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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

30.Abr.20

Trilho de lágrimas

Quantas vezes retorno o olhar ao passado

E encontro o dele em mim,

Taciturno como uma noite sem luar,

Fixando-me o passo cambaleante com que me vê voltar

Enamorado em escolhas que já não me pertencem.

 

Segurou-me o destino pela mão, como a uma criança,

Por um parque de diversões de dimensões colossais

Onde, como todo bom progenitor,

Me afasta da loucura que é brincar em tamanhas criações.

Pois o tempo não se esqueceu de passar

E cresci.

Diabo o leve, que quis ele de mim?

 

Arrasta-me atrás da caneta com que escreve

De mão pesada, a tinta negra, carregada;

Vendo-me correr sem propósito atrás do vazio da palavra seguinte no papel

Com que me quer fadar.

Quantas lágrimas derramei sem sucesso para o fazer parar

Divertindo-se o tempo, observando-se a si mesmo passar.

 

Quantas vezes retorno o olhar ao passado

Levado pela saudade

De tempos que não foram tempo algum

E que lhes sinto falta.

Sonhos sem alma.

Sonhos que eu não sonhei por não saber de que eu se tratava - me tratava - Não sei.

 

E hoje, no tempo que se diz presente, onde pertenço realmente?

Sou um vagabundo, que apontando em direção ao céu finge ter escolha na estrela que o dedo fixou...

Vagueio em trilho antigo, colhendo os poucos momentos nele semeados

Até se tornar cinza as suas raízes, regadas com a tristeza que se vai transparecendo

Enterrando de vez o defunto na mágoa que o fez surgir em primeiro lugar.

Louco, profano as suas campas na busca de algo que pensei sentir, ver ou mesmo ouvir,

Observando os cadáveres putrefactos, fragmentos de mim mesmo, ali,

Num cemitério de vista farta ornamentado de lágrimas salgadas 

Com que mineralizam o trilho onde todos os dias passo.