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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

18.Jun.19

Pecador à nascença

Francisco
Peco na arte e peco no feito; E mais pecarei, no futuro incerto.   Estrangulo os débeis caules das plantas Exigindo-lhes as cores das pétalas. Enraiveço os céus azuis Querendo-os como sangue derramado escorrendo as nuvens.   Ao mundo aclamo paz, Sendo eu criador do caos e soldado na guerra!   De tudo isso corri e fugi Ao ponto de não mais saber de mim. Um outro tomou lugar Uma vez mais surgi.    
30.Mai.19

Waiting Both

Francisco
A star looks down at me, And says:  “Here I and you Stand each in our degree: What do you mean to do,— Mean to do?” I say:  “For all I know, Wait, and let Time go by, Till my change come.”—”Just so,” The star says:  “So mean I:— So mean I.”     Thomas Hardy
25.Mai.19

...

Francisco
Desconheço o mundo, e tudo o que vai nele. Nem sei mais se escrevo na língua dos homens Ou se numa outra ilusão criada por eles; Às palavras, contudo, abençoo por existirem, Elas que me enganem, humilhem, escravizem e mesmo me matem! Pois essas sinto-as, sei que é real o que criam e o que causam. Que se dane se apenas eu as saiba ler...   Quantos homens não caminham sobre o mesmo passadiço todos os dias E nunca se chegaram realmente a conhecer? De cabisbaixo, vagueiam (...)
05.Mai.19

...

Francisco
A life perished from a cursed soul, But neither did life or his mind, were gone. Wanderer of realms, lies and deaths, A vision of the end of the world had come.   Blind by sorrow, Cripple by the force of his own will, A man was no longer a man But a tree.   The rotten world fed him, The putrid waters killed his thirst And horrendous forms it got. A tree was no longer a tree But the entire world.   A seer darned with darkness, Sheltering no life but its own. A world has (...)
02.Mai.19

Peripécia

Francisco
Tudo acontece no seu tempo Tudo se vai no momento Tudo se perde no ar   Um beijo às escondidas A mais antiga das cantigas O amor é como o mar   Com um abraço apertado Um olhar envergonhado Assim se voa sem voar   O amor não tem regras Apesar de todas as peripécias Para amar basta amar, basta amar   E já de tanta conversa O tempo passou no tempo O momento foi com o vento Findou algo que não chegou a começar   Mas o amor não tem regras Apesar de todas as (...)
30.Mar.19

Fará a poesia um homem

Francisco
Fará a poesia um homem Erguer-se nos dois membros E gritar aos sete ventos Os seus sonhos que nas estrelas dormem?   Choverá tristemente o céu Aquando numa relação o amor termina, Ou associa o homem o breu À sua história, contada através de lágrimas derramadas numa infortuna página?   Correrão todos os rios vindos de imaculadas nascentes Por onde bebem os homens o seu engenho e arte? Se não, onde de imaginação se abastecem estes, navegando pujantes  Das (...)
08.Mar.19

Degraus de mentira

Francisco
Jazem moribundos homens pelas estradas, se não já defuntos; Escorrendo-lhes o sangue encarnado ainda quente das veias pavimentando os passeios. Saindo-lhes pelas gargantas, petróleo negro - alcatroando assim a trilha Onde pés bem calçados se fazem aventureiros.   Caminhando entre florestas de cadáveres - Onde réstias da sua existência apenas em lembranças ou fotografias de outros tempos se encontra, Estendem-se pela vista afora todo o tipo de seres Aprisionados de (...)
03.Mar.19

A noite

Francisco
O quão fascinante o mundo se revela Iluminado por um qualquer lampião de jardim. Os insetos incansavelmente batendo no vidro, Criando à distância um quê místico em redor da luminosidade. O poste negro, camufla-se entre as sombras criadas, Escondendo-se da luz produzida, estagnado ficando no mundo das trevas. Os murmúrios, contudo, não cessam, e a luz tirita, esforçando-se por manter-se acesa. A noite dorme de dia.   Relembra-se dos dias de outrora, Das ruas retilíneas (...)
17.Fev.19

Sinto-me caminhar ao lado do mundo, e não nele

Francisco
Sinto-me caminhar ao lado do mundo, e não nele. Os rios que correm, vejo-lhes eu o fundo, a sua eterna queda num abismo de nada: Cascatas infindas de desgostos e vidas. Ah, fosse eu sentir as águas!   Os ventos e as árvores desprezam-me Nas suas danças celestes. Toda a vida acolhem e abraçam E eu nos seus tornados ou espinhos me embaraço. Não me quer a terra!   Aos céus praguejo, e os corvos oiço. - Levem-me daqui! Grito eu. E um chilrear negro ecoa, como resposta. Amed (...)
17.Fev.19

Faleci nos teus braços

Francisco
Faleci nos teus braços Assim como quem se afoga no mar. Sucumbindo levemente à vida Até ao instante em que esta me decidiu levar.   Não lutei nem desesperei, mas ali fiquei Caído no teu colo, num abraço (para mim) eterno. Pudesse eu, reencarnado, não sei, Repetir esse abraço, desta vez sentindo-o com afago E não com esta frieza agora dos meus braços.   Fui eu mesmo que me matei. E foi no teu colo onde moribundo me esvaí Com o sangue que te manchou o vestido. O (...)