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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

07.Fev.20

Todas as noites

Como a uma melodia num piano

Ritmam-me os dedos no teu peito, comigo

Arrastando vagarosamente as teclas,

Saboreando a passagem de cada nota.

De ti, o pulsar, a música que ouvimos todas as noites

No quarto, iluminado apenas com a nossa presença.

 

Oiço-me inspirar pesadamente, com

O ar carregado da tua fragrância

Enchendo-me o peito, expirando como que com medo de a perder.

Como se algum artista impressionasse, desenho a tua silhueta

Sentindo-te por debaixo das leves vestes com que te cobres;

Pinto-te os olhos fechados, coloro-te os lábios já rosados

E imagino-te com um sorriso na face - De que outro jeito podia ser...

 

De manhã desperto com a luz atravessando a janela, projetando a tua figura

Brincando com os cabelos como uma criança

De frente ao espelho, fazendo tranças ou vastos bigodes com que me beijas

Vendo-me acordado.

E são de uns lábios doces que se faz nutrir o que sinto

Contrastando com o tão frios que os meus se mostram.

 

Mas nem por isso paras, nem por isso te vais...

Agarras-me nos teus braços e danças

E eu sigo-te os passos, sendo agora o petiz,

Fazendo hilários movimentos, mas nem por isso abrandas

E ouvindo o teu riso, diria que o fazes mesmo por isso.

 

É quando não te sinto, quando não te vejo...

Sinto a tua falta até ao momento em que bates novamente à porta, ao final do dia

Esperando que eu a abra; descobrindo-te sempre a sorrir por detrás da mesma.

Abraço-te, beijo-te. Amo-te.

Novamente de noite, deitamo-nos bem juntinhos

Comigo a dedilhar-te o peito, como a um piano,

Arrastando vagarosamente as teclas

Saboreando a passagem de cada nota.

De ti, o pulsar, a música que ouvimos todas as noites

No quarto, iluminado apenas com a nossa presença.