucior

Francisco
Não sou pleno. Sou, dividido em pensamentos, Hoje algo, amanhã o oposto. Não me compreendo...   Um ser tanto ama, como odeia. Tanto constrói, como destrói. Tanto escreve e tanto apaga E a nada realmente se apega como larga.   Somos vazios, procurando sentidos. Somos sedentos, procurando a saciação. Somos incompletos, dizendo-nos plenos Pois tudo disjunte somos nós inteiros.   Assim dizem, os embriagados da vida. Os sóbrios observam, nos seus (...)
14.Out.18

A poesia não me chega

Francisco
A poesia não me chega. Ou talvez seja eu, que não sirva para poeta. De tantas palavras me vejo sedento Mas de nenhuma tenho realmente orgulho em ser minha.   A poesia não me chega Pois não trago do licor da vida, Fico-me apenas com as palavras rotuladas na garrafa em que é servido, Causando-me náuseas o seu odor pujante, E não o travo forte e amargo de provar essa bebida.   A poesia não me chega Pois amo amores que não me pertencem. Sinto-lhes o aperto forte no peito,
12.Out.18

Os silêncios que deixo escritos...

Francisco
Tal como o vento se exibe Também eu me assemelho com ele. Absorvo tudo por onde passo Mas em lado algum realmente pouso...   Assim como o vento sussurra Também eu me mudo, Levando para longe os gemidos de amargura Ficando-me num silêncio que faço prolongado.   Na quietude devassa da noite, Altura essa em que revejo a vida, Faço eu do pensamento a minha Julgando culpados e inocentes; Abro ao silêncio esta boca minha.   Gostaria de ser mais que vento. Mais do que (...)
11.Out.18

Copiadores originais

Francisco
O quanto de nós não é dos outros? Não necessariamente entre todos os vivos, mas entre todos os que vivem e viveram. Quão diferentes somos realmente do próximo?  Sabem, muito pouco. Desde o primeiro homem, que foi aprendendo e ensinando (d)o ''segundo'', que se viveu em grupo. As gerações, surgindo com o tempo, fizeram com que o leque de conhecimento abrangesse uma muito maior área devido à evolução da mentalidade, e, acontecendo a seleção (natural ou voluntária) daquilo a (...)
09.Out.18

Não é necessário guerra para haver paz

Francisco
Não sei de onde surgiu a conhecida frase «Para haver paz é necessária a guerra», mas pensei nela durante muito tempo. Tempo suficiente para concordar, discordar, achar deplorável ou encontrar-lhe o sentido.  É fácil achar-lhe a razão, deve ser até por isso que nos dias de hoje é realmente assim que se desenvolve a paz praticando a guerra. Bem, o mundo é este, e mesmo aqueles que batalham contra ele - a favor de um melhor - fazem todos parte do mesmo; Onde um tira a vida e (...)