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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

30.Abr.20

Trilho de lágrimas

Francisco
Quantas vezes retorno o olhar ao passado E encontro o dele em mim, Taciturno como uma noite sem luar, Fixando-me o passo cambaleante com que me vê voltar Enamorado em escolhas que já não me pertencem.   Segurou-me o destino pela mão, como a uma criança, Por um parque de diversões de dimensões colossais Onde, como todo bom progenitor, Me afasta da loucura que é brincar em tamanhas criações. Pois o tempo não se esqueceu de passar E cresci. Diabo o leve, que quis ele (...)
08.Mar.20

Zarpar

Francisco
Vão-se tempos embora, Fechando de rompante a porta Atrás de si.   Seguem de passo apressado, Não pela chuva, vento ou nada Pois observo-os pela janela escondido pelo cortinado; Esqueceram-se de mim.   O quanto estremece aquela casa com a brusquidão das suas partidas, Deixando todos os presentes encolhidos, sem saber de si. - Vou-me embora? Perguntam-se. Todos ficam quando na despedida de alguém Fazendo as malas no dia seguinte, indo-se também.   As aguarelas dos (...)
19.Jan.20

Dor

Francisco
Quanta dor habita no vazio. Prolonga-se por parte nenhuma Abraçando o vácuo  E é em não sentindo nada que se sofre.   Propagam-se silêncios Ecoando nas paredes do nosso ser, Sons tão obscuros que nos horrorizam de os (não) ouvir.   O corpo estremece não sabendo do quê E a mente retorce-se, apunhalando tudo O que não vê. Pois morre a sanidade do homem Sangrando esta nas suas próprias mãos.   Pertence-lhe lágrimas escondidas, Dor de cicatrizes que não foram (...)
12.Jan.20

Raízes temporais

Francisco
Entrelaçam-se e abraçam-se braços nus e mãos gélidas Às próprias raízes do tempo, desafiando o infinito depois de presente. No ancestral seio onde outrora fora vida Seguram uma chama extinta, Um calor de outro tempo.   Não obstante, fagulha ainda nas cinzas a alma dessa gente Remexendo-se e chispando a cada apreço ou desprezo. Fez o homem o feito e marcou esse o homem Mas que memória perdura tanto?   Lembrados num dia, são heróis e possantes Sentados no trono (...)
14.Dez.19

A beleza da morte

Francisco
Na força de um sopro Despe-se a última flor das suas pétalas, Ascendendo estas pelos ares, como se almas possuíssem, Abandonando o seu caule.    O céu esconde o rosto, qual criança que tropeça e se magoa, Choramingando. E a lua cobre-se com um véu de nuvens negro Reconhecendo que de tão distante é impotente para com o acontecimento.   As almas retornam, como espíritos insatisfeitos pelo seu desfecho, Acolhendo o enlameado solo as frágeis pétalas Sentindo-se (...)
20.Set.19

...

Francisco
Desconhecido para o mundo há quem faça todo um barulho para ser ouvido. Muitos já se veem imortais, se por ego se por feito não sei, poucos conheço. Alguns deixam por escrito a sua mensagem, tanto que acreditam que depois da vida a recitam... Outros quantos vivem para um dia, depois de esse finto, terminou, já não existem.   À vida todos lhe segredam, dos mais honestos a macabros desejos; Pois tudo ouve e é ouvido, mas ninguém se lembra do momento. Com o tempo não (...)