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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

29.Nov.18

Furão (de sentimentos)

Francisco
Alternei o sol pela lua. O dia solarengo pelo ambiente frívolo; A constante suposição de que por detrás da cortina nublada  Estará algo incerto, mutável, coisa de pouco valor pois não se afirma...   Sei eu hoje o que tanto se escondia, Não fosse eu quem se levanta de noite ao invés do dia, Que à lua uiva e que o sol repudia; Um jogo das escondidas, que faço sozinho para meu desalento e não divertimento. (Por aí algures ando perdido).   Pensando não estar longe Tanto (...)
25.Nov.18

O meu lugar

Francisco
Diversas vezes me questiono onde pertenço. Onde faço falta. Mas onde pertenço ainda não sei, e sou eu de quem falta sinto, não o contrário. São raras as vezes que o faço, que penso em ti. O que o faz doloroso é o começo ser interminável. Imagino a minha solidão com companhia. Só eu e tu onde quer que o sol brilhe ou a lua ilumine. Finge a minha mente os teus abraços, os teus lábios nos meus. Ilude-se o meu corpo de os sentir, os meus olhos de te ver. Mas tudo isso sei que (...)
24.Nov.18

Sangue

Francisco
Encontro-me em jardins esquecidos, Emaranhando-me entre ervas e espinhos Sujando as botas de lama e salpicando a rosa que levo branca Encostada ao peito, Ouvindo-me pulsar ao abraçar-me o coração.   Os trilhos por onde caminho apresentam-se abandonados, Os canteiros circundantes tombados, as flores transparentes, sem cores... Prevaleceu o selvagem, onde habitara outrora alguém muito próximo A quem hoje me escuta.  - Irei levar-te a casa!   Não te conheceria, flor minha, se não me (...)
22.Nov.18

...

Francisco
Crava-me fundo as garras O lobo que se escapou das suas amarras!   Os seus olhos vertem sangue Quais lágrimas de dor pungente, A sua boca saliva espuma Qual mar bravio percorrendo a costa!   Por dentro percorre-me a bruma De pensamentos, aos quais não os entendo Pois tudo em mim fez-se nevoeiro; Muralhas que construí, terrenos que plantei...   O lobo atravessa agora o solo singelo Cravando-se em mim, rasgando ferozmente o nevoeiro, Abocanhando-me de uma só vez Deixando-me num total (...)
16.Nov.18

Vazio

Francisco
Já não sei mais o que me dizer. Já nem me recordo do que realmente disse, pois a mente fez esquecer.  Questionava-me acerca do ser, do querer e do fazer. De tudo isso deixei de querer saber... Embriaguei-me num vazio e atravesso este limbo, acarretado pelas guias do meu saber, essas que perdi, fazendo-me vaguear onde nada reconheço.  É estranho como tão atrativo se revela, como engodo na ponta de um anzol. Infelizmente vejo-me aprisionado, já ele me encantou e puxa forte... Porque (...)
12.Nov.18

Eterno

Francisco
Hoje observei as árvores, As suas toscas formalidades As suas folhas caídas, as mais resistentes num suspenso cansado, E o pensamento que me atingiu foi o das suas idades.   Anciãs da natureza,  como as nascentes e as pedras, Estas guardam sabedoria. Nas árvores há vida, e há o tempo que a prolonga E elucide que a existência só não predomina.   Num abraço ancestral o novo galho ramifica-se E, das suas raízes, bebe o conhecimento da vida Prologando assim o curso natural da (...)
01.Nov.18

Segredo

Francisco
Pernoito em pensamentos que faço fartos, A lua ilumina-me os sonhos e as estrelas recolhem-nos Para que possa rever-lhes uma outra vez, Sempre que os recordo.   Para o mais grandioso sonho reservei-lhe a mais brilhante estrela, E ilumina ela os dias que seriam negros, caso se abandonado me deixasse Num qualquer beco escuro sem alegria. Não, esta brilha e eu deixo a noite dar lugar ao dia.   O ser guarda-se no tempo, mas o tempo não tem lugar cá dentro. Sentimo-nos envelhecer como as (...)
28.Out.18

Mente atribulada

Francisco
Vim ao mundo isento de certezas, de pensamentos e sentimentos. Como única prioridade tive a de respirar. Tão pouco que a vida nos oferece no inicio, Uma caixa de mistérios - que é o nosso ser.   Haverá, certamente, impacientes,  Que a tentarão revelar mesmo antes de conhecer onde é sua a abertura. Precoces para viver, abrem às machadadas o seu ser E no chão se esvaíam sem saberem o que é o quê e o que lhes realmente pertence.   Eu compreendo o receio de nunca se revelar (...)
24.Out.18

Os milionários

Francisco
Como andam eles, a correr pelos passeios, Evitando as importunas poças de água E guiando-se pelo seu estimado relógio Que lhes apresenta os horários com que regem a vida.   Fosse lá eu, no meu perfeito juízo Ligar os sentimentos ao tempo Vivendo momentos calculados E não a vida em si!    Como vivem eles, na mão um dedo de afeto Nos restantes a habilidade da contabilidade; Regendo a vida no tempo, e o tempo que têm de vida. Eu vivo apenas, e o meu tempo é o tempo que o mundo (...)
21.Out.18

...

Francisco
Deixei o homem na rua. Abandonei tal ser para ser-me, então, Sem desejos ou ambições, apenas eu E a criança curiosa a quem dei a mão.   O quanto ele puxa, o petiz! De uma energia inesgotável faz-me cansado, E lá me solta e brinca e salta no prado Enquanto eu descanso e lavo a cara num riacho.   Ah, o quanto não nos fomos iludindo Que a juventude seria eterna, pois a vontade de a ter se igualava a tal. O quanto da vida não fiz, para fazer mais tarde E que agora é tarde de mais.